10 de junho de 2026

Alerta aos conservadores, por Luiz Eduardo Soares

O fato é que nosso país corre o risco de ser entregue, definitivamente, ao crime organizado.

Alerta aos conservadores, por Luiz Eduardo Soares

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Meu nome é Luiz Eduardo Soares, tenho 68 anos e dediquei minha vida à segurança pública. Acho que é meu dever alertar os conservadores de boa vontade para o fato de que nosso país corre o risco de ser entregue, definitivamente, ao crime organizado.

Hoje, o país flerta com o crime, mas em um eventual segundo mandato de Bolsonaro, o que foi ensaiado será colocado em prática sem restrições. As polícias serão liberadas para matar, por meio do “excludente de ilicitude” e de outras medidas semelhantes.

Além de aumentar o número de mortes provocadas por ações policiais (suponho que esse efeito não os comova), dois fenômenos serão estimulados: em primeiro lugar, a negociação com criminosos (porque quem está livre para matar pode negociar a sobrevivência do suspeito), ou seja, haverá mais corrupção e mais promiscuidade entre polícia e crime, o que tornará a polícia cada vez mais fraca e incapaz; em segundo lugar, dois princípios essenciais às polícias, sobretudo às instituições militares, serão afetados: a disciplina e a hierarquia.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

Autorizando o policial na ponta a agir sem controle, estará aberto o caminho para que grupos de suboficiais ganhem autonomia, fortaleçam práticas milicianas e ajam com independência dos comandos.

Assim como a tortura fez explodir a insubordinação nas Forças Armadas, durante a ditadura, criando grupos refratários à hierarquia, dos quais Bolsonaro fez parte, haverá no Brasil uma explosão de “brigadas patrióticas”, com discurso bolsonarista, pseudo-político, e práticas de extorsão miliciana e de chantagem ao que restar de institucionalidade.

A insurgência contra a hierarquia contagiará as Forças Armadas como uma epidemia.

Essa anarquia armada, que nada tem a ver com utopias libertárias, nem com o império da lei, fará muita gente sentir saudades dos generais que hoje se relacionam mal com a Constituição e a democracia, mas mantêm a ordem na caserna e sinalizam limites às polícias.

O segundo mandato de Bolsonaro será o passaporte para o fim da hierarquia e para a desordem nas instituições da ordem, e tudo que hoje está mal vai piorar, acelerando a degradação da sociedade.

Portanto, atenção conservadores, votar em Bolsonaro é abrir as portas para o caos e o fim da autoridade. Só restará a força. E a força do caos armado é o crime, não são as instituições militares.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

Leia também:

Carta de golpe de Bolsonaro está guardada para o segundo turno

Jair Bolsonaro está preparando discurso de golpe no dia 30, diz colunista

O risco do golpe militar, por Luis Nassif

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados