5 de junho de 2026

Conciliação do TRF-3 garante manutenção das investigações de ossadas de Perus

Medida ocorre em meio a decreto de Jair Bolsonaro a que extingue conselhos, grupos e comissões federais. Mas as apurações continuam
Ossadas chegam a Unicamp, em dezembro de 1990, quando sofreram negligência

Jornal GGN – O Grupo de Trabalho de Perus, que realiza a identificação das ossadas de desaparecidos políticos, enterrados em valas clandestinas no cemitério de Perus, na zona norte de São Paulo, poderá continuar os trabalhos. É o que vem garantindo o gabinete de conciliação do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3), que nesta semana teve outra audiência.

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Os integrantes do GTP entraram com recursos na Justiça, antes mesmo do presidente Jair Bolsonaro assinar um decreto que “extingue e estabelece diretrizes, regras e limitações” em conselhos, grupos e comissões federais. O grupo de Perus é responsável por analisar mais de 1.000 ossadas que foram encontradas ainda nos anos 90, mas que com o passar dos anos teve desfechos de negligência.

Logo após o início da atuação do GTP, em 2016, o repasse das verbas foi zerado pela Prefeitura de São Paulo, narra a Procuradora Regional da República Eugênia Augusta Gonzaga, Presidente da Comissão Especial de Mortos e Desparecidos Políticos (CEMDP). “Ocorreu o risco de fechar o laboratório e a Vara (Central) de Conciliação garantiu um acordo em que o trabalho pudesse ter continuidade. Se não fosse o trabalho da Vara (Central) de Conciliação, não teríamos chegado até aqui”, destacou.

Além dos mortos pela ditadura do regime militar (1964-1985), na vala também foram enterrados resquícios ósseos de vítimas de chacinas ou grupos de extermínio. As investigações ainda estão em andamento, até este ano já foram mais de 900 ossadas limpas e examinadas pelo grupo de peritos e especialistas.

“Pelo trabalho que o grupo produziu, é certeza que existem desaparecidos nesta vala. Já tivemos identificações, e as outras famílias têm uma expectativa muito grande quanto às outras ossadas que estão lá”, disse Eugenia, explicando que mais de 100 ossadas ainda precisam ser analisadas e outras 500 passar pelo exame de DNA.

Nesta segunda-feira (13), o grupo encaminhou 200 amostras o Laboratório Internacional de Identificação, relacionadas a 100 casos. Mas com a colaboração do Gabinete de Conciliação do TRF-3, um acordo prevê ainda o envio de mais 750, 100 deles sendo enviados até o final de junho deste ano.

O acordo foi estabelecido em 2017, por meio de uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF). Diante das novas ameaças, desta vez a nível do governo de Jair Bolsonaro, o juiz federal Eurico Maiolino garantiu na audiência junto ao GTP a manutenção do acordo.

“Esse grupo de trabalho possibilita a identificação dos remanescentes ósseos, e, a partir da identificação, a remessa do material genético para o laboratório internacional, sediado em Haia”, destacou o magistrado. “Existe uma decisão judicial, decorrente de um acordo formalizado entre as partes que garante o funcionamento do grupo de trabalho e a identificação das ossadas”, continuou.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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