Uma das prioridades do governo federal é adequar a alimentação dos indígenas aos seus costumes tradicionais, disse a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.
“Nesse momento, o atendimento é identificar essas prioridades e garantir o alimento próprio que o povo Yanomami come. Não é essas cestas com esses itens que compõe, comumente, uma cesta básica, que vão resolver”, disse a ministra durante entrevista coletiva realizada neste sábado (04/02), segundo a Agência Brasil.
“Está se fazendo um estudo para a compra de alimentos dos produtores de outras terras indígenas. Ou mesmo na área yanomami, que tem produção de banana, de melancia, outros alimentos que eles comem, para serem adquiridos e oferecer [aos indígenas]”, observou.
Em visita à Roraima para acompanhar as ações interministeriais para conter a crise humanitária que atinge o povo yanomami, Sonia Guajajara ressaltou a necessidade de que os indígenas retomem a produção própria, o que só deve ocorrer após a retirada dos garimpeiros que estão em terra indígena.
“A gente está buscando esse plano também de produção de alimentos, que é o alimento próprio do povo Yanomami, entregando as ferramentas, as sementes, os insumos que precisam para que eles voltem a produzir os seus alimentos”, afirmou a ministra.
“Por isso, é urgente a retirada dos garimpeiros, para deixar o território livre, para que eles possam ter segurança em circular no território, plantar suas roças e viver ali livremente. É preciso fazer essa retirada, garantir a proteção do território e manter uma base permanente de fiscalização para evitar a volta dos invasores”, enfatizou.
Garimpeiros já estão em fuga
A ministra também afirmou que setores de inteligência do governo federal e o movimento indígena começaram a identificar a fuga de garimpeiros da Terra Indígena Yanomami.
“Temos essa informação que muitos garimpeiros estão saindo. Mas é bom que saiam mesmo, porque assim a gente até diminui a operação que precisa ser feita para retirar 20 mil garimpeiros, [o que] demora um tempinho”, disse a ministra.
“Importante dizer que, para que a gente consiga sair dessa situação de emergência em saúde, é preciso combater a raiz, que é o garimpo ilegal. Não é possível que 30 mil yanomami sigam convivendo com 20 mil garimpeiros dentro do seu território”, destacou.
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