15 de junho de 2026

Michel Temer subestima a Greve Geral no Brasil

Governo disse que houve “baixa adesão”, Temer responsabilizou manifestantes por confrontos e, ignorando motivos da paralisação, disse que o trabalhador luta para superar recessão, como o seu governo
 
 
Jornal GGN – Após todos os estados aderirem em massa à Greve Geral no Brasil, nesta sexta-feira de 28 de abril, com o êxito da paralisação em rodovias, escolas, transportes, serviços e fábricas, o fim de muitos atos fechou em cenário oposto ao que começou. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os protestos terminaram com confrontos de policiais com os manifestantes. 
 
Ainda assim, com o impacto a nível nacional e internacional da grande adesão popular às reivindicações contra as reformas trabalhistas e da Previdência do governo de Michel Temer, o presidente menosprezou a realidade: “houve a mais ampla garantia ao direito de expressão, mesmo nas menores aglomerações”, disse. 
 
Ao contrário do que a imprensa internacional divulgou e a tradicional do Brasil tampouco conseguiu omitir, o mandatário considerou que os atos foram restritos aos grandes centros e que houve baixa adesão, considerando que a maior parte da população apoia as reformas.
 
No discurso de suposta “menores aglomerações”, Temer entendeu que “as manifestações políticas convocadas para esta sexta-feira ocorreram livremente em todo país”. Tentou amenizar as críticas dos atos, como se não tivessem a mira nas medidas econômicas formuladas por sua gestão, e disse que “reafirma o compromisso com a democracia e com as instituições brasileiras”.
 
Michel Temer deixou claro que o espaço para a discussão não é nas ruas, com a população, mas no Legislativo, em seu diálogo com os deputados e senadores que representam a grande base aliada de seu próprio governo. “O trabalho em prol da modernização da legislação nacional continuará, com debate amplo e franco, realizado na arena adequada para essa discussão, que é o Congresso Nacional”, afirmou.
 
Mas a forma “livre” e “democrática” das manifestações convocadas pelas centrais sindicais do país, mobilizando milhares de trabalhadores de todas as categorias do país, não terminou como o esperado. Isso porque nas duas grandes capitais, Rio e São Paulo, a polícia intercedeu com truculência, gerando confrontos.
 
Na capital paulista, um grupo manifestava-se desde o início do dia em frente à casa do mandatário Michel Temer, que por sua vez estava em Brasília. A polícia atirou bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar os manifestantes, que reagiram com paus e pedras contra os policiais.
 
No Rio de Janeiro, a concentração foi na Cinelândia, local marcado para o fechamento das manifestações cariocas. Assim como em São Paulo, os agentes usaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersão, machucando manifestantes e impedindo que o último ato da greve geral ocorresse.
 
Também houve confronto em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, entre policiais que faziam a segurança da Alerj e, inicialmente, um manifestante que usando máscara atirou coquetel molotov. Após o episódio, nove ônibus foram incendiados no centro da capital.
 
Sindicalistas e lideranças sociais, além da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), acusaram a Polícia Militar de inviabilizar o comício, ao esvaziar a Cinelândia de forma truculenta e violenta. A PM respondeu que agiu para “combater a ação de vândalos”.
 
Sobre os casos de confrontos, o mandatário disse são “lamentáveis” os atos de violência, responsabilizando os manifestantes: “Infelizmente, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente”.
 
Contrariando os episódios, Temer disse na declaração que os trabalhadores lutam intensamente para superar a “maior recessão econômica que o país já enfrentou em sua história”, de “forma ordeira e obstinada”.
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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23 Comentários
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  1. antonio rodrigues

    29 de abril de 2017 5:16 pm

    Quando ” Michel Temer

    Quando ” Michel Temer subestima a Greve Geral”, esta demonstrando mais uma vez a decadencia de um sistema, que esta queimando seus colchões.

    Quando o presidente nega o que todo mundo viu, mesmo com a televisão tentando esconder, isso lhe tira mais uma vez a credibilidade, que, alias, quase não existia.

    Quando a direita usa ate a “justiça” para destruir seus adversarios, ela queima um dos seus mais importantes alicerces de sustentação.

    Quando  usa os meios de comunicação para encobrir a verdade, que não pode mais ser escondida, comete um ato de desespero, uma sociedade que não confia mais no chefe, na justiça e na informação, esta a beira de uma explosão.

  2. Diógenes de Sinope

    29 de abril de 2017 5:38 pm

    Baixa adesão????

    Alô pessoal do TI, que tal desenvolver algo, um aplicativo básico, onde quem aprou possa se manisfestar. Que tal chamar de ” Eu parei!”! Algo que mostre que a adesão foi gigantesca!  Vamos lá gente tem que ser algo bastante ágil. É a força da nossa indignação contra a desfaçatez desse governo!!

  3. CB

    29 de abril de 2017 5:41 pm

    Alguém acha que ele admitiria

    Alguém acha que ele admitiria publicamente que a greve foi grande? Este tipo de bobagem apenas os movidos a “republicanismo” fazem. Ele sabe que já está na marca do penalti. Só falta o trio de técnicos – os filhos de roberto marinho – definir o cobrador e autorizar o juiz a tocar o apito autorizando a cobrança.

  4. Bruno Cabral

    29 de abril de 2017 7:01 pm

    Maior recessão da história…
    … criada pelas pautas bomba de Cunha, mancomunado com Temer para criar um “quanto pior, melhor” de forma a colocar na conta da presidenta deposta a fatura e viabilizar o apoio popular ao golpe.

    Isso após elevar o déficit de 2016 de 96 para 170 bilhões dando os aumentos que a ex Presidenta não deu as categorias que apoiaram a caça a esquerda e o extermínio de suas lideranças.

    Fosse honesto o usurpador teria renunciado para convocação de novas eleições diretas.

  5. Francisco J. Corrêa

    29 de abril de 2017 9:29 pm

    Realmente, mishell temer, a

    Realmente, mishell temer, a manifestação não existiu. Tanto quanto seu “governo”. 

    Já que você insiste em se denominar um “democrata”, que tal renunciar a seu mandato

    e submeter-se a eleições gerais?

    Se toca, mishell, a tua chapa esquentou e já começou a queimar.

    1. James Gresslerjj

      29 de abril de 2017 9:58 pm

      t

      A  “opinião” do usurpador vale tanto quanto uma nota de  3,00. Reais.

  6. Oscar Kohl Filho

    29 de abril de 2017 11:26 pm

    Esse Micheu

    Deve ter sido incomodado com a greve sim, porque segundo o Josias de Souza, ele disse a auxiliares que não recuaria. Ora porque dizer isso, porque a ladainha de que outros países tiveram protesttos contra reformas, tiveram incompreensões? Se não incomodou não há necessidade de animar os auxiliares nem o desdém de quem quer comprar.

    1. Rui Ribeiro

      30 de abril de 2017 4:33 am

      Ia prá greve, mas bloquearam a avenida e eu tive que voltar

      Eu estava me dirigindo para o local da manifestação mas como a avenida estava bloqueada tive que voltar e fazer greve em casa mesmo.

  7. Hegel dos Procuradô

    29 de abril de 2017 11:50 pm

    Ah é?

    OK.

    Da próxima vez faremos uma com duração de 5 dias (de segunda a sexta).

    Quero ver o que acontece, quando começar a faltar gasolina nos postos e comida nos supermercados. Vão comprar em Miami?

     

  8. adroaldo lima linhares

    30 de abril de 2017 12:40 am

    Algumas considerações do

    Algumas considerações do ditador, golpista e delatado temer, extraídas da matéria:

    1- “houve a mais ampla garantia ao direito de expressão, mesmo nas menores aglomerações”

    2- “as manifestações políticas convocadas para esta sexta-feira ocorreram livremente em todo país”

    3- “e disse que “reafirma o compromisso com a democracia e com as instituições brasileiras”.”

    4- “Mas a forma “livre” e “democrática” das manifestações convocadas pelas centrais sindicais do país…”

    É claro o objetivo dele com relação à greve (em ditaduras, greves só ocorrem quando os ditadores permitem por motivos / interêsses dêles): Passar a sensação que a gang mafiosa dêle não deu um golpe des estado, que tomaram o poder democráticamente e portando o país está vivendo uma democraia plena com total liberdade de expressão e total liberdade para greves e manifestações.

    Foi uma greve que caiu do céu para êles, em boa hora e do jeitinho que o diabo gosta: de graça! (é que já gastaram muito com aquelas greves / manifestações que êles patrocinaram para derrubar Dilma Rousseff, inclusive pagavam até prá soltarem rojões de vara nas manifestações, sendo que aquele cinegrafista da band morreu com um rojão de vara que êles pagaram o moleque prá soltar).

    Quantas greves dessas vierem pela frente, melhor para êles, cujo objetivo ainda é continuar desconstruindo o que os governos petistas construiram, conforme instruções que vem do norte, principalmente a nova mentalidade em muitos brasileiros que estavam às margens da sociedade.

    Uma coisa é claríssima: se êles quizessem, essa greve ia começar em pancadaria com as polícias e até com as forças armadas parceiras na ditadura em andamento, e terminar com milhares de presos e até mortos.

    Não se iludam! Essa greve foi tudo de bom para êles, por isso que deixaram!

    ABAIXO OS DITADORES SAQUEADORES DE VOTOS E RASGADORES DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA!

    Resultado de imagem para fhc gilmar mendes imagensResultado de imagem para aloysio nunesResultado de imagem para cassio cunha lima

  9. Gonzales

    30 de abril de 2017 1:17 am

    Mediocre .. Mediocre Mediocre Mediocre Mediocre Mediocre Mediocr

    Mediocre

    MediocreMediocreMediocreMediocreMediocreMediocreMediocreMediocreMediocreMediocreMediocre

    Mediocre

    Mediocre

    michael

  10. Antonio C.

    30 de abril de 2017 2:00 am

    Comentário.

    Claro que incomodou.

    O Santo mandou a polícia mandar bala de borracha e gás. Claro, ele tem que ser truculento pro pessoal se fixar nisso e não na grana preta que tá levando.

    Temer recebeu elogios de Rajoy, o mesmo cara que tá envolvido com casos de corrupção… http://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/29/opinion/1493474851_793149.html. Cana pro Rajoy, o canalha.

    Tem muita grana envolvida, congressistas, ministériados e temerosos, não querem perder a boquinha. O custo-benefício é muito bom.

    Tem que ir pra cima mesmo. Parar todos os dias, se for necessário.

     

     

  11. rdmaestri

    30 de abril de 2017 2:16 am

    Acho uma verdadeira piada falar que Temer subestima a …..

    Acho uma verdadeira piada falar que Temer subestima a greve geral, ele não tem outra saída do que dizer isto, o que ele falaria? 

    – A greve geral foi um sucesso e ….. devo sair de imediato do governo!

    Ele e seu bando tem que dar noção que estão subestimando a greve geral, não há duas respostas possíveis.

    O título correto para este artigo seria:

    TEMER DIZ QUE SUBESTIMA A GREVE GERAL!

  12. Rui Ribeiro

    30 de abril de 2017 2:50 am

    Temer subestimou, Dória negou e a Globo ignorou

    O Dória diz que não houve greve em SP mas xinga grevistas

    sab, 29/04/2017 – 09:17

    O João Dória, Prefeito de Sampa, negou a greve: ele disse que, se houve greve, ela durou apenas cinco minutos.

    Ora, se não houve greve, porque ele agrediu os Grevistas, chamando-os de Vagabundos?

    Ao negar a greve e xingar os Grevistas, o João Dória se assemelha ao pai que mandou o filho ir à feira comprar uma abóbora e este se recusou, alegando que o povo da rua o chamava de Cabeção. O pai lhe diz que é mentira do povo, que sua cabeça não é grande, é normal, etc e coisa e tal. Aí o filho, convencido de que sua cabeça é normal, concorda em ir à feira, comprar a abóbora. Já de saída, ele pergunta ao seu Pai:

    – Pai, dentro de que eu vou trazer a abórora?

    – Traga dentro do seu bonezinho, Meu Filho

  13. Webster Franklin

    30 de abril de 2017 4:01 am

    A greve parou o Brasil; e o monstro midiático da mentira mostrou

    RODRIGO VIANNA FAZ IMPORTANTE ANÁLISE DA GREVE E DA MÍDIA

     

    1 minuto ago Pensata,  

    A greve parou o Brasil; e o monstro midiático da mentira mostrou as garras – de novo!

     

    P1140836

    Com o amigo e grande repórter Rodrigo Vianna, em Delft, Holanda, 2018.

     

    Greve não é comício! Objetivo de greve não é encher as ruas, mas esvaziar locais de trabalho, e barrar a produção. As cenas de um Brasil quase vazio, em plena sexta-feira, indicavam a vitória total da maior greve dos últimos 30 anos.

    por Rodrigo Vianna

    Logo pela manhã, cruzei a região de Pinheiros e Perdizes, na zona oeste de São Paulo, e tive o primeiro impacto: a cidade estava vazia, parecia manhã de domingo. Com um agravante: não vi sequer um ônibus circulando num trajeto de cerca de oito quilômetros.

    Pelas redes sociais, saltavam imagens idênticas Brasil afora: ruas vazias, terminais de ônibus desertos. Esse era o mundo real. Mas do rádio do carro brotava a voz do collorido comentarista Claudio Humberto, que apresentava outra realidade: “o país segue vida normal”, dizia o ex porta-voz de Collor, hoje travestido de jornalista temerário. A imagem acima mostra a estação Sé do Metrô em São Paulo: vida normal?

    Da tela das tevês, também brotava o divórcio com a realidade. Relatos de colegas jornalistas eram de que as chefias, nas redações, tinham uma cartilha definida: proibido usar a expressão greve geral; obrigatório mostrar imagens de pequenos grupos de manifestantes nas ruas vazias (pra dar a ideia de “manifestação de poucos”); valorizar cenas de confrontos/brigas, acrescidas da informação de que a greve foi organizada “pelos sindicatos” (ia ser organizada por quem? pelo Silvio Santos?); e destacar sempre o drama dos trabalhadores “prejudicados” pela greve.

    O dia 28 de abril deixou claro que se pratica no Brasil um jornalismo de guerra. E o alvo não é apenas a esquerda partidária, não é apenas Lula, mas todo tipo de manifestação coletiva que ouse desafiar o projeto de desmonte dos direitos sociais sob comando de Temer/PSDB. Mais triste: o alvo é a verdade; mente-se descaradamente.

    A mídia tradicional, azeitada por anúncios federais, tentou construir a narrativa de uma greve de poucos. E antes que algum incauto embarque nesse discurso, explique-se: greve não é comício! Objetivo de greve não é encher as ruas, mas esvaziar locais de trabalho, e barrar a produção. É a luta mais básica no capitalismo: quem produz recusa-se a produzir.

    Por isso, a insistência de certos canais de TV em mostrar ruas vazias era além de tudo obtusa. As cenas do vazio, em plena sexta-feira, indicavam a vitória, e não o fracasso da greve.

    Às 14 horas, fui ao centro de São Paulo. Metrô Anhangabaú fechado, viaduto do Chá vazio. Calçadão da Barão de Itapetininga às moscas. De cada 10 lojas, uma estava aberta.

    Ruas desertas, escolas trancadas, fábricas fechadas, ônibus e metrôs sem circulação. Não há dúvida de que a greve foi um sucesso. O que me interessa discutir não é isso, mas o fato de que o dia 28 de abril coloca a disputa em outro patamar. Trabalhadores perceberam que estão diante de um ataque sem precedentes, que não é ao PT, aos sindicatos, mas a todo aquele que não é patrão. E a turma do golpe mostrou que partiu pra guerra total.

    De um lado, a PM com seus carros de combate, que parecem aqueles bom pelos israelenses para massacrar palestinos, aprofunda a violência – em parceria com um sistema judicial que mais e mais será utilizado para criminalizar quem se manifesta. De outro, nas telas a mídia aprofunda a violência simbólica, ajudando a sustentar essa narrativa.

    O sistema golpista – baseado num componente policialesco, que vende a imagem do combate à corrupção, mas tem como objetivo eliminar direitos sociais e trabalhistas – não se sustenta sem uma imprensa mentirosa e, literalmente, vendida.

    Não se trata mais de jornais e canais de televisão terem posição anti-trabalhista e deixarem isso claro nas coberturas. Mas se trata de falsear a realidade. Jornalismo de guerra.

    Não há volta. A mídia, sob comando da Globo, transformou-se em elemento central do campo golpista. Não se reverterá esse quadro se houver qualquer ilusão de que a mídia em algum momento cumprirá papel diferente. Esqueça.

    Sobre isso, gostaria de dividir ainda duas reflexões.

    Primeiro: até 2013, quando o país crescia e o lulismo era forte, havia brechas em setores da imprensa convencional para estabelecer algum contraditório. Isso desapareceu. Agora, há uma ordem unida sem espaço para qualquer contraditório nas redações.

    Segundo: setores da esquerda superestimam o instrumento das redes e da internet. De fato, sem blogs e redes, nossa vida seria pior. Aqui, ao menos, temos alguma voz (na imprensa convencional, temos perto de zero). Mas o fato é que mesmo na internet não falamos sozinhos, longe disso; há pelo menos 3 bolhas em disputa, e que pouco se comunicam: a da esquerda, com algumas nuances; a da direita antipetista, que se divide entre a liberal e a abertamente fascista; e a turma nem lá nem cá.

    Para alguns analistas, esse é o desenho dos novos tempos! Toda a estratégia deveria ser: como conversar com as outras bolhas; e, principalmente, como ganhar adeptos entre a turma que fica no meio do caminho (nem lá nem cá)…

    Tenho visão diferente. O desenho acima descreve apenas parte do que se passa na batalha de comunicação brasileira.

    No Brasil atual, convivem dois tipos de comunicação: o mundo das redes, horizontal, com muitas vozes, e em disputa permanente; e o mundo da comunicação convencional (corporações de mídia, sob liderança da Globo), absolutamente vertical, controlado, com um discurso cada vez mais unificado.

    O mundo das redes/horizontal e o mundo da comunicação corporativa/vertical se interpenetram. A mídia convencional mantem o poder não só de formar o discurso da bolha de direita, mas a capacidade de influenciar de forma quase irreversível a turma do meio do caminho.

    Num dia como esse histórico 28 de abril, nós aqui vamos resistir e mostrar que a narrativa de uma greve de poucos é mentira grosseira. Certamente, o campo que se informa a partir dessa área terá argumentos e informação para sustentar essa narrativa.

    Mas do outro lado há a mídia convencional, com um bombardeio absolutamente unificado. E poderoso. Contra ela, não podemos quase nada. Quem teria força para enfrentá-la seriam governantes, no poder. Durante 13 anos, governos Lula e Dilma fizeram o oposto: em vez de desconstruir o discurso dessa mídia, ajudaram a dar legitimidade a ela.

    Milhões de brasileiros seguem acreditando que o que passa no noticiário televisivo/radiofônico vem de um lugar neutro, longe da sujeira da “politica”. Essa legitimidade a Globo e suas sócias menores seguem a carregar.

    Só nas épocas de campanha eleitoral, com o horário gratuito, parecemos ter alguma força para enfrentar esse discurso unificado que transforma manifestação em “baderna”, que esconde a greve gigantesca, que mente e manipula.

    Acontece que, até 2018, teremos uma imensa travessia. Só chegaremos lá se conseguirmos a tarefa gigantesca de enfrentar esse monstro midiático. E hoje, na cobertura mentirosa sobre a greve, o monstro mostrou que não está para brincadeira

    Não nos iludamos: a partir de amanha, 30% do país saberão (pela internet ou pela vivência nas ruas) que a greve foi gigante. Outros 30% seguirão a dizer que foi algo de petistas baderneiros.

    E o terço final? Sob influencia da mídia verticalizada, permanecerá no meio do caminho, desconfiado, perdido, sob um bombardeio propositalmente confuso? Pressionará parlamentares contra as reformas? Ou sera dominado pelo discurso de que a greve não foi tão grande e que as reformas são necessárias? A simples dúvida é o que basta para que Temer, mesmo impopular, siga no trabalho de desmonte de direitos. A narrativa de que a greve “não fez assim tanto estrago nas bases” será repetido pela mídia a soldo do Palácio, para ganhar votos decisivos nas chamadas reformas.

    Portanto, a batalha do dia 28 prossegue. É preciso manter fogo alto e conquistar corações e mentes, mostrando o divórcio entre mídia e realidade. Nas Diretas, em 84, a Globo perdeu ao apostar no divórcio. Mas em 89, com Collor, a Globo ganhou ao praticar terrorismo eleitoral.

    Hoje, o monstro midiático está mais forte do que há cinco anos, pois que mais unificado, e menos aberto para contraditório e dissidência. Essa é a força dele, mas é também sua fraqueza. Quanto mais se divorciar da realidade, maior a chance de que o monstro possa ser abatido e derrotado junto com o governo Temer.

    Mas será uma tarefa gigantesca travar esse combate, ao mesmo tempo em que a principal liderança do campo popular se encontra sob ataque e sob ameaça de prisão e interdição.

    Trata-se da mesma luta, dividia em duas: resistir ao desmonte social, e garantir que o campo popular tenha candidato em eleições razoavelmente livres.

    Nessa luta, o adversário principal a ser batido é o mesmo: o monstro midiático da mentira.

    http://valepensar.net/rodrigo-vianna-faz-importante-analise-da-greve-e-da-midia/#.WQVeX_-LywU.facebook

     

    1. amjr

      30 de abril de 2017 6:50 am

      Até que enfim!

      Arre, até que enfim vejo alguém do mundo do jornalismo informativo dizendo o que estou cansado de falar há dois anos: que a decadência da imprensa escrita e televisionada frente à internet é uma bravata, isto pode já ser realidade lá fora mas no Brasilsão profundo ainda há muito menos pessoas com acesso à rede que com TVs na sala de casa, e isto ainda dá aos veículos de comunicação de massas partidarizados, principalmente às Organizações Globo, um poder de fogo incomparável em termos de domínio hegemônico de informação. E quem tem a hegemonia da informação dita o comportamento das massas, particularmente em um País com uma população de 206.081.432 pessoas espalhadas em  8.515.767,049 km², com inúmeros iletrados, que se informam apenas através do que assistem no veículo de comunicação visual, aceitam como verdade apenas o que veem no Jornal Nacional, elevam à categoria de comentarista qualquer pseudo-celebridade que apresente um programa de variedades e não sabem o suficiente para discernir a verdade da “pós-verdade”, que prefiro chamar pelo nome de batismo, a velha e boa mentira. Um lugar assim é o sonho de consumo dos senhores da propaganda e marketing televisivo.

      Temos uma grande parcela de população absolutamente exposta a tal manipulação, e pronta a reagir de acordo. Não é por acaso as presenças numericamente absurdas de manifestantes de classe média-baixa em atos para defenestrar um governo popular, nem o silêncio desta mesma massa diante das evidências de improbidade dos que foram entronizados no Poder. É apenas consequência de um doutrinamento, tão eficaz quanto eficiente, que os transforma em um exército de repetidores da verdade única que interessa aos verdadeiros senhores da casa-grande e os mantém debaixo do cabresto eletrônico o suficiente para que nem percebam a própria desgraça, desde que possam ter novela no jantar e futebol após o mesmo.

      Se há alguma chance de mudar tal estado de coisas, ela deveria começar pelo desmonte desta estrutura perversa de hegemonia do mercado de notícias (apud Ben Jonson). Mas como fazê-lo sem dispor das armas do Estado, estando o próprio Estado suscetível de ter menos poder de fogo que tal estrutura, fartamente irrigada com a subvenção do mundo e submundo do mercado financeiro? Não detenho a resposta, mas sei o que não podemos fazer: deixar que a estrutura continue intacta e funcionante a pleno vapor; a continuar desta maneira, podemos nos despedir de ter uma democracia real, quiçá de ter um País. Não dá para repetir um dos poucos erros de José Dirceu, que minimizou o viés ideológico e a força autocentrada deste núcleo de poder real, e amarga uma prisão perpétua por isto. Ou de Lula e Dilma, que irrigaram a estrutura com dinheiro público achando que comprariam a própria autonomia, e amargam hoje a condição de párias da população que tentaram ajudar, com chances concretas de juntarem-se a Dirceu.

      Hegemonia da comunicação, esta é a cabeça da serpente; enquanto não for esmagada, de nada adiantará cortar-lhe a cauda. Alvíssaras a Webster Franklin e Rodrigo Vianna, por perceberem o que está diante de tantos olhos que distraem-se gritando “Fora Temer”, e não miram na estrutura que o colocou aonde se encontra.

  14. Rui Ribeiro

    30 de abril de 2017 4:23 am

    PIG argumenta contra os fatos

    O Merval teve que reconhecer que houve greve mas diz que não houve adesão popular, pois o povo apóia as reformas do Temer

    No artigo de cujo título é ‘Sem adesão Popular”, ele diz que os diretores dos sindicatos fizeram greve porque vão perder a contribuição sindical caso as reformas impoipulares e, portanto, elitistas, do Temer sejam aprovadas.

    O problema é que contra fatos não há argumentos.

  15. Rui Ribeiro

    30 de abril de 2017 9:26 am

    O Ogro superestima nossa ignorância

    Sabe porque em vez de ouvir as testemunhas do Lula sem impor qualquer condição não prevista em lei, tal qual tratou a parte contrária, o Camundongo quer avalizar um empréstimo de prova, forçando Lula a tomar o empréstimo ou desistir da produção da prova testemunhal, ele quer que o credor probaante conceda o empréstimo, assim o Moro o condena e como o Lula vai se valer como defesa das provas de um condenado, o Moro o condena também.

    Em oitiva de testemunha é a testemunha, não a parte, que tem que comparecer. Tabajarismo bucefálicomoridallagbostiano. Lula não iria falar sobre fatos da causa em audiência de oitiva de testemnha, mas pedir empréstimo

    Perdeu, boi! Mas não precisa continuar de Quatro. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Arrasa no baile e não esquece de arrematar com o saltinho da beleza

  16. Rui Ribeiro

    30 de abril de 2017 9:40 am

    Nas próximas escaramuças, vamos expulsar os infiltrados

    Nas próximas escaramuças, e eu espero que elas se desencadeem com fúria, iremos em paz, em defesa dos nossos direitos e cumprindo nossos deveres, mas se identificarmos um provocador no nosso meio, nós o expulsaremos da manifestação, se ele retornar e continuar provocando, já que não podemos contar com a polícia, exerceremos o nosso direito de auto-defesa.

    Polícia também não vai provocar ninguém nem plantar qualquer artefato ilegal nas mochilas e bolsos de ninguém.

    Estamos combinados assim. Mexeu com um de nós, mexeu com todos, e mexeu com todos, mexeu com um

    Solidariedade Proletária!

  17. Rui Ribeiro

    30 de abril de 2017 11:11 am

    O Pe. Zezinho prova a existência de Jesus

    O Pe. Zezinho, salvo engano, diz que uma prova da existência histórica de Jesus Cristo é o fato de, dois mil anos depois da sua existência ainda estarem provando que ele não existe. O mesmo ocorre com a Greve Geral: O fato da elite sanguessuga e seus lambe-botas estarem tentando negar é uma prova não só da sua existência mas do seu sucesso.

     

  18. Wilton Santos

    30 de abril de 2017 2:26 pm

    Esse golpista não se enxerga…

    Esse golpista não se enxerga. Ele está destruindo o país, a Constituição, os partidos políticos de direita e mesmo assim continua com essa prepotência e arrogância. É um completo sem noção.

  19. Sandro Pavezzi

    30 de abril de 2017 4:53 pm

    Carta de estudantes a favor ao direito a greve

    Segue o link….

     

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/carta-aberta-de-alunos-do-colegio-santa-cruz-que-midia-nao-quis-publicar/

     

    Att,

  20. C.Poivre

    30 de abril de 2017 11:14 pm

    O Monstro de Goiânia

    Identificado o Monstro de Goiânia:

    https://caviaresquerda.blogspot.com.br/2017/04/folha-de-s-paulo-chama-pm-criminoso-de.html

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