10 de junho de 2026

O #47 vem aí, por Marco Piva

Muitos ativistas temem pelas suas vidas, pelas perseguições por causa do ativismo político e fazem planos para deixar os EUA.
Gage Skidmore - Flickr

O #47 vem aí

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por Marco Piva

O dia 20 de janeiro de 2025 será uma data emblemática. A partir desse dia, tudo pode acontecer como também nada pode acontecer. O fato é que a posse de Donald Trump já movimenta especulações pelo mundo todo sobre o que virá. O presidente eleito, chamado de #47, mexe também com os humores daquela parcela da sociedade norte-americana que votou pelos democratas e sua candidata de última hora, Kamala Harris. Muitos ativistas temem pelas suas vidas, pelas perseguições que poderão sofrer por causa do ativismo político e, por isso, já fazem planos para deixar o país.

Como não é o caso de repetir o bordão “Vai pra Cuba”, tão ao gosto do bolsonarismo raiz, o destino que se apresenta é o Brasil. Sim. O nosso país, de palmeiras onde cantava a sábia, das praias mais bonitas do mundo e de um povo acolhedor e sorridente, está na rota dessa nova leva de exilados voluntários.

Talvez muitos desses norte-americanos não saibam que há pouco tempo, um admirador de Donald Trump tramou um golpe de estado para permanecer no poder. Não deu certo, é verdade, mas bem que tentou. Havia inclusive planos para matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Descoberta a tramoia que todos os brasileiros já imaginavam que poderia acontecer, agora o autor intelectual do plano pede anistia para pacificar o país. Bolsonaro entende que basta uma palavra de Lula e de Moraes para que tudo volte à normalidade e a turma (sic) dos golpistas possa seguir ameaçando o processo democrático sem ser molestado.

É preciso um enorme esforço de idiotice para acreditar que Bolsonaro fala sério. O mesmo presidente que zombou da dor alheia na pandemia, que gastou bilhões de reais do orçamento do Estado para tentar ganhar a eleição de 2022 e incentivou a insubordinação golpista, agora pede um passe-livre antecipado, sem que sequer tenha sido julgado.

Os ativistas democratas e da esquerda norte-americana em geral podem pensar que umas boas doses de caipirinha e aquela feijoada de sábado serão suficientes para passar tranquilos os quatro anos sabáticos que virão pela frente. Mal sabem que, antes disso, a Justiça brasileira vai precisar atuar com muita firmeza para colocar na prisão aqueles que um dia expeliram bravatas e mentiras com o objetivo de se perpetuarem no poder.

Sabemos do que Trump é capaz, mas Bolsonaro, como seu fiel discípulo, será capaz de coisa pior se continuar solto. Por isso, a palavra de ordem é uma só: Sem Anistia!

Marco Piva é apresentador do programa Brasil Latino, na Rádio USP, e diretor de redação dos canais de Youtube China Global News e O Planeta Azul.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    1 de dezembro de 2024 2:57 pm

    Não creio que nenhum liberal famoso americano migre para o Brasil.

    Um outro, talvez, para a Europa.

    Anistia (não) não guzrda relação com o 47.

  2. Carlos

    2 de dezembro de 2024 1:42 pm

    Precisa ser melhor entendido o modus operandi de transtornados como Trump e bozo; ameaça, terrorismo.
    Assim como Trump, o bozoide, no início do desgoverno, ameaçava expulsar vermelhos, etc, repetindo falas nazistas. Mas a democracia resiste Trump, nesta vibe, vai acabar que nem o bozo: acovardado, um arremedo de ser humano

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