5 de junho de 2026

O Estado enquanto realização da mente autoritária, por Felipe Bueno

De certa maneira, a violência que se vê nos Estados Unidos é chancelada por uma parte (considerável) da sociedade.
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O Estado enquanto realização da mente autoritária

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por Felipe Bueno

Diversos contra-argumentos vão aparecer aos montes; “trata-se de casos isolados” e “são baderneiros, não estudantes” estarão entre os mais rasos e fáceis. Você poderá encontrá-los em veículos de comunicação conservadores e também no discurso de um cidadão comum aqui, a quase 10 mil quilômetros de distância do foco dos atuais acontecimentos.

Mas o fato é que, de caso isolado em caso isolado, a atual gestão dos Estados Unidos vai assumindo a exclusão e o silenciamento de vozes opositoras dissonantes como política de Estado – não apenas de governo, o que já seria suficientemente antidemocrático, ainda que – paradoxo – eleitoralmente justificável, uma vez que o presidente foi escolhido, não imposto por um golpe qualquer.

Talvez esteja aí a grande tragédia das ações contra estudantes e universidades: de alguma forma, por vias democráticas, tais atos estão referendados pelo voto. De certa maneira, a violência que se vê nos Estados Unidos é chancelada por uma parte (considerável) da sociedade.

Que não fiquemos surpresos; a tentativa de silenciar ou, no mínimo, relativizar a importância de vozes e demandas de grupos minoritários não é novidade na História. Inúmeros inclusive são os exemplos de contingentes majoritários – em número – que, sem poder ou armas, nunca ou pouco tiveram como levantar as suas vozes. Sempre é bom lembrar: Hitler, perdão pelo exemplo extremo e grotesco, subiu ao degrau mais alto do poder do Reich entrando pela porta da frente.

O espírito genocida paira; a alma repressora vive; o ignorante pronto para sugerir soluções rústicas sem o menor fundamento aparece no seu smartphone ou num almoço de família: desses elementos estamos repletos. Sempre estivemos. O poder das redes sociais é a realização aditivada do alerta de Umberto Eco. Mas, quando uma velha ferramenta, o voto, criada para a igualdade, torna-se porta de entrada para a efetivação do discurso da intolerância, algo realmente está muito errado e precisa parar.

Seremos obrigados a falar sobre isso com mais profundidade em breve. Antes que seja tarde demais.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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