Criticado pela esquerda, visto como insensível ante os abusos contra direitos humanos pela ditadura, na verdade o cardeal dom Eugênio Salles teve papel relevante na defesa dos perseguidos.
Quem afirma isso é a advogada Eny Moreira, figura chave na defesa dos presos políticos da ditadura militar. Assistente de Sobral Pinto, figura maior na defesa dos perseguidos, Eny testemunhou vários episódios em que a atuação de dom Eugênio foi crucial para salvar pessoas.
O cardeal tinha uma vasta rede de contatos junto ao poder. E era respeitado, em um período em que a Igreja Católica ainda gozava de muita influência.
Conta também que Sobral Pinto apoiou inicialmente o golpe de 64. Foi procurador por um grupo de militares, entre os quais Castello Branco, pedindo orientação para tirar Jango sem desrespeitar a Constituição. Sobral os orientou e colocou como ponto central a convocação de eleições gerais, assim que Jango fosse impichado.
Depois de chegar ao poder, os militares não quiseram mais largar.
Eny conta também histórias de advogados perseguidos, presos e torturados pelo regime militar.
Zegomes
6 de janeiro de 2020 8:40 pmQuando relataram a Dom Paulo Evaristo Arns que o Cardeal Eugênio Sales tinha tido grande atuação em defesa de perseguidos políticos na ditadura, ele respondeu: “para mim isso é uma grande novidade”.
Zé
6 de janeiro de 2020 9:19 pmA ação de Eugênio Sales na defesa de perseguidos pela ditadura é pouco conhecida e resta ser tornada pública, efetivamente, até para que se tenha claro se é fato ou lenda. A ação episcopal de Eugênio Sales, no entanto, foi a porta de entrada para a ascensão do neopentecostalismo. Não surpreende que sua grande base seja o Rio de Janeiro, de Cunha, Bolsonaro, Malafaia, Macedo.
Dermeval Santos Lopes Junior
7 de janeiro de 2020 10:04 amNão sou muito chegado a conservadores e ou direitistas de batina,mas respeito e muito alguns deles principalmente pela sua intelectualidade.Don Eugênio Sales é um deles.O outro é Don Lucas Moreira Neves,primo de Tancredo Neves.Tenho todos os livros dele,inclusive bateu de frente com a Globo,em artigo de sua autoria e publicado em alguns jornais brasileiros,dentre eles A Tarde,intitulado J’accuse,que tenho guardado comigo.Como todo humano,teve um defeito nem causado por ele.É parente ou aderente de Aécio Neves,o maior vagal da politica brasileira em todos os tempos.
MarcoACM
7 de janeiro de 2020 1:15 pmLi algumas cartas entre Sobral Pinto e Henrique Hargreaves e fiquei bem impressionado com o vigor de Sobral a enfrentar as mais duras ditaduras e os mais sanguinários servos delas. Da sua investida não escapava ninguém, até D. Leme recebeu suas carraspanas.
Um intelectual coerente, embora se possa questionar suas ideias etc., não esmoreceu em defender a democracia depois de ter se desiludido com os “salvadores da pátria”: não aceitava Getúlio e não negava atender aos pobres e perseguidos.
Continuou conservador… mas não esqueceu sua fé, da maneira como ele a tinha. Usou sua profissão para defender o direito e a justiça apesar das lei,s mas com as leis.
Muito bom conhecer a Eny que, apesar de usar calça comprida e fumar, fazia parte do escritório do mais concorrido defensor dos perseguidos políticos no Brasil.
Parabéns, mais uma vez, Nassif. Precisamos revirar esse baú.
Henrique Marques Porto
7 de janeiro de 2020 2:52 pmNassif,
É sempre bom ouvir a bravíssima Eny Moreira. Lembro bem dela e de Bento Rubião, que representou o escritório Sobral Pinto na famosa defesa que evitou a remoção da Favela do Vidigal.
Necessário lembrar que, na Arquidiocese do Rio comandada por Dom Eugênio Salles esteve, por um período, no início dos anos 70, Dom José Ivo Lorscheiter, primo do Cardeal Dom Aloísio Lorscheider. Dom Ivo, homem cordial e de fala mansa, foi Secretário Geral e Presidente da CNBB. Recebia pessoalmente quem procurava ajuda ou proteção da Igreja para tentar tirar alguém da cadeia ou, se isso fosse muito difícil ou impossível, pelo menos evitar que o preso ou sequestrado pela repressão fosse torturado demais (nos porões era impossível evitar totalmente a tortura). Ouvi do próprio Dom Ivo um relato sobre as intervenções do conservador Dom Eugênio Salles junto aos militares, a quem ele encaminhava os casos mais graves. Ao contrário de Dom Ivo, Dom Eugênio tinha comunicação direta com os comandantes militares, assim como o Papa Francisco tinha, na ditadura Argentina, com o famigerado Almirante Massera (história bem contada no filme “Dois Papas”).
Abraço
Henrique Marques Porto
Paulo Rodrigues
10 de janeiro de 2020 9:30 amCorrija-me se estiver errado, mas pelo que sei foi dele a ideia da criação das CEB’s comunidades eclesiais de base, que foram militantes na luta contra a ditadura. Talvez tenha sido sem querer.
Gesiel
13 de janeiro de 2020 5:42 pmO QUE DIFERENCIA A IGREJA CATÓLICA e o PT, “QUE NASCEU NUM COLÉGIO CATOLICO”; para as IGREJAS EVANGELICAS e os partidos de DIREITA; é “QUE TANTO A IGREJA CATÓLICA, QUANTO O PT: Erram, assumem seus erros, mas TÊM MUITO MAIS ACERTOS DO QUE ERROS. Assim como a quantidade de petistas bandidos, é muito menor do que a quantidade de políticos bandidos em cada um dos grandes PARTIDOS DE DIREITA; tanto em Números totais quanto em percentuais; O NÚMERO DE PADRES E BISPOS PILANTRAS DA IGREJA CATÓLICA, é também INFINITAMENTE MENOR do que o número de pastores pilantras de CADA UMA DAS GRANDES IGREJAS EVANGELICAS. Por isso, se o Dom Eugênio Salles, FOI A FAVOR DA DITADURA, ele fez parte de uma minoria de SACERDOTES SAFADOS, mas se foi CONTRA A DITADURA, “ELE FOI MAIS UM DENTRE OS MUITOS SACERDOTES QUE FEZ DA IGREJA CATÓLICA UM LUGAR DE PROTEÇÃO E DEFESA DOS INJUSTIÇADOS”.