Parente de vítima de chacina relata ameaça de PMs armados

 
Jornal GGN – Parente de um dos cinco jovens que estavam desaparecidos e foram encontrados mortos em Mogi das Cruzes, um jovem afirma que foi ameaçado por policiais militares armados um dia após os corpos terem sido encontrados. 
 
De acordo com o UOL, os policiais circulavam em um carro no bairro onde as vítimas moravam,  e ameaçaram atirar e encostaram um revólver da corporação na cintura do rapaz. 
 
As informações foram confirmados e encaminhadas para o Ministério Público do Estado, para a Corregedoria da Polícia Militar e para a Secretaria de Segurança Pública. 
 
Em entrevista publicada hoje (10) pela Folha de S. Paulo, o secretário de Segurança Pública, Mágino Alves, disse que não há nenhum nome de PM sob investigação na chacina. Ele afirmou, também, que policiais são apontados como suspeitos neste tipo de caso por causa de “preconceito” com a corporação. 

 
Leia mais abaixo:
 
Do UOL
 
Sobrinho de vítima de chacina em SP diz que foi cercado e ameaçado com arma por PMs
 
Marcos Sergio Silva
 
Um garoto de 13 anos, parente de um dos cinco jovens encontrados mortos em Mogi das Cruzes na segunda-feira (7), disse que foi cercado e ameaçado por policiais militares por cerca de quatro horas. A bordo de uma Perua Palio Weekend, eles circulavam no bairro em que as vítimas moravam, Jardim Rodolfo Pirani (zona leste de São Paulo) entre as 16h e as 20h de segunda-feira, um dia depois de os corpos terem sido encontrados.
 
Segundo apurou o UOL, o jovem relatou que os policiais ameaçaram atirar e encostaram um revólver da corporação na cintura do jovem.
 
As informações foram confirmadas pelo Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), órgão da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado. Elas foram encaminhadas em ofício para o Ministério Público do Estado, para a Corregedoria da Polícia Militar e para a Secretaria de Segurança Pública nesta quarta-feira (9).
 
Jones Ferreira Araújo, 30, César Augusto Gomes, 19, Jonathan Moreira, 18, Caique Henrique Machado, 18, e Robson Donato de Paula, 16, desapareceram no dia 21 de outubro no Jardim Rodolfo Pirani, na zona leste de São Paulo. Os corpos foram encontrados no domingo, em uma área rural de Mogi das Cruzes, em estado avançando de decomposição, enterrados em covas rasas e cobertos com cal. Quatro haviam sido reconhecidos até esta quarta-feira (9).
 
Dois policiais militares, um alto e magro e outro baixo e gordo, teriam sido os autores da intimidação contra o jovem.
 
Sempre segundo o jovem, em um período de quatro horas, os carros, em patrulha, monitoraram o garoto. Ele havia acabado de participar de atividade no CCA (Centro para Crianças e Adolescentes) do Jardim Rodolfo Pirani, que funciona em uma igreja católica do bairro e é complementar às aulas que frequenta em escola pública. No fim desse período, quando o garoto rumava para a padaria do bairro, o carro da PM teria dado uma freada brusca, o que assustou o garoto, que tentou correr. Um dos policiais ameaçou atirar caso ele não parasse.
 
Ele foi revistado e teve um celular Lenovo confiscado por um deles, que pediu que o desbloqueasse. Imediatamente, o PM acessou a galeria de fotos e viu a imagem de uma das vítimas da chacina. “Ah, então você é parente do desaparecido. Você sabe o que está acontecendo com ele? Conta como foi? Você sabe quem matou? Você sabe quem matou?”, teria dito o PM. 
 
Um dos policiais, o mais baixo, então teria encostado o revólver na cintura do garoto e perguntado se ele era “vapor” – gíria para quem faz o transporte de drogas em regiões de tráfico. O jovem negou, e o PM tentou conduzi-lo até uma viela do bairro, quando uma tia do rapaz interveio.
 
Uma “varredura” de celulares estaria sendo feita no bairro. O objetivo seria encontrar quem mantém a gravação de uma das vítimas, Jonathan, que, no dia do desaparecimento, enviou um áudio para uma amiga pelo aplicativo WhatsApp, dizendo ter tomado um “enquadro” da polícia.
 
No domingo (6), motos e um Celta cinza, todos descaracterizados, pararam outro familiar das vítimas e pediram para ver o celular. Quando viram a foto de um dos mortos, perguntaram o parentesco e disseram que poderia acontecer o mesmo com ele.
 
O Condepe espera a decisão dos familiares das vítimas para formalizar o pedido de entrada no programa de proteção de testemunhas. Segundo o vice-presidente do órgão, Luiz Carlos dos Santos, 43, as intimidações são suficientes para configurar assédio às famílias.
 
Em nota da Secretaria de Segurança Pública, a Corregedoria da Polícia Militar afirmou que, assim que o encaminhamento formal da denúncia acontecer, as supostas irregularidades cometidas serão apuradas rigorosamente.

8 Comentários

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aleminas

- 2016-11-10 23:09:56

Ou seja, a Comunidade é "visitada"

Pela PM .. Os caras estão vazendo "varredura" em celulares.. e a Corregedoria não sabe? Não viu? não tem gente plantada lá? A essa justiça do Tucanistão  ... 

Maria Luisa

- 2016-11-10 18:46:07

O genocidio dos meninos mestiços e negros

Dah uma tristeza ver as fotos desses rapazes. Ja nascem estigmatizados. E a tragédia é que, quem os condena, são mestiços, negros e pobres, como eles.

Quanto ao menino ameaçado é bem provavel que os policiais assassinos o matem, ja que a ordem é essa mesma.

Vagalume do Brejo

- 2016-11-10 16:34:27

Assassinos pagos pelo

Assassinos pagos pelo estado.

Pogo por nos.

ze sergio

- 2016-11-10 16:10:10

parente...

Interessante o protecionismo que a mídia dá a políticos que vem de uma pseudo-ideologia da qual eram simpatizantes. Quer dizer que a Polícia do governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, o "garoto" de Mario Covas, um produto e defensor da social democracia, não pode ser nem ao menos citada pela formação de Esquadrões da Morte? Esquadrão da Morte era escrito em letras garrafais, que enchiam manchetes de jornais em outras épocas, mas que agora são hipocritamente omitidos? Qual a solução das dezenas de chacinas cometidas na grande São Paulo? Nenhuma. Fora aquela que dizem que um garoto de 12 anos cometeu. Foi para escola dirigindo o carro da família,  estudou o dia inteiro, voltou pra casa e se suicidou. Conclusão brilhante da Polícia de SP.  Só para lembrar não foi no período militar o Massacre do Carandiru, o Governador era membro da OAB e o Secretário de Segurança sociólogo da USP. (P.S. Censura é uma atitude medíocre)

CassiusBR

- 2016-11-10 15:21:43

perfeito!  

perfeito!

 

Contragolpe

- 2016-11-10 15:20:00

E o tucanistão!

Se trata de um modus operandi que, parece, é de uso comum pelas autoridades do tucanistão.

O ministro da "justiça" ( ou da polícia), faz parte da escola.

emerson57

- 2016-11-10 15:14:13

preconceito

"“preconceito” com a corporação. "

Pois é. O preconceito mata!

Jair Fonseca

- 2016-11-10 14:08:12

Polícia assassina de jovens

Polícia assassina de jovens pobres e negros. E de um cadeirante, como nesse caso.

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