5 de junho de 2026

PM não adota mesmo critério com diferentes manifestações

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Enviado por Leo V

Do Ponte.org

Por que a PM reprime algumas manifestações e outras não?

Por Maitê Berna

Série de exigências aos manifestantes, entre elas o aviso prévio do trajeto, não é feita a outros grupos, como os integralistas que fecharam uma via expressa em SP pela volta do regime militar

A importante discussão sobre a tarifa do transporte público em São Paulo e os rumos do próprio sistema, cuja licitação está atualmente travada no Tribunal de Contas do Município, ruiu diante das dezenas de feridos pela Polícia Militar nos atos realizados neste mês na capital paulista contra o aumento da passagem de trem, metrô e ônibus.

As manifestações organizadas pelo Movimento Passe Livre (MPL) acabaram se tornando uma oportunidade para a PM bater com a anuência do Estado e da farda. Isso sem falar na quantidade de pessoas revistadas por “atitude suspeita”. O que poderia ser uma discussão sobre políticas públicas para a mobilidade de uma cidade com as dimensões de São Paulo se esvaziou, e o que se tem hoje é uma queda de braço entre o MPL e o Governo do Estado de São Paulo, que, primeiramente, usou a técnica de criminalizar as manifestações colocando como protagonistas os black blocs. Sem efeito, passou a fazer uma série de exigências aos manifestantes, entre elas o aviso prévio da manifestação e o detalhamento do trajeto.

No ato do dia 21/01, quinta-feira, mais uma massacre no fim do protesto, dessa vez na Praça da República, aconteceu justamente por causa disso. Os organizadores haviam feito um itinerário, mas, na tarde do dia seguinte, informaram que gostariam de seguir pela avenida 23 de maio até a Assembleia Legislativa. A Secretaria da Segurança Pública e o comando da PM-SP consideraram que eles “avisaram muito em cima da hora”. O resultado foi mais que previsível, um clichê: tiro, porrada e bomba. Nas palavras das autoridades, seja o governador Geraldo Alckmin, seja o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, a justificativa para o emprego da força excessiva é a contenção de vandalismo e a manutenção do direito de ir e vir do cidadão que nada tem a ver com o protesto.

imagem beatriz backes

No ato pela volta do regime militar, os manifestantes disseram não saber exatamente para onde iam. (Foto: Beatriz Backes)

Na manhã de quarta-feira, dia 27 de janeiro, um protesto que pedia a volta do regime militar fechou a marginal do rio Pinheiros. O grupo era composto por, no máximo, 40 pessoas, que se identificavam como integrantes do movimento integralista. Estavam vestidas com roupas militares, vinham acompanhadas de um caminhão de som e disseram que não sabiam exatamente para onde iam. Também informaram que não tinham feito aviso prévio para a Secretaria da Segurança Pública. Nem um dia antes, nem na data do protesto, antes de este acontecer. A PM-SP foi até o local e acompanhou por mais de cinco horas o grupo, que em alguns momentos ocupava a pista expressa da marginal, em outros, a local, e, depois, ficou próximo ao acesso à avenida Rebouças.

O curioso é que os manifestantes clamavam justamente pela intervenção militar, que, dessa vez, não aconteceu.

O mérito dos protestos não é o que precisa ser avaliado. O princípio da isonomia foi ignorado. Por e-mail, a Ponte enviou à Polícia Militar os seguintes questionamentos: “1. Por qual razão a PM joga bomba em determinadas manifestações, usando a justificativa de manutenção do direito de ir e vir, e agora, com integralistas ocupando a Marginal, a PM está simplesmente olhando? 2. Qual o critério utilizado nas ações?”

A corporação não havia respondido as perguntas até a publicação deste texto.

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8 Comentários
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  1. jasantos

    29 de janeiro de 2016 11:16 am

    Porque será?
    Qualquer bom livro de Historia ou ciencia politica explica isso!
    Agora mesmo estou lendo um livrinho que fala do periodo das revoluções (e contra-revoluções também) na França do sec XIX.

    Está tudo lá!

    É a Historia se repetindo como farsa, alguém já afirmou!

  2. Severino Januário

    29 de janeiro de 2016 11:33 am

    Enquanto no Rio Grande do Sul

    Enquanto no Rio Grande do Sul a questão social foi tratada de maneira avançada e brilhante pelo Castilhismo, que depois foi crucial na formação política de Getúlio Vargas, em São Paulo, desde a República Velha e ainda nos dias de hoje, a questão social com todas as suas implicações sempre foi tratada como um caso de polícia. Esta é a ideologia de elite paulista. Quanto mais reclamação, mais pau.

  3. Francisco Santos

    29 de janeiro de 2016 11:41 am

    A PM é totalmente desnecessária, aliás

    A PM é totalmente desnecessária, alías é uma das grandes fomentadoras da violênica no país

    Até quando aguentaremos as mortes de nossos jovens nas periferias?

    A PM é resquício da ditadura militar tem de acabar e virar civil, esses monstros aprendem desde o treinamento a destratar e usar de violência com a população em geral que paga seu salário

    Mas não, com esses retrógados como bolsonaro, datena e cia que se fartam com o dinheiro e a fama da mídia isso nunca vai acontecer

    E haja violência…

     

    http://blogcarlossantos.com.br/governo-culpa-pm-por-violencia-desenfreada-e-exonera-comando/

     

    http://ponte.org/

     

    http://apublica.org/2015/12/396-mortes-e-o-padrao-da-pm-paulista/

     

    http://apublica.org/2015/07/a-perversao-comeca-na-formacao-diz-ex-pm-condenado/

  4. Marcos Antônio

    29 de janeiro de 2016 11:43 am

    O mesmo para o PIG

    E ai PIG?

    Explique ao povo, o por que de transmitir algumas manifestações ao vivo e outras nem dar bola!

    Por que transmitir ao vivo manifestação por causa de 40 centavos na passagem e não transmitir as passeatas por falta d’água?

    Como explicar isso?

  5. CB

    29 de janeiro de 2016 11:47 am

    O grande público nunca tinha

    O grande público nunca tinha ouvido falar em MPL. Poucas semanas depois que o vice presidente dos EUA se reuniiu com Dilma e não conseguiu convencê-la a mudar as regras do pré-sal, as ruas foram tomadas por black-blocs e jovens de classe média em manifestações com tumulto, vandalismo e violência. O único punido pela justiça foi um sem teto que carregava uma garrafa de candida… Quando a direita entreguista voltar ao poder, ninguém mais vai ouvir falar em manifestação do MPL.

  6. Fábio Peres

    29 de janeiro de 2016 11:54 am

    1. Porque os integralistas

    1. Porque os integralistas não atrapalharam o cidadão que queria voltar para casa.

    2. Vide 1.

  7. Juliano Santos

    29 de janeiro de 2016 1:25 pm

    “e agora, com integralistas

    “e agora, com integralistas ocupando a Marginal, a PM está simplesmente olhando?”

    Poderia ser pior, caro Leo V. Poderiam estar tirando selfies com os manifestantes como nos atos pelo impeachment

  8. Orlando Soares Varêda

    29 de janeiro de 2016 3:38 pm

    Por que a PM reprime algumas

    Por que a PM reprime algumas manifestações e outras não?

     

    Polícia de classe, não reprime o patrão. É como cão de guarda…raramente mostra os dentes ao adestrador…

    Orlando

     

     

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