5 de junho de 2026

Prefeitura de SP vai alterar nomes de ruas relacionados à ditadura

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Jornal GGN – O Elevado Costa e Silva, no centro da cidade de São Paulo, mudará de nome e será chamado oficialmente de Minhocão. A troca faz parte do programa Ruas da Memória, que pretende alterar o nome de ruas, pontes, praças e viadutos que façam referência á ditadura militar.

Ao todo, são 21 logradouros que devem ter seus nomes alterados. A ideia é discutir cada caso com os moradores. A exceção é o próprio Elevado e outros viadutos como o 31 de Março, na Liberdade, que deve ser renomeado para Therezinha Zerbini, ativista e referência feminina pela anistia.

Do Estadão

Prefeitura altera nomes de ruas relacionados à ditadura; Elevado passa a chamar Minhocão

Homenagem a Costa e Silva é uma das que foram retiradas; outros 21 locais terão nova denominação

O Elevado Costa e Silva deve oficialmente passar a se chamar Minhocão. Esse e outros 21 logradouros foram incluídos no programa do prefeito Fernando Haddad (PT), chamado Ruas de Memória, para alterar o nome de ruas, pontes, praças e viadutos relacionados à ditadura militar ­ uma recomendação da Comissão Nacional da Verdade. A maior parte dos nomes deve ser escolhida após discussão com moradores. 

O atual nome do Minhocão é uma homenagem ao Marechal Arthur da Costa e Silva, presidente de 1967 a 1969, período conhecido como “anos de chumbo”, por causa do AI­5, o mais radical dos atos institucionais. Para mudar essa denominação, porém, nenhum morador será ouvido. A Prefeitura vai aproveitar um projeto de lei de 2013, do atual secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki, que tramita na Câmara.

Outras ruas terão projetos de lei específicos. Dois deles foram enviados para a Câmara Municipal nesta quinta­feira, 13. O primeiro propõe a alteração do Viaduto 31 de Março, na Liberdade, que marca o início do golpe militar, para Viaduto Therezinha Zerbini, ativista e referência feminina pela anistia. O segundo vai proibir novas nomeações em homenagem a repressores. 
 
“O debate já existia com iniciativas de vereadores, mas, quando o Executivo pauta esse debate, ele ganha outra qualidade”, disse o presidente da Câmara, Antonio Donato (PT). Ainda não há prazo para mudança dos nomes. O prefeito Haddad, contudo, acredita que o processo será rápido, uma vez que existiria consenso na Casa. “Nós vamos pedir aos vereadores uma atenção especial.”
 
Para Haddad, o projeto reafirma valores “democráticos” e “libertários”. “A liberdade é cara demais, é uma conquista preciosa demais para ser colocada em risco. O ministro-­chefe da secretaria de Direitos Humanos, Pepe Vargas, disse que o programa é uma “reparação histórica às vítimas da ditadura”. 
 
“Um povo que não tem direito à verdade não consegue nem sequer construir um presente que garante democracia e respeito aos direitos humanos”, disse Pepe Vargas. No discurso, também se mostrou contrário à prescrição de crimes políticos. 
 
Ao todo, são 12 ruas, quatro praças, três avenidas, dois viadutos e um elevado. Onde há moradores, a Prefeitura vai se reunir com eles para discutir o nome atual e coletar sugestões de substitutos. A primeira mobilização foi na Rua Golberi do Couto e Silva (fundador do Serviço Nacional de Informação e ministro-­chefe da Casa Civil nos governos Ernesto Geisel e João Figueiredo), em que os cidadãos propuseram a troca por Padre Giuseppe Pegoraro, que atuou no bairro.
 
Apesar de considerar o projeto importante, o ex­-deputado Adriano Diogo, que presidiu a Comissão Estadual da Verdade, acredita que deveria ter sido “melhor articulado” com vítimas, familiares, especialistas e vereadores. “O projeto nasceu de cima para baixo”, disse. Para ele, um dos riscos é a proposta travar na Câmara.
 
Gafe. A Prefeitura cometeu uma gafe ao mapear os logradouros que passariam por mudança de nome. Entre os locais selecionados estava o Viaduto General Euclides de Figueiredo, em Moema, na zona sul. No texto de apresentação do programa, a gestão Haddad afirmava: “geógrafo, político e general do Exército Brasileiro, foi o último presidente do regime militar, 1979 a 1985”. O problema é que Figueiredo nem sequer estava vivo quando houve o golpe de 1964. Na verdade, ele foi um dos comandantes da Revolução Constitucionalista de 1932 e integrou o grupo militar chamado de “jovens turcos”, que defendeu reformas no Exército. Também era o pai de João Figueiredo ­ este sim o último presidente do período ditatorial. A Prefeitura afirma que o logradouro já foi retirado da lista do programa.
 
Outro impasse aconteceu na Rua Sergio Fleury, na zona oeste. Fleury atuou como delegado na repressão política e é um símbolo do regime. Os moradores do local, entretanto, não apoiaram a mudança. A via saiu da lista.

Redação

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12 Comentários
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  1. jc.pompeu

    14 de agosto de 2015 1:43 pm

    (Sem título)

    1. Aline C Pavia

      14 de agosto de 2015 2:36 pm

      Bem na hora

      Vote no Datena!! Ele agora é do partido do Maluf. Candidato símbolo do paulistano que odeia ciclovias e ama falta d’água.

    2. André élebê

      14 de agosto de 2015 4:35 pm

        Você é contrário à aliança

        Você é contrário à aliança eleitoral com Maluf por parte de qualquer candidato ou é hipócrita mesmo?

    3. Gão

      15 de agosto de 2015 1:49 am

      (Sem título)

  2. Marcotog

    14 de agosto de 2015 1:50 pm

    Sabe aquele típico vereador

    Sabe aquele típico vereador que passa quatro anos sem fazer absolutamente nada e sua atuação se resume a dar nome às praças, inaugurar bustos, etc?

    Agora, se tem isso em nível executivo!

    Haddad passará quatro anos pintando faixas, substituindo nome de ruas, azucrinando a população. Administrar de fato uma cidade, que é para o que ele foi eleito, necas de pitibiribas.

    Nem o cidadão da foto abaixo aí, Paulo Maluco, foi tão ruim quanto Fernandinho “nós pega o peixe” haddad.

  3. Cético

    14 de agosto de 2015 2:21 pm

    Negar a história é um erro
    Trocar o nome de ruas em função de uma história negativa é um erro. Isso é negar a história.

    As lembranças da ditadura militar são importantes para que as gerações mais novas entendam o valor da democracia, e nunca permitam que condições como a daquela época voltem a se repetir.

  4. Sérgio Rodrigues

    14 de agosto de 2015 2:44 pm

    Tolice!

    Como apagar os atos dos que fazem a história?…

  5. heber bezerra

    14 de agosto de 2015 3:46 pm

    Fleury

    Deveriam começar a troca pela Rua Sérgio Fleury. Deixem os nomes de um período triste para os livros de história, já basta.

  6. André élebê

    14 de agosto de 2015 4:33 pm

      Mas será que MESMO AQUI

      Mas será que MESMO AQUI ninguém concorda comigo que esta é uma boa ideia, que demorou a ser posta em prática?

      Proponho ainda mais: mudar o nome da avenida que homenageia um dos alicerces da ditadura, passando de Roberto Marinho para… para… pode até ser avenida Rede Paulista, pra relembrar certo escândalo midiático convenientemente abafado.

  7. Fábio Peres

    14 de agosto de 2015 5:09 pm

    Questão prática: quem paga a conta

    Quem vai pagar o transtorno daqueles que terão que mudar toda a documentação por causa da mudança de nome do seu domicílio? Esse foi o maior motivo para que não se conseguisse fazer tais mudanças no passado.

     

  8. Jose mestre Carpina

    14 de agosto de 2015 7:19 pm

    Tem também as rodovias…

    Castelo Branco, Dutra !!!

    Fora  ditadores !!  Sua triste memória  merece ser apagada  para sempre do nosso caminho…

  9. antonio francisco

    14 de agosto de 2015 11:28 pm

    Uma sugestão do Ary, no blog do PHA

    “Que tal esse nome: Av. Dividendos da Sabesp espraiados?”
    — Ary

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