5 de junho de 2026

Ritos e pedaladas, por Francisco Celso Calmon

Os eventuais abusos e exageros na defesa da democracia são mais nocivos, segundo o Globo, do que os atentados à democracia.
Crédito: Joédson Alves - Agência Brasil

Ritos e pedaladas

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por Francisco Celso Calmon

A similitude é total. Assim como não houve ‘pedaladas fiscais’ que onerasse o erário, não houve procedimentos fora dos ritos processuais que comprometesse a formalidade e legalidade exigidas pelos princípios da Administração Pública.   

A ousadia de articuladores do golpismo não tem limites, nem a lei os impede da obsessão de subverter o Estado democrático de direito.

O delinquente diz para as suas vítimas: fiquem tranquilos, mesmo não tendo sido condenado, eu não vou mais delinquir, e aí a tola da nação acredita, relaxa, enquanto preparam novos golpes.

 “Se cometer exageros mesmo em nome do combate à ameaça antidemocrática já é condenável, eventuais abusos se tornam ainda mais perniciosos quando não há mais ameaça alguma.”  (Editorial do Globo de 15 pp).

Editorial do jornal é a palavra oficial da família Marinho, historicamente comprometida com o golpismo, e nesse editorial evidencia, de forma insofismável, que, entre supostos exageros e abusos na defesa do Estado democrático de direito, o combate às ameaças à democracia deve ser contido, porque, na visão da GLOBO, não há mais ameaça alguma.

Os eventuais abusos e exageros na defesa da democracia são mais nocivos, segundo o Globo, do que os atentados à democracia.

Fazer o bem exageradamente é pior do que fazer o mal, pela ótica da Globo.

Vejam a capciosidade desse argumento falacioso. O que está em contenda é a democracia, qual o limite da legítima defesa do Estado democrático de direito?

Para a mídia golpista é a perda do objeto, para tanto, advoga uma premissa falsa: que não há mais ameaça alguma.

Assim como defendeu e participou da ditadura militar e admitia e contemporizava com os chamados “excessos” (sequestro, tortura, desaparecimentos), no presente, em nome de supostos exageros, quer impedir o prosseguimento do combate a quaisquer sinais de ameaças à democracia.

A falácia da acusação ao procedimento do Ministro Alexandre de Moraes pela empresa jornalística Folha de São Paulo é a própria ameaça. 

A Folha tem digitais, assim como o falecido Delfim Netto, na repressão da ditatura à oposição que a enfrentou.

E se houvesse amparo nessa descabida acusação, estaria aberto o caminho do impeachment ao magistrado e a porteira da balbúrdia institucional aberta.  O repúdio geral da maioria de juristas, do STF e de lideranças políticas impediram a fervura, mas as brasas ainda estão acesas.

Bolsonaro e sua camarilha há anos pregam e articulam o impedimento do Ministro, e agora surge o jornal, paladino do bolsonarismo, fazendo uma tempestade em cima do nada, vazia, como caluniosa foi a acusação de improbidade à ex-presidenta Dilma Rousseff.

No caso DO GOLPE DE 2016 a articulação foi com “STF e tudo mais”, desta vez, foi uma porralouquice, porém, é um grave sinal de que o golpismo não cessou e nem cessaráenquanto não houver por completo a justiça de transição.  

8 de janeiro não acabou e não dá sinais de rendição, porquanto o mentor maior e seus asseclas não foram punidos ainda.

A leniência com golpistas é fermento a estratégias de novas tentativas de minar o Estado democrático de direito.

O golpismo é um processo crônico, é necessário que haja também um movimento antigolpismo permanente. Criar uma ONG encarregada de prospectar sinais, denunciar e desarmar esses movimentos é uma necessidade imperiosa.

Por fim e por mister: não estou a defender o ministro, surgido pela caneta do traidor Michael Timer, nem simpatizo com o seu monocratismo autocrata, estou, sim, a mostrar a similitude entre as ‘pedaladas’ e o ‘fora dos ritos’, que sirva de alerta e vigilância para desarmar em tempo hábil qualquer viés que possa aumentar a instabilidade democrática. 

O advento do bolsonarismo produziu a desarmonia belicosa entre os poderes republicanos, e essas cizânias institucionais formam caldo de cultura para a extrema-direita.

Francisco Celso Calmon, analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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  1. José de Almeida Bispo

    19 de agosto de 2024 1:55 pm

    A marca Globo, que precede a ‘famiglia’ Marinho, já nasceu, na década de 1870, para preparar o golpe em D. Pedro II.
    Por isso que Globo é Golpe.

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