Roda-gigante, por Ricardo Mezavila

Bolsonaro, mesmo temporariamente inelegível, será um trunfo de seu partido nas eleições deste ano, talvez, até mais que Lula.

Roda-gigante

por Ricardo Mezavila

Comparada a uma roda-gigante, as sociedades têm seus momentos distintos, ora por cima, ora por baixo. É o que vimos acontecer recentemente com os principais protagonistas da atual política brasileira: Sérgio Moro, Bolsonaro e Lula.

Com apoio da mídia golpista, da maioria de um Congresso entreguista e de um STF acovardado, foi dado um golpe contra a democracia no ‘impeachment’ de Dilma; depois, com apoio dos mesmos, a lava jato perseguiu, condenou e prendeu Lula.

Nesse período, o assento na roda-gigante dos progressistas estava por baixo, enquanto a dos golpistas estava por cima. O Brasil ficou completamente vulnerável ao ataque de um oportunista que, saindo do esgoto, deu voz à escória fascista da extrema-direita e seus penduricalhos neopentecostais.

Nesse mesmo período, os integrantes da lava jato foram surpreendidos por um hacker que descobriu e divulgou as armações de Procuradores e Juízes, que agiam ilegalmente para sustentar as mentiras que mantinham Lula preso.

Sérgio Moro, principal personagem da lava jato, foi declarado suspeito pelo STF para julgar Lula, que teve sua condenação anulada, sendo libertado após 580 dias.

O estrago na esquerda já estava feito, a mídia conseguiu neutralizar o apoio histórico aos candidatos do PT nas eleições de 2018, e Fernando Haddad perdeu em segundo turno para Bolsonaro.

 A partir de então, começou o reino das trevas e os absurdos escatológicos sucederam-se dia a dia, principalmente durante a pandemia. Porém, a roda-gigante não parou, e a sociedade entendeu que o Messias era um falso e repugnante impostor.

Com as unhas sujas à mostra, Bolsonaro tentou de tudo para se manter no poder através da reeleição. Comprou votos com auxílios eleitoreiros e mandou bloquear estradas que levariam possíveis eleitores do PT às urnas. Sem sucesso, incentivou ataques ao estado democrático de direito e às instituições. O assento progressista estava novamente por cima na roda-gigante.

A roda dá tantas voltas que faz com que até o passado pareça incerto. O TSE absolveu, por unanimidade, o senador Sérgio Moro, eleito em 2022 com abuso de poder econômico, caixa 2 e uso indevido dos meios de comunicação.

Apesar dos inúmeros inquéritos abertos para investigar Bolsonaro, o ex-presidente continua livre e forte. Mesmo temporariamente inelegível, será um trunfo de seu partido nas eleições deste ano, talvez, até mais que Lula.

A prova de que o efeito roda-gigante deve ser levado a sério, é que tanto Moro como Bolsonaro podem voltar por cima em 2026. Apoio da mídia não faltará, assim como o do historicamente acovardado STF.

Uma das dicas muito utilizadas em livros e palestras motivacionais, é que ‘chegar ao topo é menos difícil do que se manter por lá’.  O Presidente Lula, equipe e todos nós, progressistas, precisamos ficar atentos para não mordermos o anzol da acomodação, o que seria um retrocesso civilizatório.

Ricardo Mezavila, cientista político

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