Autor das denuncias foi afastado do cargo e casos de abusos foram sileciados por um ano

Jornal GGN – Em 2013 a ONU autorizou a operação militar francesa em Bangui, capital da República Centro-Africana. O país vivia um conflito decorrido de um golpe de estado, assim a França solicitou o envio de tropas com a finalidade de proteger civis. Mas não foi a paz que meninos de 9 anos receberam com a chegada dos Capacetes Azuis, de acordo com o relatório de um funcionário de alto escalão, chamado Anders Kompass.
Há cerca de um ano ele entregou uma série de documentos confidenciais de investigação para a Justiça francesa revelando que as tropas internacionais da ONU promoviam estupros diários a jovens que pediam alimentos aos soldados. O relato aponta 14 franceses envolvidos no crime.
Em resposta aos documentos, ONU e França se calaram, e afastaram Anders Kompass de suas atividades. Porém, o caso ganhou repercussão pública recentemente, após uma denúncia feita pelo jornal inglês The Guardian. Com a publicação, o presidente francês François Hollande prometeu punir os militares franceses envolvidos nos abusos sexuais.
GENEBRA – Relatos de crianças de nove anos revelam que as tropas internacionais enviadas à República Centro Africana promoveram estupros quase diários e até mesmo dentro de suas unidades militares, enquanto estavam sob o mandato da ONU para proteger os refugiados em total desespero em Bangui.
Este blog obteve trechos das entrevistas realizadas com as vítimas e que revelam que os crimes não ocorreram apenas de forma isolada. Na semana passada, a ONU afastou um de seus funcionários de alto escalão, Anders Kompass, sob a alegação de que ele entregou documentos confidenciais da investigação para a Justiça francesa, apontando para os responsáveis pelos crimes. Os soldados eram franceses e atuavam sob um mandato da ONU em 2014.
Entre maio e junho do ano passado, uma equipe das Nações Unidas entrevistou seis crianças nos campos de refugiados e que teriam sido alvos de abusos ou testemunhas. O que os relatos apontam é uma vida de terror. Segundo um garoto de apenas nove anos, os estupros contra ele eram frequentes. Em sua explicação, ele revela que “perdeu a conta” das vezes em que foi abusado. Em todas as ocasiões, a situação era parecida. Em troca de comida, ele era obrigado a se humilhar diante do soldado francês.
Os relatos apontam que os abuso ocorria em plena luz do dia. Um deles revelou que foi estuprado em uma rua, enquanto outro garoto contou que dois soldados alternavam entre quem o violentava e quem monitorava o local para impedir que fossem vistos.
Um outro caso ainda aponta que um garoto se aproximou de um soldado para pedir comida. A resposta: “venha comigo que vou te dar”. O menino foi levado para dentro da caserna dos franceses e, ali, estuprado.
Quase um ano depois dos fatos terem sido registrados, a realidade é que ninguém foi punido, nem na França e nem na ONU. Na verdade, um deles foi sim afastado: a pessoa que denunciou os atos.
O presidente francês, François Hollande, prometeu nesta quinta-feira (30) “punições exemplares”, caso as acusações de abusos sexuais de menores da República Centro-Africana por militares franceses sejam confirmadas. A denúncia foi publicada ontem pelo jornal inglês The Guardian.
Hollande classificou as acusações como “graves” e disse que será “implacável” se os casos forem confirmados. “Vocês sabem a confiança que eu tenho nas Forças Armadas francesas. Nenhuma mancha deve estragar o uniforme dos nossos militares”, declarou.
A ONU confirmou ter realizado uma investigação para apurar denúncias de abusos sexuais cometidos por soldados franceses na República Centro-Africana. O testemunho das vítimas, cerca de 12 crianças, no campo de refugiados do aeroporto de M’Poko, em Bangui, já foram recolhidos.
Silêncio durante um ano
O exército francês está presente no país africano desde dezembro de 2013 para conter uma guerra civil que apresentava risco de genocídio. Os crimes teriam ocorrido entre dezembro de 2013 e junho de 2014.
Nesta manhã, as Forças Armas realizaram uma coletiva de imprensa e explicaram porque mantiveram silêncio sobre o caso por quase um ano. “O exército não tornou público esses fatos porque queríamos dar tempo para a justiça apurar o que realmente aconteceu. Se as denúncias forem confirmadas, elas vão de encontro aos nossos valores”, declarou o porta-voz das Forças Armadas da França, o coronel Gilles Jaron. Ele garantiu que se o caso for confirmado, os militares envolvidos serão punidos severamente.
Meninos de 9 anos de idade
A investigação preliminar já tinha sido aberta pelas autoridades francesas em 31 de julho de 2014, para apurar as denúncias relatadas neste relatório da ONU sobre as supostas agressões sexuais feitas pelos soldados em meninos. Os documentos citam os relatos de meninos, alguns órfãos e o mais novo tendo apenas 9 anos de idade. Eles teriam sido violentados por soldados em troca de comida ou dinheiro. De acordo com uma fonte judicial, 14 militares franceses estariam envolvidos nos abusos sexuais dos menores.
O Ministério francês da Defesa prometeu “tomar todas as medidas necessárias” para esclarecer o caso. O ministério confirma ter sido procurado pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU para tratar sobre as denúncias. Militares franceses foram à República Centro-Africana em agosto para iniciar a apuração.
Maria Luisa
5 de maio de 2015 5:34 pmO horror!
Me admira que François Hollande não soubesse da barbarie dos soldados franceses. Pode ser que alguns soldados sejam punidos, mas parece que ha certas coisas nesse mundo que não mudam e uma delas é o horror praticado por soldados ocupando um territorio ou pela policia. Os dois deveriam proteger os civis, ao invés disso os aterrorizam e as autoridades politicas fecham os olhos.
ocastro
6 de maio de 2015 2:23 amSoldados franceses são acusados de violentar crianças em Bangui.
De uma ENTIDADE como a ONU e de um GOVERNO como o FRANCÊS, ambos SUBORDINADOS as vontade de um ESTADO BANDIDO como o EUA só se pode esperar FRAUDE, INJUSTIÇA e OMISSÃO.