5 de junho de 2026

O Rio por trás do Rio de Janeiro, por Alexis Prieto

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Por Alexis

Comentário ao post “O incrível mundo político do Rio de Janeiro

A cidade de Rio de Janeiro, que já foi capital da república, sempre foi o cartão postal do Brasil, um resumo do estilo brasileiro mostrado ao mundo, com praia, bossa nova, futebol e carnaval. Uma tecla SAP que traduz o Brasil para turista estrangeiro. Esta é apenas a minha impressão pessoal.
 
O Rio de Janeiro projeta-se ao futuro pela sua inesgotável beleza natural, mas parece manter no passado algo da herança do poder, da nobreza e dos resquícios da monarquia e do império. Ao mesmo tempo em que emerge como cidade maravilhosa em eventos internacionais, congrega o contraste amargo dos nossos defeitos e deficiências, misturando o luxo e o lixo, a Bahia de Guanabara poluída e a violência urbana em níveis insuportáveis.
 
Se não tivesse sido criada Brasília, acho que o Rio de Janeiro estaria hoje, muito provavelmente, mergulhado em favelas e esgoto. Brasília levou, 50 anos atrás, as tarefas governamentais e, com isso, gerou uma migração inversa. Foram ao planalto os políticos, servidores e oficiais de alta patente, mas, ficaram no Rio alguns dos poderes paralelos, as vultosas pensões de filhas solteiras, as viúvas e os herdeiros do império, assim como alguns playboys. Alguma parte do Rio de Janeiro ficou assim como o hotel Glória, com um passado majestoso, frente à praia, mas mantendo dentro dele um criadouro de mosquitos.

 
Rio, além de turismo, é uma cidade especializada em escritórios de advocacia tomando conta de negócios internacionais. Dezenas de “mineradoras” juniores espalhadas pelo Brasil são comandadas por escritórios de advocacia situados na orla da praia do Flamengo. Existe apenas uma sala pequena, longe da atividade mineral, mas perto do mundo global. O empresário paulista está mais perto da Bolsa de Valores, mas ainda com maior foco em negócios brasileiros e muito interessado na política nacional.
 
Rio de janeiro é um palco de show para turistas em qualquer época do ano, 24 horas por dia, como carnaval na Bahia (que não acaba nunca) onde as cortinas nunca se fecham. Rio é muito criativo e nunca dorme, pois não para de chegar barco ou avião carregado de turistas. Como turista não vota, o único momento em que Rio de Janeiro mostra a sua verdadeira cara cívica é no dia de eleição. E aí chegamos ao ponto aqui discutido. Há outro Rio dentro do Rio de Janeiro.
 
Todo o mundo fica surpreendido com a versatilidade dos eleitores cariocas. Enquanto o país se deflagra, há mais de 25 anos, entre a opção popular e desenvolvimentista do PT e aliados contra os globalizantes tucanos, o Rio de Janeiro aparece com opções diferenciadas, com enorme influência de contraventores, escolas de samba ou até de igrejas evangélicas, mas raramente políticos de projeção nacional. O candidato a deputado federal leva do lado, a reboque, a foto do eventual candidato a Presidente, e não ao contrário.
 
Rio de Janeiro vive outro ritmo, numa frente ou interface entre o turista e o brasileiro tupiniquim. O carioca recebe estrangeiros até nas favelas, onde são protegidos (anos atrás o Michael Jackson pediu autorização a traficantes para entrar numa favela). Na hora de votar, aproxima-se da sua escola de samba, time de futebol ou igreja, e procura um “mano” para lhe dar o voto, depois, esquece um pouco do restante do Brasil e corre para a praia, a vender água de coco, picolé ou até uma mina de ouro para investidor deslumbrado. 

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12 Comentários
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  1. Nelson Dias Diebl

    28 de dezembro de 2015 11:53 am

    Rio não é muito mais.

    Texto preconceituoso de quem conhece o Rio por clichés.  Nasci no RS e sei bem como esta visão limitada se forma. Sugiro que a seleção de textos privilegie visões políticas mais substantivas.

    1. alexis

      28 de dezembro de 2015 1:04 pm

      Preconceito

      O texto não é preconceituoso, mas, lamento que possa até parecer.

      Do ponto de vista político, por exemplo os mineiros, que se acham os “the best”, simplesmente convivem com o coronelismo e com práticas espertas para fazer política. 

      Conheço Rio e passei boas temporadas por lá. A minha visão, embora pessoal, está baseada em fatos vividos e observados. Naturalmente, deve ser diferente da sua. Temos aqui um bom espaço para você nos explicar o que acha ser uma melhor definição dos fatos apontados.

  2. Mutema

    28 de dezembro de 2015 12:04 pm

    Será mesmo?

    Seria talvez melhor falar dos Rios em vez de um Rio. Por aqui foi eleito com grande votação Eduardo Cunha, mas também Jean Wyllys, Wadih Damous e Alessandro Molon. Estes últimos 3 com recursos econômicos bem limitados em relação ao primeiro. Por aqui foi eleito e reeleito Leonel Brizola, apesar da campanha pesada do sistema Globo contra ele. O Rio atrai turistas. É uma cidade com muitos atrativos, que vão da paisagem à cultura musical vibrante. Basta ir à Lapa praticamente qualquer dia da semana para ver isso. Essa atividade econômica é muito benvinda. Polui pouco, gera empregos/divisas e projeta o país. Os grandes contrastes entre ricos e pobres (asfalto x favela) são uma síntese do Brasil Casa Grande x Senzala, versão século XXI. O Rio tem um setor de construção naval e indústria do petróleo importante. Porém o fato de ter ou não ter indústrias não é decisivo. Roma, p. ex. arrecada muitíssimo mais com o turismo do que com a atividade industrial, em épocas de crise econômica como agora ou não. Com relação à política, não quero citar outros estados, mas está claro que governos ruins não são exclusividade do Rio, muito pelo contrário. Nesse sentido, acho que se houvesse mais pluralismo na mídia e menos influência do poder econômico nas eleições, teríamos condições de ter governos muito melhores, aqui no Rio e no resto do Brasil.

    1. alexis

      28 de dezembro de 2015 12:58 pm

      Concordo Mutema

      Obrigado pelo seu comentário.

      Tem muitas exceções a esta crônica simplória que fiz. Fui Brizolista antes de começar a apoiar o PT. Estive muitas vezes no Rio, às vezes por períodos maiores, a trabalho e também a turismo.

      O apoio a políticos do PSol mostra um Rio progressista e moderno, mas, a estrutura partidária do Rio sempre foi u pouco voltada às pessoas mais do que nas ideias políticas. O voto carioca é disseminado e, como escrevi acima, muito ligado à fama eventual do candidato.

  3. altamiro souza

    28 de dezembro de 2015 12:46 pm

    é uma visão pessoall mas

    é uma visão pessoall mas certamente

    corroborada por por muitos brasileiros….

     

    1. Anarquista Lúcida

      28 de dezembro de 2015 11:49 pm

      Que nao sao do Rio, nao vivem aí e o conhecem mal, só p/ clichês

      O Nassif começou esse festival de lugares comuns, e outros estao indo nas águas dele.

  4. alfredo machado

    28 de dezembro de 2015 12:48 pm

    Lido

    Alexis,

    De acordo com a linha de seu comentário, poderia ter mencionado o mais emblemático, o mais carioca de todos os bairros, o Lido que encanta a todos, tanto os turistas quanto os seus moradores / frequentadores, isto é, idosos e aposentados, famílias que moram por ali desde sempre, comerciantes, a criançada, toda a sorte de LGBT, prostitutas e tudo o mais, todos a interagir normalmente durante as 24 horas do dia, na feira no caminho da escola, aquilo é um show à parte, daí ser muito  difícil um morador do Lido sair de lá.

    Foi naquele oásis em frente à praça que minha mulher viu o impensável, uma fila de idosos aguardando pela sessão de shiatsu enquanto, a três metros de distância, uns 10 meninos cheiravam cola. Tinha que ser no Lido.

     

  5. Adma Andrade Viegas

    28 de dezembro de 2015 1:40 pm

    “Se não tivesse sido criada

    “Se não tivesse sido criada Brasília, acho que o Rio de Janeiro estaria hoje, muito provavelmente, mergulhado em favelas e esgoto.”

    Ao contrário. Foi a criação de Brasília e a saída do poder federal que fomentou  o esvaziamento político do Rio. Esvaziamento que, por sua vez acelerou o surgimento de favelas. Duvido muito que sendo ao Rio Distrito Federal,  não haveria por aqui uma política habitacional decente.

     

    Descuklpe, mas o texto é preconceituoso sim. 

    1. alexis

      28 de dezembro de 2015 1:49 pm

      Sem sentido

      Me desculpe, Adna, mas a sua critica não faz sentido.

      O Rio, como todas as grandes capitais, foram inchadas de favelas por conta da migração rural para áreas urbanas. Nos anos 60 a proporção era enorme em relação à população rural contra a urbana (tipo 70/30) e hoje é o inverso. Se Rio fosse ainda capital, não suportaria tanta população favelada.

      Sobre o esgoto, já temos hoje a Bahia de Guanabara extremamente poluída. Obviamente, estaria pior, se não fosse o fato que parte do Rio foi mobilizado para Brasília e, junto com isso, criou-se um novo polo urbano em Goiás.

      Nada impede ao Rio ter uma política habitacional decente, como você diz.

    2. alfredo machado

      28 de dezembro de 2015 3:26 pm

      habitação no RJ

      Adma,

      Em sua opinião, o que significa, no caso específico, política habitacional municipal decente ?

      Quanto às favelas, tiveram origem na época da Corte, quando foi estimulada a ocupação dos morros por parte daqueles que trabalhavam para o andar de cima. Mais recentemente ocorreu  inchaço dos centros urbanos em função da chegada do pessoal do campo ao “nirvana”, a possibilidade de ascensão e mobilidade social. Entre 1960 e 2000 as cidades tiveram que suportar a chegada de mais de 100 milhões de brazucas, daí o crescimento e surgimento de novas favelas ( no RJ, a depender do conceito de classificação adotado, podem ser  devem ser mais de mil delas).

      Tamanho êxodo rural, espontâneo, sem a participação do Estado, foi movimento que não encontra paralelo na história da humanidade.

  6. Manumanu

    28 de dezembro de 2015 3:37 pm

    Faz um texto desse, e agora

    Faz um texto desse, e agora vai malhar os minieiros, fala sério né

  7. emerson57

    28 de dezembro de 2015 4:39 pm

    zum zum, está faltando um…

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