‘País é ingovernável sem reforma política’, diz Haddad ao Brasilianas

Em entrevista ao Brasilianas, prefeito levanta dois fatores que explicam as condições que criaram o processo de impeachment: política econômica e reforma política  
 
Jornal GGN – O prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, que tentará se reeleger na disputa deste ano, aponta a falta de reforma política como um dos erros do seu partido nos 13 anos em que Lula e Dilma estiveram na liderança do Planalto. O afastamento dessa pauta como prioridade dos governos petistas é considerado também, por Haddad, como um dos fatores responsáveis pelo fortalecimento do processo de impeachment.   
 
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Durante entrevista a Luis Nassif, apresentador do programa Brasilianas, exibido nessa segunda-feira (23), o prefeito pontuou que sem reforma política o Brasil se torna um país ingovernável defendendo como um entre dois pontos fundamentais para a reforma o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais (já aprovado pelo Supremo Tribuna Federal). 
 
“Na verdade [antes da decisão do STF] não existia um financiamento empresarial de campanha. O que existia era uma mistura do público com o privado nessas relações de financiamento. Todos os partidos se financiaram do mesmo jeito (…), a estrutura de financiamento é a mesma para todos os partidos”, salientou. 
Outra mudança apontada por Haddad como fundamental para a reforma é o fim das coligações proporcionais. A legislação eleitoral brasileira permite a união de dois o mais partidos, tanto nas eleições majoritárias (que elege para cargo de Prefeito e Vice-Prefeito) como para eleição proporcional (cargo de vereador). No sistema proporcional é possível votar tanto no candidato, diretamente, como no partido ou coligação, ao contrário da eleição majoritária, onde é permitido votar somente no candidato.
 
“Não há como governar um país com 40 partidos funcionando, o país é ingovernável dessa maneira(…) Não é correto uma pessoa votar para determinado deputado e eleger um de outra legenda que pensa o oposto daquela pessoa que recebeu o voto. Que é o que acontece no Brasil com as coligações proporcionais”, argumentou o prefeito que defende a proibição desse mecanismo. 
 
“O Congresso não aprovará a proibição, penso que é uma questão a ser levada pelo Supremo Tribunal Federal porque distorce a soberania popular como o financiamento empresarial distorcia(…) O voto na eleição proporcional não está sendo respeitado. Você vota num partido e está elegendo outro, que é o extremo oposto do primeiro. Não faz sentido”, ponderou. 
 
Segundo Haddad, esses dois pontos levantados por ele na entrevista (financiamento privado de campanha e coligação proporcional), representariam 70% da reforma política que o Brasil necessita. 
 
O segundo erro dos governos petistas, destacado pelo prefeito, e que foi determinante para a conjuntura que levou ao afastamento da presidente Dilma da presidência é a política econômica. 
 
“É evidente que desde 2013 a condução da política econômica não correspondeu ao que seria tecnicamente o mais adequado. Houve a suposição de que a crise internacional era passageira, com isso, acho que se relaxou em alguns controles importantes. Pega a questão das desonerações, dos preços administrados, os swaps [permutas] cambiais, pra citar três exemplos que a literatura já consolidou, [todos eles] só abriram um passivo difícil de resolver, sobretudo sem a volta da CPMF ou alguma alternativa a isso”. 
 
Haddad observou, ainda, a atuação do Banco Central, especialmente nos últimos anos de Dilma, aplicando uma taxa básica de juros (Selic) não condizente à realidade econômica do país. 
 
“Para uma inflação projetada de 7% ter uma Selic de 14%? Com quase 4% de recessão? (…) A política monetária está corroendo o ajuste fiscal, porque tudo que você corta de despesa cai de arrecadação. Então a conta não vai fechar nunca. Penso que a saída econômica estaria em rumar pra uma alternativa pra fechar as contas [como a retomada da CPMF e baixar a taxa de juros, num ato contínuo”, assim, completou o Haddad, o Brasil teria condições para voltar a crescer a partir de arrecadação própria, com “oxigênio necessário para transitar para um novo modelo de desenvolvimento. Como está travou, travou pela política e travou pela economia”, concluiu.  
 
 

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8 comentários

  1. É o judiciário ? O STF ?

    Qual é o país que pode ser governado com um Gilmar no supremo tribunal ? Precisamos de uma REFORMA CONSTITUCIONAL que imploda esse castelo mal assombrado e o coloque sob um controle democrático.

  2. Nassif, você termina dizendo

    Nassif, você termina dizendo “Acho que voltamos na próxima segunda-feira”. Acha?

    Vi a indignação de Tereza Cruvinel em informar ao público num blog sua dispensa do programa que participava ao lado do apresentador Paulo Markun. Ela diz textualmente que já se encontrava pronta quando o apresentador a barrou por recomendação da direção. 

    Quer dizer, então, que com a nova direção da EBC muitos já foram despedidos, exonerados, e que os cortes continuam podendo ser Paulo Moreira Leite, Emir Sader, e tantos outros logo mais (?).

    Eu queria poder ter tanta fé para Deus ouvir minhas orações, movendo o STF a ter mais sensibilidade para seguir o que dita a Constiuição, devolvendo a presidência da EBC a quem de direito. É inadimissível que nós tenamos que aceitar uma monstruosidade dessa, sobretudo por estarem os que determinam essas mudanças radicais em revanchismos incompreensíveis. Tereza diz que a coisa foi mais dura porque dispensa-se quem é petistas. Parece coisa de Hitller, que bastava o cara ter sangue judeu, cigano, etc. pra ir pro campo de concentração de camisa listrada. 

    Precisamo orar todos os dias, com contrição, para que Deus nos ajude e nos livre de todos os males.

  3. de acordo

    Os pontos levantados por Haddad estão corretos, e por isso mesmo é que não vão ser propostos e aprovados no CN.

    Não interessa aos politiqueiros de ocasião e os que virão.

    O que esses querem é que tudo fique tudo como está para poderem CHANTAGIAREM e LUCRAREM  com as crises.

    Se me lembro bem Portugal tem 6 e Espanha tem um pouco mais partidos no congresso( por conta dos bascos, Catalunha etc).

    Não precisa de mais. Todas a correntes estão lá representadas

  4. Toda a movimentação contra o golpe e o governo ilegítimo do Cunh

    Toda a movimentação contra o golpe e o governo ilegítimo do Cunha-Temer deveria agregar a luta por uma reforma política. 

  5. Nassif

    Só consegui ver o vídeo no You tube. Aqui , não está dando. Uma lentidão enorme.

    Será que o povo de SP não reelegerá o Haddad? Não imaginam o que vão perder, por preconceito !

  6. Prefeito Fernando Haddad

    Eu vi a entrevista do prefeito, mas achei ele tão coxinha. Ele se refere aos partidos como se não tivesse sido eleito. Ganhar eleições com coletivos? Ele vai conseguir isto como? Ele não fez uma vez sequer uma defesa contundente contra o golpe, não adianta, ele só se reelegerá se fizer uma campanha à esquerda, defedendo o projeto que está sendo golpeado, defendendo com muita força e coragem a democracia, coxinhando assim como ele vem fazendo ele vai é perder para Marta que disfarçou por muito tempo a sua origem burguesa e branca.

  7. Haddad

    Vendo a entrevista de segunda-feira em Brasillinas com o prefeito de São Paulo  Fernando Haddad constatei que ele é muito mais competente do que eu poderia supor.

  8. O diagnóstico é correto

    O diagnóstico é correto embora considere a necessidade de aprofundamento do problema.

    Mais importante ainda, a necessidade de apontar as soluções e os caminhos.

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