Dia Mundial da Água: 7 provocações ao leitor distraído, por Felipe Costa

Um exercício de reflexão sobre a substância mais importante em nossas vidas

Dia Mundial da Água: 7 provocações ao leitor distraído.

Por Felipe A. P. L. Costa [*].

Celebrado desde 1993, hoje, 22/3, é o Dia Mundial da Água (ver aqui e aqui). Visando provocar a curiosidade do leitor, sobretudo no caso daquele que está longe dos bancos escolares ou daquele outro que já não costuma mais se impressionar com a importância e os múltiplos papéis que essa substância desempenha em nossas vidas, eu deixo aqui sete questões para reflexão [1].

1.

A entrada e a saída de materiais (moléculas de água etc.) do interior das células do nosso corpo são processos controlados (ativa ou passivamente) pela membrana plasmática. Nem tudo entra, nem tudo sai. A expressão que melhor caracteriza esse comportamento da membrana plasmática é:

(a) Aleatoriamente permeável,

(b) Impermeável,

(c) Mosaico fluído,

(d) Rígida, ou

(e) Seletivamente permeável.

2.

Podemos dizer que a membrana plasmática é uma espécie de alfândega das células – matéria-prima e joias preciosas costumam entrar, o refugo e os dejetos costumam sair. Quando moléculas de água atravessam passivamente uma membrana semipermeável, como é o caso da membrana plasmática, falamos em:

(a) Adesão celular,

(b) Exocitose e endocitose,

(c) Fagocitoce e pinocitose,

(d) Osmose, ou

(e) Transporte facilitado.

3.

Uma característica universal que é observada em procariotos (bactérias, arqueias), eucariotos (protistas, animais, fungos, plantas) e vírus é a presença de:

(a) Ácidos nucléicos,

(b) Água,

(c) Membrana plasmática,

(d) Núcleo, ou

(e) Ribossomos.

4.

Eis um trecho do que Cingolani (2004. p. 253) nos conta sobre a distribuição de materiais dentro do corpo:

“Os organismos unicelulares extraem diretamente do meio que os rodeia as substâncias de que necessitam para a vida e eliminam para ele as substâncias residuais. À medida que avançamos na escala zoológica, os organismos mais complexos e de maior tamanho não podem contar simplesmente com a difusão para essas funções, já que necessitam de que as substâncias requeridas cheguem a células que se encontram bastante distantes do meio circundante. [Estimou-se] que um organismos esférico, de 1 cm de raio e que consumisse 100 mL O2/kg/hora, necessitaria de uma pressão externa de 19.000 mm Hg (25 atmosferas) para que o oxigênio chegasse até seu centro. Somente organismos com raio menor do que 0,5 mm poderiam sobreviver na água rodeada de ar a 1 atmosfera de pressão (760 mm Hg). Os organismos mais diferenciados, incluindo o [ser humano], necessitam de vários sistemas inter-relacionados. O sistema circulatório é o encarregado de transportar, por meio do sangue que impulsiona e distribui, as substâncias que ‘descarregará’ nas células, ao mesmo tempo que ‘carregará’ resíduos e outras substâncias que são produzidas nas células, como, por exemplo, hormônios. O oxigênio é incorporado ao sangue no processo de hematose, que ocorre nos alvéolos pulmonares. Aí, com a ajuda de uma substância química, a hemoglobina, o sangue ‘carrega’ O2 e ‘descarrega’ CO2 no meio ambiente. Esse sangue deverá ser distribuído eficientemente pelo sistema circulatório a fim de assegurar um balanço entre os diferentes territórios.”

A julgar pelo texto, assinale a alternativa que melhor descreve as funções do sistema circulatório:

(a) Fornecer oxigênio para as células do pulmão.

(b) Fornecer oxigênio e substâncias nutritivas para as células do corpo.

(c) Fornecer oxigênio, substâncias nutritivas e hormônios para as glândulas endócrinas.

(d) Fornecer substâncias nutritivas para as células do coração.

(e) Manter o coração batendo.

5.

Eis um trecho do que Pough et al. (2003, p. 83) nos contam sobre a água e o ar como meios físicos:

“A água e o ar são fluídos nos quais os animais vivem, mas propriedades físicas distintas dos dois fluídos tornam os ambientes aquáticos e terrestres bem diferentes. […] A água é mais de 80 vezes mais densa do que o ar. Um litro de água pesa 1 quilograma, enquanto um litro de ar pesa cerca de [0,0125] quilograma. Devido a sua densidade, a água sustenta o corpo de um animal. […] A água é aproximadamente 18 vezes mais viscosa que o ar. A viscosidade é uma medida de quão prontamente um fluido passa por uma superfície – quanto mais alta a viscosidade, mais vagarosamente passa o fluido. […] O efeito da alta densidade e da alta viscosidade da água pode ser observado na forma mais cilíndrica da maioria dos animais aquáticos, quando comparada à forma dos animais terrestres. Somente as [aves] mais rápidas precisam se preocupar com a resistência do ar, mas mesmo os peixes mais lentos precisam da hidrodinâmica. O caminho percorrido pelo fluido, durante a respiração, também reflete as diferenças de densidade e de viscosidade entre a água e o ar. […] O oxigênio constitui cerca de 20,9% do volume do ar. Em outras palavras, há 209 mililitros (mL) de oxigênio em um litro de ar. O conteúdo de oxigênio na água varia, mas nunca ultrapassa mais de 50 mL de oxigênio por litro de água, apresentando um valor usual de 10 mL ou menos. O baixo conteúdo de oxigênio na água, quando comparado ao ar, é uma razão adicional pela qual os peixes não utilizam a ventilação rítmica.”

Podemos afirmar que os peixes absorvem o oxigênio por meio de:

(a) Ar atmosférico,

(b) Bombeamento de fluido para dentro e para fora das brânquias,

(c) Bombeamento de fluido para dentro e para fora das traqueias,

(d) Bombeamento de fluido unidirecional através das brânquias, ou

(e) Ventilação rítmica.

6.

Eis um trecho do que Ashcraft (2001, p. 42) nos conta sobre os efeitos que a temperatura tem no corpo humano:

“Aventure-se ao ar livre num dia nevoento de inverno vestindo um short e uma camiseta fina e o frio vai lhe tirar o fôlego. Sua pele empalidece, seus braços nus ficam arrepiados e você começa a tremer violentamente, como se seu corpo reagisse ao frio reduzindo a perda e aumentando a produção de calor. Como o calor flui dos corpos quentes para os frios, todos os animais que mantêm sua temperatura corporal acima da do ambiente, como os seres humanos, perdem calor constantemente. […] [A] taxa de perda de calor é determinada pela quantidade de sangue aquecido que flui perto da superfície da pele, e quanto maior o fluxo de sangue, mais calor será perdido. Uma estratégia-chave para a conservação do calor é, portanto, reduzir o fluxo de sangue para a pele. No entanto, isso só pode ser tolerado sem dano numa extensão limitada, porque os tecidos de superfície poderiam ficar privados de oxigênio e nutrientes. Quando a temperatura do ar cai, os vasos sanguíneos da pele se contraem, desviando o sangue aquecido da superfície, de modo que a pele fica pálida e o calor é conservado. Paradoxalmente, quando a temperatura cai abaixo de cerca de 10 °C, os vasos sanguíneos superficiais da pele se dilatam em vez de se contrair e, se a temperatura cair ainda mais, períodos de vasodilatação alternam com períodos de vasoconstrição. Essas oscilações impedem que a pele seja danificada por frio severo e asseguram que ela receba um suprimento adequado, ainda que intermitente, de oxigênio. O fenômeno explica o nariz e as mãos vermelhos característicos do tempo gélido e é particularmente bem desenvolvido naqueles que trabalham ao ar livre em climas frios, como os pescadores. Você pode testar isso muito facilmente mergulhando sua mão na água fria. De início, a redução da temperatura estimula os vasos sanguíneos a se contraírem e sua pele vai ficar branca. Gradualmente, sua mão começará a doer e a ficar cada vez mais dolorida. Isso é provavelmente resultado da formação de metabólitos tóxicos, causada pela falta de fluxo sanguíneo. Depois de cinco a dez minutos, no entanto, a pele ficará vermelha e a dor cederá simultaneamente, à medida que a vasodilatação ocorre. […] Assim como a comida é a chave para a sobrevivência no frio, a água é o fator limitante para a vida no calor. A capacidade de refrigeração pelo suor copioso depende da disponibilidade de água e a principal dificuldade na vida no deserto não é o calor, mas a aridez. Se as pessoas podem passar muitos dias sem comida, elas não sobrevivem muito tempo sem água. […] Quando não se repõe a água perdida no suor através da ingestão de líquidos, a desidratação ocorre. Isso estimula a secreção de hormônios que atuam ao mesmo tempo para conservar a água, reduzindo a quantidade perdida na urina, e para aumentar a ingestão de água, fazendo a pessoa sentir sede. […] A maioria das pessoas pode tolerar um decréscimo de 3 a 4% da água do corpo sem dificuldade. Fadiga e tonteira ocorrem quando se perdem 5-8%, ao passo que uma perda de mais de 10% causa deterioração física e mental, acompanhada de sede severa. Perdas de mais de 15-25% da água do corpo são invariavelmente fatais. […] Quando estamos muito ativos, perdemos mais água do que consumimos espontaneamente. Simplesmente não tomamos água o bastante para evitar a desidratação e podemos ficar incapacitados por falta de água sem sentirmos uma sede intolerável. Somente quando estamos descansados e alimentados tomamos água suficiente para repor a que se perdeu no suor. Quando se faz exercício num clima quente, é necessário, portanto, beber água, mesmo sem sentir sede. Se a água for escassa, no entanto, a melhor estratégia é parar a atividade e ficar sentado quieto à sombra.”

De acordo com o texto, podemos dizer que:

(a) As soluções para combater os riscos de morte pelo frio ou pelo calor são praticamente as mesmas.

(b) É para compensar a perda de elementos pelo suor que os maratonistas mastigam uma barra de chocolate logo após uma corrida.

(c) Um alpinista bem alimentado tem mais chances de chegar ao topo do Himalaia do que um alpinista em jejum.

(d) Um indivíduo de estomago vazio sente menos frio do que um indivíduo de estômago cheio.

(e) Um indivíduo bem alimentado tem menos chances de sobreviver no frio do que um indivíduo hidratado.

7.

Eis um trecho do que Tortora et al. (2005, p. 731) nos contam sobre a ascaridíase:

“Uma das infecções helmínticas mais disseminadas [em todo o planeta] é a ascaridíase, causada por Ascaris lumbricoides [lombriga]. […] O ciclo de vida do verme começa quando os ovos são disseminados nas fezes de uma pessoa e, em más condições de saneamento, são ingeridas por outra pessoa. No intestino superior, os ovos eclodem em pequenas larvas vermiformes que passam à corrente sanguínea e então aos pulmões. A seguir, migram para a garganta e são deglutidas. As larvas se desenvolvem em adultos que colocam ovos nos intestinos. (Toda essa migração apenas para retornar ao lugar de onde eles começaram!)”

De acordo com o texto, podemos presumir que a infecção por Ascaris lumbricoides costuma ocorrer por meio de:

(a) Contágio interpessoal,

(b) Ingestão de água contaminada,

(c) Ingestão de carne malpassada,

(d) Inspiração de ar contaminado, ou

(e) Trata-se de uma zoonose.

* * *

NOTAS.

[*] Há uma campanha de comercialização envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

[1] Estou disponibilizando em outro lugar (ver aqui) uma pequena lista (em formato PDF) com comentários e respostas para estas e algumas outras questões afins que apareceram em artigo anterior (aqui).

REFERÊNCIAS CITADAS.

+ ASHCRAFT, F. 2001. A vida no limite. RJ, J Zahar.

+ CINGOLANI, HE. 2004. In: Cingolani HE & Houssay, AB, orgs. Fisiologia humana de Houssay. 7. ed. P Alegre, Artmed.

+ POUGH, F & mais 2. 2003. A vida dos vertebrados. 3.ed. SP, Atheneu.

+ TORTORA, GJ & mais 2. 2005. Microbiologia. 8.ed. P Alegre, Artmed.

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Redação

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