20 de junho de 2026

Como a Lava Jato e o Itamarati destruíram as pretensões brasileiras na África, por Luis Nassif

Alguns dos projetos foram mantidos pelo setor privado, mas o estímulo governamental cessou. E a Lava Jato destroçou as empreiteiras brasileiras, abrindo amplo espaço para o avanço das empreiteiras chinesas. E o grande diferencial brasileiro - a figura pública de Lula - criminalizado pela Lava Jato.

Reconhece-se um país subdesenvolvido pela quantidade de oportunidades que ele deixa passar ao longo da história. São incontáveis as janelas de oportunidades que o Brasil perdeu ao longo de sua história.

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A última foi ao longo das três últimas décadas. Com o avanço da telemática e da logística, houve uma reestruturação das cadeias produtivas no mundo. O Brasil seria a bola da vez, ao lado da China. Perdeu-se com uma política cambial ruinosa, inaugurada pelo plano Real e mantida pelos governos seguintes.

A oportunidade seguinte veio com a crise de 2008. Foram mantidos os preços elevados de commodities, a demanda firme da China. E dois setores brasileiros se projetaram, o agronegócio e as empreiteiras.

O país conseguiu estender sua influência diplomática pela América Latina. Com o etanol e a pecuária explodindo, as áreas de expansão seriam a América Central e, especialmente, a África.

As empreiteiras brasileiras avançaram sobre a África, contando com a enorme simpatia angariada pelo país, graças ao futebol e ao sucesso internacional de Lula. Ao mesmo tempo, o agronegócio brasileiro poderia ser a grande perna de entrada na África, que possui as maiores extensões de terras não aproveitadas para a agricultura.

Chegaram a ser ensaiados programas de colonização, a convite do governo de Angola, pelo qual fazendeiros brasileiros ajudariam a desenvolver a agricultura tropical, tendo como parâmetro as pesquisas da Embrapa (Empresa Brasileira de Planejamento Agrícola). Mais ofereciam-se também bolsas de estudos para estrangeiros, cooperação técnica e contribuições para organizações internacionais.

De seu lado, com a visão estratégica de Celso Amorim, o Itamaraty aumentou as representações na África e reforçou a Agência Brasileira de Cooperação, que passou a oferecer aos países africanos um pacote que continha a Embrapa. Essa aproximação com a África estimulou entidades privadas, atuando através da Cooperação Sul-Sul (CSS) e da Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento (CTPD).

Tinha-se, então, um modelo de atuação diplomática enluarada no conceito do soft power brasileiro. Segundo seus formuladores, a atuação internacional do Brasil deveria ter como valor central a autonomia e o desenvolvimento econômico. Tinha-se a convicção de que conhecimentos elaborados em países em desenvolvimento seriam mais adaptáveis aos países em desenvolvimento assistidos.

Puxando a fila, havia as empreiteiras brasileiras com forte penetração na África portuguesa, que traziam atrás de si os demais setores econômicos brasileiros com interesse no continente.

Lava Jato e governo Temer iniciaram a demolição do projeto diplomático, das poucas vezes em que o Brasil tentou exercer seu protagonismo diplomático.

Alguns dos projetos foram mantidos pelo setor privado, mas o estímulo governamental cessou. E a Lava Jato destroçou as empreiteiras brasileiras, abrindo amplo espaço para o avanço das empreiteiras chinesas. E o grande diferencial brasileiro – a figura pública de Lula – criminalizado pela Lava Jato.

Hoje em dia, no comércio exterior brasileiro a África é irrelevante.

Abaixo, alguns indicadores do comércio com a África.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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7 Comentários
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  1. Rogério

    24 de novembro de 2020 8:29 am

    O estado de bem-estar social não é fruto do comportamento ético do homem. Ele é um privilégio daqueles que possuem uma visão objetiva de mundo. Observe os povos dominantes. Eles usufruem das oportunidades presentes no mundo, sem necessariamente abdicar da discussão sobre seus dilemas morais. O mundo dos povos dominados, ao contrário, deve gravitar em torno de seus dilemas morais. Jamais ao redor do seu desenvolvimento tecnológico. Caraterísticas culturais, modelos de educação e sistemas comunicação garantem o bom funcionamento desse universo feito de exploração e submissão.

    1. Zé Sérgio

      24 de novembro de 2020 7:10 pm

      “…Como a Lava Jato e o Itamarati destruíram as pretensões brasileiras na África,..” Começa com Dilma e Haddad incentivando a destruição de Empresas e Interesses Brasileiros das Empresas Nacionais, porque segundo suas concepções, tentavam corromper o ‘pobre e desprevenido’ Poder Político com seus interesses maquiavélicos capitalistas aproveitando-se da necessidade que tais Políticos tinham de financiar suas Campanhas. Foi o mote da implantação e supervalorização do Fundo Partidário. A parte da Notícia que Imprensa Ideologizada busca esconder e omitir. Não e a Pátria da Surrealidade?! O abandono da África, assim como o total abandono de Potência Mundial no começo do século passado e pós Grande Guerra é apenas consequência da implantação do Golpe Civil Militar criando o Estado Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista a partir de 1930, metamorfoseando cabeça em rabo, com AntiCapitalismo de Estado de Eugênio Gudin (PUC/RJ. FGV,…) “Indústrias são para a Bélgica. Para o Revisionismo Histórico pós 1930, a tal da Industrialização Tardia Brasileira. Imagina se não fosse?! Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

  2. j.marcelo

    24 de novembro de 2020 9:00 am

    Como os militares e o PSDB/EUA destruíram as pretensões do Brasil na África(e mundo),por Joseis Marcelif.
    Obs:O próximo é o nosso presidente Bolso.

  3. Carlos Elisioc

    24 de novembro de 2020 11:56 am

    A lava jato destruiu as pretensões do Brasil no próprio Brasil.
    Com stf e tudo…

  4. papa l3gba

    24 de novembro de 2020 3:55 pm

    Impressionante afirmar q o estado de bem social não esteja atrelado ao caminhar da humanidade. Ágora é o fim quando se nega Aristote (acepção de Tom Zé). A escrita e a fala (com poder de persuasão) se fizeram em Netuno.

  5. Zé Sérgio

    25 de novembro de 2020 8:48 am

    A foto é emblemática. Beleza Africana. Sorrisos Africanos. Parecem modelos num comercial de TV. (Vemos que até a África é um Continente que não sofre com desdentados, banguelas e falta de saúde e higiene bucal. Até nisto, diferente da Pátria das Dentaduras). Diz muito sobre nossa falta de informação e conhecimento quanto a este Continente e seus Povos.

  6. Alonso

    25 de novembro de 2020 4:38 pm

    Infelizmente as tabelas repetem os mesmos valores das exportações de set/19 nos saldos de set/19, tornando os resultados inconsistentes. O que não inviabiliza a análise de que o governo está destruindo todas as bases que permitiriam o país almejar um futuro civilizado.

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