A pantomima da economia aquecida e as taxas de juros, por Luís Nassif

A análise do Morgan Stanley aponta para o supino risco de uma economia superaquecida - crescendo espantosos 0,1% no 3º trimestre.

A maneira como se manipulam as expectativas do mercado é hilária, não fosse trágica.

Nos últimos dias surgiram sinais mais fortes de desaquecimento da economia americana. E sinais robustos de redução da inflação brasileira e da falta de aquecimento para o próximo ano.

A consequência óbvia seria o Copom (Comitê de Política Monetária) acelerar a queda da Selic. Mas, aí, vem as análises em sentido contrário, atropelando os fatos com a sem-cerimônia de um bolsonarista de paletó e gravata falando para uma multidão de crentes.

A análise do Morgan Stanley aponta para o supino risco de uma economia superaquecida – crescendo espantosos 0,1% no 3º trimestre. Confira a análise na íntegra:

“As taxas do BRL estão subindo depois que o PIB do 3T ficou bem acima das expectativas (os mercados esperavam uma contração de 0,3% e o PIB aumentou 0,1%). Analisando os números, os investimentos e a agricultura ficaram do lado negativo, enquanto os serviços, o consumo, etc., ficaram do lado positivo, o que mostra que a atividade é resiliente. Acho que esse número dá mais conforto para o BCB manter o ritmo de 50bps e espero que as discussões sobre os 75bps se dissipem. Os fluxos são silenciosos, com alguns recebimentos passando”.

E não para nisso:

“A repartição do PIB também aponta para uma economia aquecida. O consumo das famílias cresceu 1,1% no trimestre. Como esperado, em termos de oferta, a Agricultura teve um retorno e diminuiu -3,3% no trimestre. Os serviços subiram 0,6% no trimestre, apontando também para uma economia aquecida. Os apelos para que o BCB acelere o ritmo de corte deverão sofrer por trás destes números robustos do PIB. Curva de rendimento apresentando desempenho correspondente com uma mudança paralela ascendente”.

Dá para entender, na prática, como funcionam as políticas de austeridade? É por aí que se explica o paradoxo do país, em outras eras, enfrentando problemas cambiais, problemas externos e inflação, mesmo assim ter conseguido índices robustos de crescimento. E só voltar a crescer em 2008-2010, porque a crise o obrigou a sair da caixinha do mercado.

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Luis Nassif

1 Comentário

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  1. Quando se aceita ser controlado por quem não tem qualquer vínculo ou relação maior com o País, é isso que acontece. No geral esses investidores tem comportamentos distintos conforme o país onde estão. O Brasil tem deixado muito a desejar em relação ao que pensa fazer de si. A questão dos juros e os efeitos que causam ao conjunto da economia, desestimulando o risco pelo investimento em empresas, empregos, tecnologias, etc. Manter capital improdutivo se faz mais atraente. O País só se olha nesses pequenos intervalos, não trabalha para prazos mais longos. Claro que há grande oportunismo, mas o mercado observa isso e trata de controlar o jogo das expectativas.

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