A volta da inflação americana, por Luís Nassif

A alta dos juros terá impacto imediato sobre o fluxo de investimentos e sobre o câmbio brasileiro.

Com 7% no ano, a inflação norte-americana atingiu o maior valor em quase 40 anos. Foi o terceiro mês seguido em que a inflação anual ficou acima dos 6%, algo que não ocorria desde 1982. Do mesmo modo, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que representa as 30 maiores economias do mundo, a inflação foi a mais alta em 25 anos.

A alta atingiu todos os setores. Os custos da habitação aumentaram 4,1%, os custos de supermercado outros 6,5%. Em alguns casos, os preços parecem bater no teto. Os custos de energia aumentaram 30%, mas caíram 0,4% nos últimos dois meses.

Na maior parte dos países, a inflação se concentra em alimentos e energia. Nos Estados Unidos, houve um problema de demanda. Excluindo preços de alimentos e energia, ainda assim o núcleo do IPC aumentou 5,5% no ano, contra um aumento anual de 4,9% em novembro. De um lado, o auxílio do governo às famílias ajudou na manutenção dos gastos. De outro, houve problemas na produção, devido ao desmonte das cadeias produtivas.

As maiores pressões foram nos preços da habitação, de carros e caminhões usados, com alta de 0,4% e 3,56% respectivamente, em relação a novembro. Em novembro, o preço médio de um carro usado era de US $29.011, 39% maior do que 12 meses atrás.

Essa alta está ligada à escassez de chips que tem impactado a produção de carros novos.

Provavelmente haverá um aumento dos juros por parte do FED (o Banco Central norte-americano), encarecendo o custo dos empréstimos.

Na pior fase da pandemia, em março de 2020 o FED reduziu as taxas para quase zero, e lançou um programa de recompra de títulos de US $120 bilhões.

O mercado americano espera pelo menos 4 altas nos juros este ano. O indicador maior é o mercado de trabalho, que se recuperou do período da pandemia. A taxa de desemprego está em 3,9%, mesmo com a criação de apenas 199 mil empregos, bem abaixo da previsão de 400 mil empregos.

A alta dos juros terá impacto imediato sobre o fluxo de investimentos e sobre o câmbio brasileiro.

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