Como envolver os empresários em um projeto de país?
Até agora, pelo que se viu da campanha de Lula, houve encontros fechados com grandes empresários tradicionais, como Flávio Rocha, Abilio Diniz e Salim Mattar, entre outros.
Por aí, não sai nada. São representantes da velha economia, menos sofisticados que seus colegas de mercado. O grande desafio será identificar e promover uma nova geração de empresários.
Como se faz isso?
Primeiro, saindo da toca do Instituto Perseu Abramo. Depois, envolver, desde agora, os setores que terão papel central no novo recomeço. Uma ideia só é eficaz quando é mobilizadora, assimilada pelos diversos atores. E assimila melhor quem participa de sua elaboração desde o começo.
Passo 1 – começar a trabalhar projetos estruturantes
Os passos são conhecidos.
- Discutir o projeto estruturante.
- Identificar os atores interessados: empreiteiras, fornecedores, através de suas associações, e envolvê-los nas discussões para estarem preparados quando for dado o tiro de partida.
- Discutir formas de financiamento, envolvendo BNDES e mercado.
- Estimar a mão de obra envolvida e trabalhar com instituições de apoio em cada estado, como SESI, Fecomércio etc para treinamento, Secretarias de Planejamento estaduais e prefeituras.
- Envolver institutos de pesquisa, startups, associações de empresas inovadoras, Embrapii, para identificar novas tecnologias e novos processos em evolução. Este ponto é essencial para fazer desabrochar a nova geração de empreendedores.
- Amarrar as encomendas com o cronograma previsto para cada obra.
- Cuidar das externalidades, especialmente nas regiões mais afetadas pelas obras, com foco nas Pequenas e Micro Empresas, agricultura familiar.
- Discutir com técnicos do Tribunal de Contas metodologias capazes de acelerar a aprovação dos projetos.
Tome-se o caso das obras de infra-estrutura do PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento)
Havia levantamento minuciosos de todos os insumos necessários para a indústria naval. Esses estudos estão por aí. Abarcavam indústria metalmecânica, de móveis, até bares e restaurantes em regiões com adensamento populacional devido às obras.
Passo 2 – o papel político das ideias
Uma ideia só é relevante quando assimilada pelo conjunto de atores envolvidos. Não adianta uma multidão de sábios levantando projetos à mancheia, de forma entrópica. Os empresários têm que entender, desde o início, a formatação do projeto e sentir-se co-autores. Vale para as políticas sociais; vale para os programas de obras.
A partir desses projetos estruturantes, há inúmeras tribos espalhadas pelo país, prontas a participar da reconstrução em grupos de trabalho:
- Setor ferroviário.
- Indústria naval
- Setor elétrico
- Programa brasileiro de qualidade
- Estrutura Sebrae
- Estrutura CNI-Federações de indústria
- Indústria da construção.
- Complexo de inovação, com fundações de amparo à pesquisa.
- Universidades federais.
- Indústria do audiovisual
Passo 3 – o grande maestro
O papel do presidente da República será o de reger esses diversos conjuntos, fazer a mediação, articular as sinergias. De certo modo, o que foi feito no segundo governo Lula, especialmente no período 2008-2010.
FHC e Lula tinham uma característica comum: não se envolviam no dia a dia dos projetos. Mas havia uma diferença fundamental no enfoque. Lula reunião sua equipe, seu Ministério, estimulava a competição por ideias inovadoras. Depois, tinha uma reunião particular onde o autor tinha que responder a três questões: em que sua ideia seria boa para o país; em que seria boa para o governo. Passando no teste, a ideia era apresentada em nova reunião da equipe, tornando-se uma ação de governo.
Ao afirmar que seu governo irá além do petismo, Lula sinaliza que, a exemplo dos primeiros governos, haverá uma divisão de responsabilidade com outros setores da sociedade.
Leia também:
1 – Xadrez do Brasil na grande batalha da globalização, por Luis Nassif
2 – Como a Ecovias montou sua jogada com Doria e delatou Alckmin, por Luis Nassif
Luiz Mattos
6 de abril de 2022 8:42 amEnquanto isso o PSB de Geraldo vai descumprindo todos os acordos e o PT arrebita a bunda passivamente. Aliar-se com gente que não presta da seus frutos.
E a midia adestradora de Petistas usa de vil chantagem:- “Ou aceitam Geraldo ou bolsonaro vence”.
Ocorre que nunca respondem onde Geraldo uniu até hoje? Porque não entrevistam Geraldo?Quantos votos dará Geraldo e quantos afastará?
dja
6 de abril de 2022 11:38 amO programa de governo tem que ser principalmente:
4 anos
8 anos
20 anos
Assim, contenta-se o eleitorado e abre-se espaço para a renovação dos gestores públicos.
Em seu mandato, o gestor deve viabilizar ações que melhorem uma parte dos seus eleitores contemporâneos dentro deixando um legado aos futuros eleitores. Segue um exemplo imobiliário:
Entre as estações engenheiro Goulart e Ermelino Matarazzo de trem da CPTM de SP, se tem uma longa faixa de terreno privilegiadíssimo no extremo do Parque do Tietê, este relativamente pouco visitado, que com muita vontade política pode se construir até 12.000 unidades habitacionais “populares”.
Daí se pode alcançar a satisfação eleitoral tão desejada e o legado das novas gerações em saber que alí não vai mais estar fadada a construções “Entrópicas” ao longo prazo. E em 20 anos de investimento quebraria os especuladores desse setor.
E isso serve para inúmeros micro terrenos, praças subtilizadas ou de baixa demanda, até mesmo nas áreas de proteção ambiental através de cinturões imobiliários sendo regulado exclusivamente pelo poder público.
dja
6 de abril de 2022 11:43 amO programa de governo tem que ser principalmente:
4 anos
8 anos
20 anos
Assim, contenta-se o eleitorado e abre-se espaço para a renovação dos gestores públicos.
Em seu mandato, o gestor deve viabilizar ações que melhorem uma parte dos seus eleitores contemporâneos dentro deixando um legado aos futuros eleitores. Segue um exemplo imobiliário:
Entre as estações engenheiro Goulart e Ermelino Matarazzo de trem da CPTM de SP, se tem uma longa faixa de terreno privilegiadíssimo no extremo do Parque do Tietê, este relativamente pouco visitado, que com muita vontade política pode se construir até 12.000 unidades habitacionais “populares”.
Daí se pode alcançar a satisfação eleitoral tão desejada e o legado das novas gerações em saber que alí não vai mais estar fadada a construções “Entrópicas” ao longo prazo. E em 20 anos de investimento quebraria os especuladores desse setor.
E isso serve para inúmeros micro terrenos, praças subtilizadas ou de baixa demanda, até mesmo nas áreas de proteção ambiental através de cinturões imobiliários sendo projetado exclusivamente pelo poder público federal, estadual e municipal.
Antonio Uchoa Neto
6 de abril de 2022 3:48 pmAnti-lulismo (ou anti-petismo, dá no mesmo) não é anti-desenvolvimentismo, ou anti-desenvolvimento, ou anti-crescimento econômico: é anti-lulismo.
Meu irmão, em Manaus, pequeno empresário que prosperou como nunca, durante os governos Lula-Dilma, hoje luta para manter aberto seu estabelecimento: é anti-lulista.
Todos esses empresários citados, sejam os antigos, sejam os novos (mercadistas, diz-se), como os classifica o Nassif, querem o que tiveram durante os anos dos governos Lula-Dilma – atividade econômica aquecida, pleno emprego com consumo nas alturas – mas sem o Lula.
Lula é um conviva indesejado nessa festa pobre, não paga nem consome essa droga que já vem malhada, não fica na porta estacionando carros e não será eleito para ser chefe de nada.
Apesar de todo o bem que fez ao brasileiro pobre, Lula governou sob a tutela do binômio Bancos/Corporações, e mesmo assim foi bem sucedido. Agora, mesmo que sinalize claramente que não vai confrontar essa mesma tutela (já montada e instrumentalizada), porque haveria de ser bem vindo nessa festa?
Não é o simples caso de fazer prosperar (por pouco que seja) os pobres; é o caso de não permitir que essa dita “prosperidade” venha a somar-se aos fatores que contribuem para a queda da taxa de lucro. Empresários, mesmo razoavelmente grandes, ainda precisam explorar o trabalho. Quanto aos banqueiros, lucram nos dois cenários.
Essa festa não é para paus-de-arara. Lula, uma vez lá, vai ficar mais deslocado do que o Bolsonaro lá na reunião em que terminou proseando com garçons e serviçais.
O ideário de Lula agora é risco de vida. A serpente está botando um ovo, lá dentro está um desses Adélios da vida. Constantes ameaças, que outrora poderiam ser encaradas como folclore, agora não o são. Antes, havia o circo judiciário para tirá-lo da luta eleitoral; e agora, o que restou, senão a mentira (que, dia após dia, é desmascarada), e a violência.
Há anos, estava vendo televisão com meu irmão (não o de Manaus, um que morava aqui em Salvador, na época), e o jornal da noite da Bandeirantes exibia uma reportagem, ao vivo, sobre uma dessas festas da high society, num lugar ultra-chic, uma daquelas em que João Dória, à época apenas empresário, apresentava políticos a milionários, e milionários a políticos. No hall de entrada, um DJ tocava Cazuza: “A tua piscina está cheia de ratos/tuas ideias não correspondem aos fatos”.
Eu me virei pro meu irmão e disse: “De quem esses ricaços pensam que o Cazuza está falando?”
MARCO ANTONIO CASTELLO BRANCO
6 de abril de 2022 4:58 pmDe quem são os corações e as mentes que se está pensando conquistar? Se forem do Povão, o plano de governo precisa antes de tudo falar de projetos numa linguagem e com números que ele possa entender. Para isso ele precisa ser abrangente, para que todos se sintam incluídos, e simples exigindo pouca explicação. Talvez algo como fez JK com o seu plano de metas e 5 setores chaves. Ficaria faltando a meta síntese que no caso de JK foi construir uma nova capital federal. Mas sem dúvida os corações e as mentes que precisam ser conquistadas, e as cabeças que pensam o Brasil, não estão todas no PT nem moram em São Paulo ou possuem endereço na Av Paulista ou na Faria Lima
Erminia Maricato
8 de abril de 2022 10:15 amNassif é importante lembrar: obras para que? Onde? Historicamente obras, no Brasil, são definidas por interesses fundiários rentistas e não pela necessidade social. Foi assim na ditadura. Foi assim, em parte no PAC e PMCMV. O investimento público deve obedecer ao combate à desigualdade. Há indicadores sociais e territoriais q devem orientar um Plano de Acao