21 de maio de 2026

É hora de Lula virar a chave e apresentar ao país o governo empreendedor

Um projeto de desenvolvimento pressupõe grupos de discussão, ministérios, atores sociais e econômicos ajudando a compor metas e caminhos.
Freepik

Lula enfrenta desafio com surgimento de Flávio Bolsonaro como alternativa ao presidente Jair Bolsonaro.
Proposta do “governo orquestrador” visa integrar ministérios e sociedade para planos claros de desenvolvimento.
Setores como segurança, saúde, educação e meio ambiente podem avançar com coordenação e metas definidas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O grande argumento de campanha de Lula é o de ser a última fortaleza contra a invasão bárbara de Jair Bolsonaro.

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Agora, tem-se mercado, mídia, redes sociais investindo em uma alternativa ao Bolsonaro. Ele tem o focinho de Bolsonaro, rabo de Bolsonaro, pelo de Bolsonaro, mas não é Bolsonaro. Trata-se de Flávio Bolsonaro.

Quem é esperto, não cai. Mas a maioria do eleitorado é constituído de fiéis, crentes no que dizem as igrejas, os terraplanistas e os grupos de mídia. Nesse quadro, como fica Lula, com o enfraquecimento de seu principal argumento?

A receita é fácil, a elaboração, mais difícil, a aceitação por parte de Lula, seria algo inédito. Trata-se da capacidade de montar um plano que desenhe claramente o futuro, e que convença sua viabilidade para agentes econômicos, a pequenos empresários e aos trabalhadores em geral.

Um projeto de desenvolvimento pressupõe grupos de discussão, vários ministérios, atores sociais e econômicos ajudando a compor metas e caminhos.

Projetos de desenvolvimento nunca passaram perto de Lula. Para ele, governar consiste no meritório Bolsa Família e nos investimentos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). E em não mexer muito na estrutura econômica para não criar marolas.

Conseguirá mudar o estilo e aceitar a camisa de seda (que Lula, pelo visto, considera camisa de força) de um plano de desenvolvimento?

As possibilidades são enormes e, de certo modo, já estão ensaiadas no NIB (Nova Indústria Brasil), conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e nos planos de transição energética, coordenados pela Fazenda.

Mas nunca se constituíram em planos de governo, nunca foram entendidos como planos de Lula. E, efetivamente, (ainda) não são.

A ideia do Governo Orquestrador é essa. É o governo articulando grupos interministeriais, com participação da sociedade civil, de entidades empresariais e sindicais, movimentos sociais e mercado. São planos decididos por comissões, tendo na cabeça coordenadores com boa formação em planejamento. Tem a vantagem de atrair adesões. A desvantagem de tirar das mãos do Presidente a liberdade, que ele julga essencial, para montar seus pactos políticos, ainda mais tendo em vista um Congresso hostil e um clima golpista.

O fato novo é que o golpismo é estimulado justamente por essas parcerias

Repito o que já coloquei em outros artigos, sobre os caminhos que se abrem com o governo Orquestrador:

Desenvolvimento produtivo sem criar novos ministérios (milagre possível)

Quem já existe

  • BNDES, Finep, Embrapii
  • SENAI, SENAC, SENAR
  • Sebrae, Apex
  • Universidades federais, IFs
  • Bancos públicos (BB, CEF, BNB, Basa)

O que pode ser feito

  • Programas nacionais por cadeia produtiva (não por setor genérico):

    alimentos processados, fármacos, defesa, mobilidade elétrica, agroindústria, economia do cuidado
  • Crédito + tecnologia + compras públicas num único pacote
  • Contratos de desempenho com metas claras (exportação, emprego, inovação)

Resumo: o Estado deixa de ser caixa eletrônico e vira orquestrador.


Segurança pública: menos bravata, mais inteligência integrada

Quem já existe

  • PF, PRF, polícias civis e militares
  • Coaf, Receita Federal
  • CNJ, MP, Detrans, guardas municipais

O que pode ser feito

  • Centros integrados regionais de inteligência financeira + criminal
  • Força-tarefa permanente contra lavagem de dinheiro local (jogo, milícia, tráfico, grilagem)
  • Banco único de dados operacionais (com controle judicial)

Resumo: crime organizado odeia integração. Vive de silo.


Saúde: SUS com cérebro digital

Quem já existe

  • SUS, Fiocruz, Butantan
  • Datasus, Anvisa
  • Universidades e hospitais públicos

O que pode ser feito

  • Prontuário nacional interoperável (já tecnicamente viável)
  • Produção local de insumos estratégicos com compras públicas garantidas
  • Rede nacional de vigilância epidemiológica em tempo real

Resumo: o SUS já é gigante — falta coordenação tecnológica, não discurso.


Educação e trabalho: parar de formar desempregados sofisticados

Quem já existe

  • MEC, IFs, SENAI/SENAC
  • Sistema S
  • Universidades públicas
  • Ministérios do Trabalho e da Indústria

O que pode ser feito

  • Pactos regionais: formação ligada a projetos produtivos reais
  • Cursos técnicos conectados a compras públicas e crédito
  • Reconversão profissional contínua (IA, energia, logística, saúde)

Resumo: diploma sem demanda é só papel bonito.


Infraestrutura: usar o Estado para destravar, não substituir

Quem já existe

  • DNIT, EPL, Infra S.A.
  • TCU, BNDES
  • Estatais e concessionárias

O que pode ser feito

  • Projetos padronizados e replicáveis (menos obra “artesanal”)
  • Coordenação entre União, estados e municípios para licenciamento
  • Planejamento logístico integrado (ferrovias, portos, energia)

Resumo: atraso não é falta de dinheiro — é excesso de atrito.


Meio ambiente e economia: parar de tratar como inimigos

Quem já existe

  • Ibama, ICMBio
  • Embrapa
  • Universidades
  • Cooperativas e povos tradicionais

O que pode ser feito

  • Bioeconomia amazônica com crédito, assistência técnica e mercado garantido
  • Rastreabilidade obrigatória (já existe tecnologia)
  • Valorização econômica de quem preserva

Resumo: floresta em pé precisa modelo de negócios, não só discurso moral.


Democracia e instituições: coordenação é proteção

Quem já existe

  • STF, TSE, CNJ
  • CGU, TCU
  • MP, Defensorias
  • Universidades e imprensa

O que pode ser feito

  • Protocolos institucionais contra desinformação e ataques coordenados
  • Transparência ativa e dados abertos integrados
  • Educação midiática e institucional permanente

Resumo: democracia não se defende sozinha — precisa engenharia.


A virada de chave

O Brasil não precisa de mais estruturas. Precisa de:

  • coordenação,
  • metas claras,
  • integração institucional,
  • liderança política com visão de sistema.

Ou, em termos menos diplomáticos:

menos improviso, menos vaidade, menos silo.

O material já existe. Falta só alguém juntar as peças — como num Lego institucional gigante. 

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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11 Comentários
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  1. Edivaldo Dias de Oliveira

    11 de março de 2026 8:56 am

    Bora Lula, coragem companheiro, mexa no vespeiro.

  2. jo lima

    11 de março de 2026 9:02 am

    Se Lula perder essa eleição, vai ficar claro o quão medíocre foram os dois principais nomes que chegaram à presidência= Lula e FHC. Ambos nunca tiveram um projeto pra colocar o país além de vendedor de commoditties. O Lula do período de um crescimento econômico altíssimo não foi fruto de um projeto, mas praticamente foi obrigado a agir por causa da crise de 2008. Como diz Nassif, sempre o país depende do Sr Crise pra dar um salto. Mas hoje temo que se o Sr Crise dar as caras agora Lula será engolido por ele. A questão é que se Lula não mostrar a carta do Projeto, ele facilitará a volta do poder da gang do Projétil. E pra mim tenho certeza que a mídia tá a favor de Flávio Bolsonaro porque nos bastidores Flávio deve ter concordado em privatizar o mais rápido possível a Petrobrás e seguir uma linha econômica a la Milei. Se cumprir isso, ele pode fazer oque quiser no poder que não será incomodado.

  3. VIVE.aaronSchwartz.VIVE

    11 de março de 2026 9:41 am

    Cobrar projeto de.desenvolvimento ao qual nunca ng.fez desde Vargas é insensato,os desenvolvimentistas e naciomalistas não sao 30 por cento e os.outros.70 se propagandeiam pelo Brasil,a política não permite medidas.mais.solidas,Nassif tem cabeça de jornalista ingênuo do interior,no.Brasil só de vc ter boas intenções politicas para tesolver definitivamente um problema aparece 50 mil políticos contra é o corporativismo uma MENTALIDADE TOSCA,a rralidade é outra vou.citar uma lei com.boas intenções a Lei fichz limoa,todo o sistema usou esta lei estruturante distircendo_a contra os proprios criadores bem intencionados dela,o Brasil não é para amadores,exigem algo.q nem nos melhores sonhos é possível realizar enquanto isso o outro lado faz os estragos SEMPRE EM OFENSIVA,intimifando e desnorteanfo a todos AFF !!!

  4. Rui Ribeiro

    11 de março de 2026 10:11 am

    De acordo com o Elio Gaspari, “o silêncio de Lulinha tornou-se um peso morto para o pai”.

    Isso não é uma análise, é uma torcida. Porque Lulinha teria que vociferar? O que acharam de errado na movimentação dele? Não é o Lulinha que deve provar sua inocência, porque é presumido inocente até trânsito em julgado de sentença penal condenatória. São vocês que devem provar que o Lulinha praticou crimes.

    Diz mais o Elio Gaspari que a economia está andando de lado, mesmo ele reconhecendo que os salários estão bem, a inflação está controlada e o Brasil tá com baixo índice de desemprego.

    O que o Elio Gaspari faz não é análise, é torcida contra o Lula. Mas a vida é assim mesmo, né, Elio?. Por mais que rejeitasse, o Gaspari não poderia contrariar seus patrões. Do contrário colocaria o seu ganha-pão em risco.

  5. Júnior Almeida

    11 de março de 2026 2:43 pm

    Deve ser difícil para o Nassif aceitar, mas o governo tem um projeto. Um projeto claro, estruturante e totalizante. O arcabouço fiscal. Todo o governo está subordinado ao arcabouço fiscal. Vamos lembrar que o Haddad se orgulha de ter deixado a prefeitura fiscalmente saneada e com dinheiro no cofre para o Doria gastar. Não houve a preocupação de deixar políticas públicas permanente para os cidadãos.

    1. Cezar

      11 de março de 2026 8:07 pm

      É outra coisa que vivo dizendo. É há quem ache esse quinta coluna um grande ministro!

  6. Pedro Rocha

    11 de março de 2026 3:30 pm

    Data venia, hoje o mais correto é dizer que não há esperança para o Governo Lula e expor os motivos, que não são poucos. Ele e o seu pessoal tiveram todas as chances inúmeras vezes, sendo a maior delas em 2003. Basta perceber aquele contexto e compará-lo com o atual. Um grupelho diminuto de evangélicos, a menor autonomia do BC, o PSDB como grande adversário, um Congresso fraco, mas não perverso, a militância petista, a inexistência de militância ultradireitista, várias lideranças petistas regionais etc etc

  7. Naldo

    11 de março de 2026 5:19 pm

    Já se esqueceram que os militares apresentaram um projeto de desenvolvimento no governo do miliciano, a primeira medida seria dar um chute nos fundilhos do mercado….o tuchurchuka olhou aquilo, cuspiu nele e rasgou, do jeito que está tá confortável pra todos, o ogronegócio ganhando centenas de bilhões de incentivos com a farsa que é pop, gastando água como se não houvesse amanhã e seus estragos ambientais não entrando no preço final, dos banqueiros, nem se fale, Ladislau Dowbor já disse que um bilhão aplicado rende 400 mil por dia, logo, é o céu, e nesse boca rica entra empresários, especuladores, bandidos, emendeiros e larápios de toda a sorte. Os únicos lascados são aqueles culpados pelo país não ir pra frente e estar sempre com as contas prejudicadas, o seu Zé e a dona Maria …e o vovô aposentado que ganha sem trabalhar, esse vagabundo.

  8. Cezar

    11 de março de 2026 7:49 pm

    Eu canso, canso, canso de falar a mesma coisa Nassif! A militância me hostiliza, não quer escutar. Tá difícil, parece que Lula se desconectou e vive no mundo filtrado pelos seus aspones.

  9. Rui Ribeiro

    12 de março de 2026 9:19 am

    “Eduardo Leite cita rejeição a Lula e Bolsonaro e diz haver ‘apetite por algo novo’ no país”.

    https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/12/eduardo-leite-cita-rejeicao-a-lula-e-bolsonaro-e-diz-haver-apetite-por-algo-novo-no-pais-psd-eleicao-2026.ghtml

    E qual é a novidade que o Eduardo Leite? Lembro-me que durante a tragédia climática no RS, quando a população gaúcha atingida recebia doações de todo o Brasil, o Eduardo Leite apareceu com a seguinte novidade:

    “O reerguimento desse comércio fica dificultado na medida em que você tem uma série de itens que estão vindo de outros lugares também do país”.

    Como diria o Fábio Júnior, tem gente ainda me esperando prá contar as novidades que eu já canso de saber.

  10. jucemir rodrigues da silva

    12 de março de 2026 2:35 pm

    “A receita é fácil, a elaboração, mais difícil, a aceitação por parte de Lula, seria algo inédito.”

    Me lembrei de E SE…, parceria de Chico Buarque e Francis Hime.
    Tem um trecho que diz assim:

    E se o oceano incendiar?
    E se o Arapiraca for campeão?
    E se à meia-noite o sol raiar?
    E se o meu país for um jardim?

    Sem preocupação de rima, acrescentemos mais um verso:

    E se Luiz Inácio virar desenvolvimentista?

    Já vamos no terceiro mês do último ano da quinta governança presidencial do chamado Partido dos Trabalhadores (contado aquela de Dilma que terminou antes de concluída), terceira de Luiz Inácio, e ainda não se tem nenhum projeto de futuro?

    Aí, Luiz Inácio, depois de tomar conhecimento das últimas pesquisas, lê esse artigo de Nassif, chama o Supremo Agitprop e manda a letra garrafal:

    PORRA, SIDÔNIO!… CADÊ MEU PROJETO DE FUTURO? O RUI E O WAGNER TROUXERAM VOCÊ DA BAHIA E ME GARANTIRAM QUE VOCÊ ERA O CARA. CADÊ MEU PROJETO, SIDÔNIO?…A CAMPANHA COMEÇA EM AGOSTO, A ELEIÇÃO É EM OUTRUBRO, E EU AINDA NÃO TENHO NENHUM PROJETO? SERÁ QUE EU VOU TER QUE CHAMAR DE VOLTA O PAULO PIMENTA?

    Nassif, papo sério: faltando pouco de 7 meses para a eleição, o único projeto que resta e interessa a Lula é o projeto elaborado para mais uma campanha eleitoreira.

    Parece que Lula não tomou conhecimento – ou, se tomou, não levou a sério – daquela tese que diz que governanças neoliberais ditas de esquerda, com suas promessas não cumpridas, pavimentam o caminho de políticos de extrema-direita.

    Será que Lula, daqui até a eleição, conseguirá convencer a maioria do indistinto eleitorado de que o Calabouço Fiscal é conquista histórica das classes trabalhadoras de Pindorama?

    Sidônio, tá contigo a parada…


    En passant cheio de ironia.

    Fazer o que, se a correlação desfavorável de forças quase nada permite à Administração Lula III, não é mesmo?…

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