14 de junho de 2026

Luis Nassif: privatização da Sabesp, um macro escândalo

A empresa vai sendo sugada até virar bagaço. Aí, é devolvida para o poder concedente - estado ou união. E dá-se o golpe final.

O jogo da privatização de empresas públicas de serviços é o seguinte:

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  1. Um banco monta um fundo para captar recursos de investidores individuais e, de preferência, institucionais.
  2. Empresas públicas bem administradas, de saneamento ou energia, em geral têm corpo de funcionários estáveis e regras de segurança e manutenção.
  3. O fundo analisa os resultados da empresa pré-privatização, e qual a rentabilidade adicional se proceder ao layoff (redução do quadro de funcionários), aos cortes na manutenção e na segurança. Saca em relação ao futuro para dourar os resultados imediatos.
  4. Com esses cortes, consegue oferecer, na partida, boas taxas de retorno ao investimento, mas à custa do comprometimento dos serviços, do valor das tarifas e da perpetuidade da empresa.

Passa um tempo, a empresa começa a apresentar problemas, decorrentes da redução da manutenção. O concessionário, então, identifica a necessidade de novos investimentos. Para tanto, ele necessita de financiamentos. Como o controlador, em geral, é um grupo financeiro, consegue recursos de empréstimos.

Como se trata, via de regra, em atividade monopolista, não tem como os órgãos reguladores compararem investimentos necessários e custo do investimento. Então todos esses custos são jogados nas tarifas. E, pela regras do setor, com correção periódica pelo IPC-A.

A empresa vai sendo sugada até virar bagaço. Aí, é devolvida para o poder concedente – estado ou união. E dá-se o golpe final. O projeto de lei da privatização da Sabesp prevê que, em caso de devolução da concessão, todos os investimentos realizados no período serão ressarcidos ao concessionário.

O caso Sabesp

Suponha uma operação lesiva à companhia. Não seria lesiva também ao controlador? Não necessariamente. 

Vamos a uma relação de tópicos que conferem à privatização da Sabesp o tom de um escândalo maior do que o golpe da Eletrobras.

Ponto 1 – o controle da Sabesp ficará nas mãos de uma minoria

O Estado ficará com a maior parte do capital, sem direito a voto.

Ponto 2 – as metas de universalização e tarifa social.

Os recursos de universalização e tarifa social sairão de um Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento do Estado de São Paulo. 

O curioso é a maneira como será constituído o fundo.

Ou seja, os recursos desse fundo sairão do que o Estado receber pela venda do controle da empresa e pelos dividendos que vier a receber, além de outros recursos públicos. Sem os custos da universalização e das tarifas sociais, o lucro da Sabesp privatizada aumentará mais ainda.

Ponto 3 – o quadro de funcionários

Pelo projeto, haverá estabilidade de 18 meses para os funcionários.

Ponto 4 – o ponto de partida das tarifas

O inciso III fala em modicidade tarifária. A base inicial será o valor da tarifa em vigor, e “o valor que seria apurado caso não fossem aplicadas as medidas previstas nesta lei”. Ou seja, a tarifa atual tem um acréscimo para compensar as tarifas sociais e a universalização. No novo modelo, recursos públicos financiarão as tarifas sociais e a universalização, mas não serão descontados das tarifas. Digamos que uma conta seja de 100 e 10 correspondam ao financiamento da tarifa social. O dinheiro público vai garantir os 10, mas a base de cálculo para as tarifas continuará a ser 100. A nova concessionária se apossa dos recursos das tarifas sociais.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

15 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    8 de maio de 2024 7:17 am

    Onde os neotrilionários brasileiros enfiarão os lucros estupendos que pretendem embolsar controlando a Sabesp? Eles criarão novas empresas para proporcionar emprego e renda aos brasileiros? Não. O mais provável é que eles comprem Iates de quatrocentos metros para ostentar na Riviera Francesa. Quando ficarem entediados, eles farão viagens espaciais no foguete-pênis do Jeff Bezos ou ficarão viajando à base de cocaína nos seus imensos e luxuosos jatos particulares. Boa parte do dinheiro extorquido dos consumidores paulistas e ganho com a redução de salários e despesas de manutenção da rede de água será empossado num banco norte-americano, inglês, francês ou alemão. Vilas magníficas serão compradas na Romanha ou na Apuglia. Dachas na Crimeia serão as gemas mais belas nas coroas dos czares tupiniquins. E quando o Brasil afundar na violência criminosa eles dirão que a culpa é da tigrada inculta e racialmente inferior que predomina no país.

  2. PAULO SERGIO CORDEIRO SANTOS

    8 de maio de 2024 8:39 am

    Isso me faz lembrar a privatização dos bancos públicos , como no caso do Banespa

  3. José Marcelo da obicevassão

    8 de maio de 2024 8:46 am

    NASSIF ESSA PRIVATIZAÇÃO É UM ATAQUE ESTRATÉGICO CONTRA O PRÓPRIO ESTADO,AMEAÇA SUA ELITE,EMPRESAS E O POVÃO,TEVE APROVAÇÃO RECORDE,INCRÍVEL Q DEIXARAM ELA PASSAR SP SERÁ A TERRA DOS MISERÁVEIS (NÃO QUERIA ESCREVER ESSE FINAL POIS SEI Q MEU.COMENTARIO TEM PODER)NA MINHA CABEÇA LÓGICO)(!!!)

  4. Joseexplicandomelhorpontomarcelo

    8 de maio de 2024 9:35 am

    A maneira do Estado ESTIMULAR o desenvolvimento a todos de um.Pais é através dos setores energéticos como gás,luz,água,petróleo proporcionando tarifas baratas não a toa grandes paises.avançam neste setores em cima de outros como.a.china aqui.como.o bilonario maior.da.India da.Arcelor q comprou nossa.siderurgica aff fico entendiado em escrever o.obvio logo eu o José aqui aff !!!

  5. Clerisnaldo Carvalho

    8 de maio de 2024 9:49 am

    Toda privatização de serviços essenciais é roubalheira, dos contribuintes em geral, dos etários públicos e dos cidadãos residentes no específico vetor escalar territorial em questão. O bom Nassif esclarecendo as maquinacoes dos envolvidos na roubalheira pública.

  6. Anônimo

    8 de maio de 2024 9:51 am

    A análise do Nassif é perfeita.
    A privatização da Sabesp é um escândalo técnico, econômico, financeiro e jurídico, e está sendo encaminhado à luz do dia. As consequências futuras serão nefastas para toda a população, principalmente as de baixa renda.

  7. Douglas Barreto da Mata

    8 de maio de 2024 10:01 am

    Uai, do jeito que Nassif fala, parece até que em qualquer outra privatização tenha sido diferente…

    Todas as privatizações se constituíram em:
    – Dilapidação de ativos estatais.

    – Serviços caros e com qualidade muito aquém aos serviços prestados nos países-sede das empresas concessionárias ou adquirentes.

    – Investimentos próprios baixíssimos, e uso de verbas e créditos públicos (em todo ou em parte, como os fundos do BNDESpar) para os investimentos, com encargos e amortizações muito mais favoráveis que a qualquer outro setor da economia.

    Enfim, é uma tolice imaginar que em um país de periferia, com baixa dinâmica econômica, haja condições de estabelecer a entrega de serviços e bens estatais, como forma de induzir algum tipo de escala econômica (desenvolvimento).

    Nem na Europa e nos EUA a depender do serviço (caso dos trens em Londres e dos serviços de água, em alguns países da zona do euro) isso dá certo.

  8. Paulo Cezar dos Santos

    8 de maio de 2024 10:09 am

    A análise do Nassif é perfeita. Aponta que o beneficiado com a privatização da Sabesp será unicamente o “mercado”.
    O modelo é escandaloso em seus aspectos técnicos, econômicos, financeiros e jurídicos. É o famoso “privatizar o lucro e socializar o prejuízo”. Em se concretizando essa nefasta privatização, num futuro próximo, os consumidores serão penalizados nas tarifas e nos serviços.

  9. paulo cezar.dos santos

    8 de maio de 2024 10:38 am

    Trabalhei 36 anos na Sabesp.
    A análise do Nassif é perfeita.
    A proposta de privatização é nefasta. Em se concretizando essa privatização, o único beneficiado será “o tal do mercado”. Num futuro próximo, os consumidores, principalmente os de baixa renda, terão tarifas mais caras. E os serviços serão precários. Quem viver, verá.
    Citações de Amauri Pollachi, conselheiro do ONDAS – Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento, em recentes manifestações são claras: “privatizar a Sabesp é como vender um carro e continuar pagando o combustível do novo dono” e “o futuro da Sabesp é a volta ao passado”.

  10. Francisco Eduardo Almada Prado

    8 de maio de 2024 9:02 pm

    As privatizações,todas, são imorais e lesivas ao governo, que quem banca somos nós !
    Esses políticos corruptos se vendem , e nós entregam de bandeja .
    Nação é uma palavra morta . O que existe agora é a plutocracia transnacional. É a escravidão financeira. Mas um povo ignorante, e a inteligência a serviço dessa exploração, nem se dá conta , pois é facilmente ludibriado .
    A cabeça desse polvo corruptor tem etnia , e não tem nem escrúpulos, nem religião.

  11. Francisco Eduardo Almada Prado

    8 de maio de 2024 9:04 pm

    As privatizações,todas, são imorais e lesivas ao governo, que quem banca somos nós !
    Esses políticos corruptos se vendem , e nós entregam de bandeja .
    Nação é uma palavra morta . O que existe agora é a plutocracia transnacional. É a escravidão financeira. Mas um povo ignorante, e a inteligência a serviço dessa exploração, nem se dá conta , pois é facilmente ludibriado .
    A cabeça desse polvo corruptor tem etnia , e não tem nem escrúpulos, nem religião.
    Baseia – se na estória de Davi e Golias

  12. Francisco Eduardo Almada Prado

    8 de maio de 2024 9:18 pm

    Eu fiz um comentário, e não salvei .
    E também não o vejo publicado .
    Poderiam me enviar uma cópia do que eu escrevi , por gentileza ?

  13. Machado Oliveira

    8 de maio de 2024 11:41 pm

    Sabe todas aquelas sedes das antigas Teles? Telesp, TeleRJ, Telpe, Telebahia. Tanto as sedes como todas as instalações e propriedades foram entregues sem que tenham pago nada por elas, como o epíteto de “bens reversíveis”. Eles adoram colocar esses nomes estranhos que o pobre coitado não entendem bem o que é. “bens reversíveis”, com exigência de fazerem uma lista desses bens. Nunca fizeram, nunca devolveram, todos os antigos prédios foram vendidos como sendo deles é inacreditávelmente quase ninguém reclamou. E meterem nos cobres patrimônio público estimado em quase centenas de bilhões de reais. É coisa de bens no país inteiro.
    Depois de tantos anos, eles inclusive já faliram diversas companhias que se apropriaram dos bens, venderam e cairam fora.

  14. Augusto Feitoza

    9 de maio de 2024 5:22 pm

    Negócio do Brasil: não investe um centavo do próprio bolso, lucra bilhões e se o negócio desandar, devolve a empresa sucateada ao ex-dono e ainda recebe prêmio em dinheiro. Deu para entender? Não? Não importa, o negócio já foi fechado. Agora é partir pro abraço.

  15. Anônimo

    21 de maio de 2024 12:58 pm

    Os tribunais superiores não tem base legal para proibir um escândalo desses?

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