21 de maio de 2026

O caso XP-Ambipar, em jogo, a reputação do mercado, por Luís Nassif

Sinaliza um precedente perigoso: grandes instituições financeiras usando sua reputação para empurrar produtos de risco a investidores leigos.
Reprodução

Movimento Edy Mussoi e Fórum Nacional acionam judicialmente XP por venda enganosa de COEs ligados à Ambipar.
XP vendeu COEs como títulos públicos, mas eram dívidas privadas de alto risco, causando perdas acima de 90% a investidores.
Caso expõe falhas na regulação e risco sistêmico, podendo enfraquecer proteção ao consumidor e confiança no sistema financeiro.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma ação civil pública, do Movimento Edy Mussoi de Defesa do Consumidor, do Rio Grande do Sul, e do Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor, poderá por fim à pior armadilha engendrada pelo sistema financeiro, para pegar investidores incautos: os COEs. 

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A ação se refere especificamente ao golpe da Ambipar, que alimentou COE da XP provocando perdas de mais de 90% para os investidores.

O que são os COEs

Os COEs (Certificados de Operações Estruturadas) são produtos financeiros complexos que combinam características de renda fixa e renda variável em um só investimento.

Um COE é como um “combo” de investimentos: parte do dinheiro pode estar em algo mais seguro (como renda fixa), e a outra parte em algo mais arriscado (como ações, moedas ou dívidas de empresas). O objetivo é tentar oferecer lucros maiores, mas supostamente com risco controlado – pelo menos na teoria.

Os COEs são emitidos, geralmente por bancos de investimento como a XP e o BTG. O “investimento real por trás do COE são ações, índices, moedas, dívidas de empresa. O dinheiro fica preso até o final do prazo do contrato. A remuneração depende de condições futuras.

Há muitos riscos embutidos. Tem pouca liquidez, geralmente não permitindo resgatar antes do vencimento. É difícil de entender, porque embrulhado em regras complexas. Em caso de má estruturação, o investidor pode perder quase tudo, como ocorreu com a Ambipar.

O caso XP

A ação acusa a XP de ter vendido o COE com informações enganosas e omissões graves nos Documentos de Informações Essenciais (DIEs). 

  • Investidores foram levados a acreditar que estavam investindo em títulos da dívida pública quando, na verdade, estavam comprando dívidas privadas de alto risco, com rating BB- da Ambipar. 
  • O DIE escondeu informações sobre o rating de crédito da Ambipar.
  • Afirmava que não havia risco cambial, mesmo sendo COEs atrelados a títulos em dólar e dependentes da saúde financeira da empresa no exterior.

Essa falha, de classificar empresas privadas como “Tesouro Nacional” ou “Dívida Pública” foi repetida em vários outros COEs.

  • Ambipar (Várias emissões)
  • Braskem Netherlands
  • Cosan S.A.
  • Minerva Luxembourg
  • FS Luxembourg
  • Iochpe-Maxion
  • Aegea Finance
  • Movida Europe

Ou seja, trata-se de um golpe sistêmico, que abala a confiança no sistema financeiro.

O caso mostra um precedente perigoso: grandes instituições financeiras usando sua reputação para empurrar produtos de risco a investidores leigos.

A falta de punição pode enfraquecer a proteção ao consumidor e descredibilizar a regulação financeira no Brasil.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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