21 de maio de 2026

O emburrecimento ciclópico da análise econômica ortodoxa, por Luís Nassif

Perderam totalmente a capacidade de qualquer analista econômico: a observação empírica, a análise da realidade. Criam um mundo à parte

Segundo o jornal O Valor, o “grande enigma” para os economistas ortodoxos é o fato da inflação ter caído sem recessão.

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Os economistas passaram os últimos meses de 2023 investigando um enigma: a inflação caiu bastante, bem mais do que se previa, sem uma recessão. Agora que começa um novo ano, ainda não há uma resposta consensual para esse mistério, e ele deverá pautar o ritmo e o tamanho dos cortes de juros pelo Banco Central em 2024.

É inacreditável a incapacidade de fugir dos padrões habituais de análise.

Esta semana publiquei declarações de James Kenneth Galbraith sobre esse padrão extraordinariamente emburrecedor da análise econômica do mainstream:

“Na medicina moderna, um diagnóstico específico leva a um tratamento específico. Mas esse não é o caso da economia moderna. Em vez disso, a ausência de uma sequência ordenada no episódio recente lembra a abordagem medieval da medicina, segundo a qual todas as doenças resultavam de um desequilíbrio dos quatro ‘“’humores’ corporais. E, como na medicina pré-moderna, o tratamento é sempre o mesmo, independentemente da natureza do desequilíbrio humoral. Os médicos medievais tiravam sangue; os banqueiros centrais modernos aumentam as taxas de juro”.

Perderam totalmente a capacidade básica de qualquer analista econômico: a observação empírica, a análise da realidade. Criam um mundo à parte, enfiam-se em suas bolhas teóricas, como se a teoria tivesse vida própria, independente da realidade.

Os dados estão todos à vista, explicando cada ponto de dúvida, como lembrou o economista André Nassif.

1. Não houve recessão porque a PEC da Transição permitiu um choque fiscal na economia, que amorteceu os efeitos dos juros do Banco Central.

2. A inflação caiu porque não se devia a fatores internos, mas a aumentos de preços internacionais decorrentes da guerra da Ucrânia. Ou seja, era um choque de oferta. Bastou os preços internacionais refluírem para a inflação baixar em todos os países.

Como tratar como “mistério” um fenômeno com explicações tão óbvias? 

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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4 Comentários
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  1. VOLNEY A GOUVEIA

    6 de janeiro de 2024 8:24 am

    Perfeito!

  2. josé Oliveira de Araújo

    6 de janeiro de 2024 9:10 am

    Acredito que para entendermos os pseudo sábios economistas, precisamos responder a três perguntas, são elas:
    1- Quem manda na economia brasileira? Resposta: O sistema financeiro;
    2- Quem determina o percentual da taxa de juros? Resposta: O sistema financeiro;
    3- Quem lucra com o aumento da taxa de juros? Resposta: O sistema financeiro. Assim, a explicação para uso do mesmo remédio, é de fácil explicação.

    Precisamos mudar a designação de ortodoxo para ORTOCOXO.

  3. R GODINHO

    6 de janeiro de 2024 8:13 pm

    Em vez de “os banqueiros centrais modernos aumentas as taxas de juros”, seria mais exato dizer “os banqueiros centrais modernos fazem o mesmo”.

  4. João

    6 de janeiro de 2024 11:21 pm

    Vc, realmente, acredita que esses economistas do mercado pregam, divulgam suas teorias por desconhecimento, incapacidade,falta de visão histórica ou cegueira escolar?
    Acho que não.
    Divulgam o pensamento que os leva a maximização dos ganhos, mesmo que pareçam parvos.
    Não são.

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