23 de junho de 2026

O jogo de chantagens de Campos Neto, por Luis Nassif

O papel que se esperaria de um presidente do BC seriam palavras para acalmar, e não alarmar o mercado.

Coube a José Roberto Afonso, maior especialista em política tributária do país – funcionário aposentado do BNDES e professor do IDP em Portugal – o feito de desmascarar uma chantagem usual, da qual se vale o Banco Central para firmar seu poder.

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As afirmações foram feitas em entrevista ao jornal Valor Econômico.

O autor, no caso, foi Roberto Campos Neto, presidente do BC. Recentemente, em um evento, Campos Neto alertou para os riscos fiscais do país. Simultaneamente, o presidente do BTG-Pactual, André Esteves, alertou para o risco do investidor desistir de adquirir títulos públicos.

Sobre Campos Neto, o julgamento foi duro: “Espero que tenha sido um momento de amnésia temporária (de Campos Neto). Já que não tem Ministro da Fazenda, espero que ele tenha se confundido e esquecido que é presidente do BC”.

De fato, o papel que se esperaria de um presidente do BC seriam palavras para acalmar, e não alarmar o mercado.

Segundo Afonso, além dos US$ 350 bilhões de reservas cambiais, o caixa do Tesouro, em reais, é de R$ 1,5 trilhão, correspondendo a 17% do PIB. “Não consigo entender como um governo que tem um caixa desse tamanho possa ter crise”, continuou Afonso. “Temos que fazer uma correlação entre política fiscal e política monetária, entre o BC e o Tesouro. O BC tem autoridade técnica e moral para conduzir essas políticas, mirar a inflação e acionar os instrumentos”.

A irresponsabilidade é maior porque há um vácuo de poder na área econômica, Já o BC tem autonomia e controle na área monetária. Com as reservas em dólares e reais, qualquer crise fiscal seria facilmente debelada.

“Se o Tesouro vai renovar os papéis e a taxa de juros está muito alta, não precisa renovar. Saca o caixa e resgata o papel”, diz ele. Outra providência: “A curva de juros abriu muito no longo prazo, o Tesouro pode ir ao mercado e recomprar o papel longo”.

Além das reservas cambiais e das reservas do Tesouro, ainda se tem os recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Somando duto, o governo teria R$ 2 trilhões para enfrentar a especulação de curtíssimo prazo em torno do risco fiscal.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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10 Comentários
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  1. Antonio Uchoa Neto

    29 de novembro de 2022 9:01 am

    Só existe uma coisa sagrada nesse país, desde 1822, e é o pagamento dos juros aos banqueiros. O resto é resto.

  2. José de Almeida Bispo

    29 de novembro de 2022 10:57 am

    Caro Antônio Uchoa Neto, reforçando o seu dito: o Brasil foi separado de Portugal pela ação política da Inglaterra para que seu banqueiro-mor, Sir Natan Rotschild achasse um Tesouro novinho em folha onde desovar parte do ouro juntado freneticamente para enfrentar Napoleão;y que, afinal não foi necessário. Como lembrou Gustavo Franco: “Brasil, pátria de banqueiros”. Desde o começo, uma mera cafua. Que raros homens públicos têm tentando transformar numa nação de respeito, muitas vezes sem sucesso.

  3. Iridium

    29 de novembro de 2022 11:03 am

    E a Banca continua cada dia mais poderosa e forte. Quando teremos gente de coragem para rever tudo isso e resolver de vez os nossos problemas micro e macroeconomicos? Ah, esqueci que a arrogância deles os deixa sem ouvir as saídas para isso. Como disse o Antonio Uchoa, é o pagamento dos juros.

  4. josé Oliveira de Araújo

    29 de novembro de 2022 4:49 pm

    A SENSIBILIDADE DO MERCADO E O MENINO ROMANO.

    Conta a lenda que nos primórdios da Era Comum, um casal de patrícios, estava preocupados com a falta de empatia manifesta do seu filho de 9 anos. O garoto não se afligia com o sofrimentos das pessoas à sua volta. Os pais preocupados com a insensibilidade do garoto, imaginou que levando-o ao coliseu para assistir o trucidamento dos cristãos pelas feras, o garoto finalmente seria impactado pelo espetáculo horripilante. Começado o espetáculo e decorrido algum tempo, o garoto não dava sinais de sensibilização. Mais eis que de repente ele começa a chorar, Os pais acreditando que acontecera o milagre, perguntaram ao filho, por que ele estava chorando. Ele respondeu que estava triste porque um dos leões não havia comido nenhum cristão.
    MORAL DA HISTÓRIA: Todos temos empatia com alguma coisa. Na caso acima, a empatia do garoto era par os leões, no caso do mercado é para o LUCRO.

  5. Arthur Arruda

    29 de novembro de 2022 5:02 pm

    Ao proferir tais afirmações, CN faz política. Eis demonstração solar do embuste chamado independência do BC.

  6. Bobby Fields

    29 de novembro de 2022 6:35 pm

    Um pouco de História não faz mal a ninguém. O pimpolho por alcunha “Neto” não é neto de qq um. Quem se lembra do seu famigerado ascendente, que qdo andou fazendo embaixadinhas em Londres ficou conhecido como o embaixador 10% ? Coisa feia que acabou até em facadas atribuídas a uma falsa índia Tupinambá. O que se poderia esperar de um sujeito com esse pedigree de cachorro grande.

  7. Fernando R

    29 de novembro de 2022 10:29 pm

    Tem que falar mesmo. O trabalho do BC sofre impacto direto da política fiscal e se não querem pagar juros que não tomem emprestado. O mercado devia pegar mais leve? Claro. Podemos começar a abrir mão de parte dos rendimentos que ganhamos em aplicações financeiras! Também fazemos parte do mercado…

  8. José Carvalho

    30 de novembro de 2022 10:18 am

    Muitas vezes falta no Brasil o desapego e uma maior dosagem de responsabilidade no exercício das atribuições públicas. A autoridade monetária exerce função primordial, de indissociável interesse público. Não é uma posição ou orientação pessoal que se pratica, mas um poder de ofício próprio da função estatal. O presidente do Banco Central é peça integrante da política fiscal do País, sendo portanto responsável também, pela sua boa ou má efetuação. Qualquer governo possui suas políticas de governo, não cabe ao BC executar políticas de governo, mais sua condução e atividades afetam as condições dos governos e da sociedade como um todo, poder se programar com relativa segurança em relação ao presente e ao futuro. O respeito das instituições se inicia através das atitudes dos que ocupam cargos que são públicos e devem responder esse interesse. O País necessita da responsabilidade de todos para construir a credibilidade e o respeito que propiciem ao Brasil um lugar destacado para obter seu desenvolvimento.

  9. RENATO CAVALCANTE LIMA

    30 de novembro de 2022 11:44 am

    Infelizmente nesse país, não existe homens com poucas exceções, com maturidade suficiente para exercer cargo nenhum. É sempre o ego e a vaidade. Ninguém gosta do Brasil desapegado do que possa usurpar da pátria . É uma gente que se especializa para ferrar com a nação Principalmente essa gente ligada à banqueiros ou os próprios. É uma raça sem pátria que usa os seus conhecimentos em benefício próprio e aquilo que é fato : enriquecimento pessoal rápido em detrimento do progresso da nação É um DNA desgraçado!!!

  10. Joao adao

    1 de dezembro de 2022 6:17 am

    Governo bom, e o que agrada aos banqueiros, assim como saco de bondades, vai correr solto para sindicatos, assim tambem , na mesma proporção para os banqueiros, nao e atoa que Geraldo alckimin, vai virar ministro da fazenda, e Haddad ministro planejamento, simples assim, o PIX, vai ser o primeiro a ser sentido.

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