
É o país da abundância de pesquisas de opinião inúteis, ou meramente irrelevantes, mais empenhadas em retratar o nível de desinformação da população, do que prospectar tendências. Qual a lógica de perguntar para os pesquisados o que acham da decisão de Donald Trump de aumentar as tarifas? Qual o nível de informação, qual o conjunto de variáveis assimiladas por um cidadão comum? Qual a relevância da opinião atual sobre as eleições de fins de 2026, totalmente moldada nos inputs do momento?
A parte nobre das pesquisas não é o jorrar infinitamente, mas as análises capazes de captar as tendências de médio e longo prazo. E análises aprofundadas exigem séries longas de pesquisa, com questionários bem elaborados. Enquanto pesquisas tolas podem jorrar diariamente. “O que você acha do Trump atacar o Pix? Você é contra ou a favor da taxação de 50%?”
Mas o ponto central, é que as pesquisas, especialmente as eleitorais, têm um objetivo político claro, de manipulação da opinião pública, de direcionar o eleitorado, ou aproximando-o de quem está na frente, ou abandonando quem está atrás.
Por exemplo, o período de preparação do impeachment foi abastecido com manchetes do tipo:
Queda de popularidade e “crise de governabilidade”
Folha de S.Paulo
- “Governo Dilma tem pior avaliação desde o fim da ditadura”
(Datafolha, 6 de julho de 2015)
→ Mostrava apenas 10% de aprovação. Usada como indicador de colapso político.
O Globo
- “Aprovação de Dilma despenca e vai a 9%, diz pesquisa”
(7 de julho de 2015)
→ Destacava que o governo “atinge o menor nível de popularidade da história”.
Veja
- “Dilma derrete”
(Capa de 15 de julho de 2015)
→ Com base em pesquisas de avaliação negativa.
Polarização e ambiente para ruptura institucional
Época
- “A presidente está encurralada?”
(9 de março de 2015)
→ A capa destacava rejeição popular e citações a impeachment.
Estadão
- “Rejeição a Dilma alimenta pressão pelo impeachment”
(12 de agosto de 2015)
→ Vinculava diretamente impopularidade a movimentos políticos pelo afastamento.
Simulações eleitorais antecipadas
Veja
- “Lula perde para Aécio e Marina em 2018, mostra Datafolha”
(Abril de 2015)
→ A antecipação de 2018 servia para mostrar a perda de capital político do PT.
Folha de S.Paulo
- “Rejeição a Lula cresce e Dilma leva petismo ao fundo do poço”
(Novembro de 2015)
Pesquisas como bússola para o Congresso
Valor Econômico
- “Avaliação negativa de Dilma influencia votações no Congresso”
(Agosto de 2015)
→ Aponta como parlamentares se sentiam “autorizados” pelas pesquisas a votar contra o governo.
As pesquisas, de fato, refletiam uma queda real de popularidade. Mas eram exploradas editorialmente para alimentar a versão de uma crise terminal.
Movimentos como o Vem Pra Rua e o MBL usavam os dados das pesquisas como combustível em campanhas nas redes sociais.
O jornalismo declaratório — destacando “X% querem impeachment” — reforçou a ideia de que o processo era um “clamor popular”.
Não se trata de fenômeno recente. Nos Estados Unidos, a invenção do telégrafo sem fio provocou o aparecimento da primeira agência de notícias, a Associated Press. Em parceria com o The New York Times foi forjada uma imensa fraude em um dos estados federados, que permitiu a vitória de um dos candidatos.
Por aqui, o caso Proconsult – articulado pela Globo em 1982 – visava desarmar a fiscalização dos partidos de oposição, abrindo espaço para fraudes em cédulas eleitorais.
Leia também:
Fábio de Oliveira Ribeiro
4 de agosto de 2025 8:29 amPois é, Nassif.
Tem tanta pesquisa sendo realizada, entretanto, não lembro de ter sido pesquisado por essas empresas. A único pesquisador que recebi em casa nos últimos anos foi do IBGE. E por mais que essa pesquisa oficial seja relevante (e deve orientar políticas públicas), as empresas de comunicação parecem mais interessadas em outros assuntos (desestabilizar o governo e deslegitimar pesquisas públicas e mesmo decisões do STF).
Célio Knipel Moreira
4 de agosto de 2025 10:32 amMas a pesquisa mais idiota de todas é repetida e não deveria (a meu ver) poder ter seu resultado divulgado presentemente. É a pesquisa que avalia a disposição do eleitorado votar em quem está impedido de ser candidato até 2030.
Paulo Dantas
4 de agosto de 2025 12:50 pm“Nos Estado … ndidatos” Interessante , poderia ter maiores detalhes, procureino Google e não achei
Anônimo
4 de agosto de 2025 12:52 pmVocê é contra pesquisas ?
Sim() Não()
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José de Almeida Bispo
4 de agosto de 2025 1:07 pmSó dá ladrão!
“G-zuis da goiabêra!”
DE FATO, isso é a sociedade humana. Persistratus iniciou seu golpe na combalida oligogracia ateniense justo por uma mentira deslavada: a deusa Atena, interpretada por uma mulher, à caráter, o levou a ser rei por alguns dias. A mentira sempre foi o prato do dia na política.
É difícil. Raro. Mas até honestidade existe na política. E a política, por sua vez, é o único modo de não nos matarmos uns aos outros indefinidamente.
José Carvalho
4 de agosto de 2025 4:22 pmA informação é uma arma poderosa, e quando o uso de narrativas moldadas pela subjetividade substitui a objetividade da precisa informação, , você distorce o conceito de realidade. Ao oferecer os dados de uma pesquisa, teoricamente se está permitindo uma interpretação acerca dessa pauta abrangida por ela. Alguém vai receber a informação e em alguma medida estará influenciado por aquilo que recebeu. Qualquer órgão que oferece pesquisa, considerando o valor da informação, recebe a contrapartida da credibilidade. A confusão provocada por esses tipos de pesquisas que querem apenas produzir números, que eventualmente sejam utilizados com a manipulação de opiniões, acabam promovendo um caos ao normalizar o absurdo. Sobretudo nas avaliações políticas, alguns tópicos se sobrepõem e acabam por justificar situações muito questionáveis.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
5 de agosto de 2025 8:33 amAs pesquisorreias estão jorrando soltas, feito hemorragia em veia furada. Não demora muito, surgirão pesquisas sobre qual o tipo de papel higiênico usado pelos cadidatos a candidato a presidência do país e outras pataquadas mais.
Anônimo
5 de agosto de 2025 10:08 amQual seria a pesquisa merecedora de um prêmio equivalente ao ignobel?
Jicxjo
8 de agosto de 2025 6:30 amA porca mídia brasileira é cúmplice da criação da legião de traidores retratados nessas pesquisas sobre o tarifaço e a prisão de Bolsonaro. Natural que queira passar pano para entreguistas como ela própria. A prisão do capetão e sua turma é um imperativo nacional, que não pode se sujeitar a conveniências políticas medidas por pesquisas eleitoreiras. Ah, mas se isso acontecer vão dar um hard coup com apoio americano! Que tentem dar! Rasguem a Constituição e a fantasia de patriotas e nos transformem em colônia dos EUA então, babem ovo para o Estado Genocida de Israel. Mas nenhuma dominação dura para sempre. Talvez o Brasil precise mesmo de algo assim, ser escravizado e controlado por uma potência estrangeira com auxílio de lacaios locais, farsantes idolatrados por imbecis, para o despertar dessa parte da população, que segue no sono da ignorância e no transe semiótico lulofóbico fabricado nas duas últimas décadas.