21 de maio de 2026

A eterna máxima dos “juristas”, em defesa dos juros, por Luís Nassif

Artigo de 1999 foi replicado em 2005 e serve agora, em 2025. Isso mostra como, em determinados temas, só o calendário muda.
Reprodução

Vasculhando meus arquivos, encontrei esse artigo “As máximas dos ´juristas´”, de 2 de dezembro de 2005, na Folha, reproduzindo texto de 1999. Mostra como o discurso econômico brasileiro se fossilizou. Ou seja, o mesmo texto de 1999 se aplicava a dezembro de 2005 e se aplica a julho de 2025.

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LUÍS NASSIF

As máximas dos “juristas”

Como é que se explica que, todas as partes da política econômica sendo certas, o resultado final tenha dado errado? Para ajudar no enorme esforço dos colegas de tentar explicar o fracasso, passando ao largo dos juros, tomo a liberdade de repetir um texto de março de 1999 sobre as máximas dos “juristas” (os adeptos dos juros altos em qualquer circunstância), com algumas adaptações.

Primeira máxima – “Em qualquer nível de atividade econômica, de inflação e de reservas cambiais, os juros sempre estarão defasados em 20%.”

Segunda máxima – “Se o consumo cresce, a taxa de juros tem que ser alta para evitar repasse para preços. Se o consumo não cresce, a taxa de juros precisa ser alta para que ele continue não crescendo. Se não existe nem inflação nem consumo em alta, a taxa de juros tem de ser alta por alguma razão que não me ocorre no momento.”

Terceira máxima – “Se as reservas cambiais estão baixas, a taxa de juros tem de ser alta para que os dólares entrem. Se as reservas cambiais estão elevadas, a taxa de juros tem de ser alta para que os dólares não saiam.”

Quarta máxima – “Se tem corrida contra o real, a taxa de juros tem de ser alta para contê-la. Se não tem corrida contra o real, a taxa tem de ser alta porque é melhor prevenir do que remediar.”

Quinta máxima – “Os culpados pelos problemas causados por uma política de taxas de juros excessivamente altas são os adeptos da fracassomania, que criam expectativas negativas, alertando para os problemas causados pela política de taxas de juros excessivamente altas.”

Sexta máxima – “Se a política de taxa de juros alta quebrar o país, o problema é com outro departamento. O meu só cuida dos juros.”

Sétima máxima – “A culpa de uma política econômica que depende de uma meta inviável para ser bem-sucedida é da meta inviável. Depois que se mostrou inviável, meta inviável não tem pai.”

Oitava máxima – “Política de juros conservadora é aquela que conserva o país quebrado.”

Nona máxima – “Todo gasto público não destinado a pagamento de juros é, por definição, “gastança”.”

Décima máxima – “Toda previsão econômica é absolutamente correta até nossa próxima retificação semanal.”

O biólogo e os dinossauros
Autor celebrado de um livro em que retoma os princípios da biologia para entender a economia, Eduardo Giannetti da Fonseca explora bem a irracionalidade intertemporal individual: o impulso que leva as pessoas a privilegiar um momento de bem-estar no presente, sacrificando o futuro.

Foi desafiado a aplicar sua lógica à política monetária. O que explica que, para garantir a tranqüilidade do mercado (e a sua) no curto prazo, o Banco Central adote uma política monetária que, ao aumentar desmedidamente os juros, amplie o endividamento público a ponto de ameaçar o futuro?

Resposta de Giannetti: a alternativa à política monetária atual seria a explosão do consumo, levando a inflação a sair de controle, a economia a se desorganizar, o fantasma da hiperinflação voltar a rondar o país.

É um economista-biólogo que acredita em dinossauros.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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4 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    30 de julho de 2025 8:23 am

    Juristas e “cartoristas”, Nassif.
    Os cartórios nunca ganharam tanto dinheiro como agora. Boa parte desse faturamente tem sido garantido por decisões do CNJ que atribuiram aos cartórios obrigações que antes eram realizadas pelo Judiciário com atuação de advogados. Na prática, aquilo que os advogados deixaram de ganhar está sendo acumulado nas mãos dos “cartoristas”. Mas isso parece não incomodar muito a OAB, porque quem comanda o show de horrores nessa entidade está pouco se importando com a pauperização dos advogados comuns. O que interessa a eles é o palco nacional e os grandes temas imensamente rentáveis.

  2. JOTADOBC

    30 de julho de 2025 9:15 am

    Nassif todos os mal feitos da humanidade a MÍDIA ESTÁ ENVOLVIDA,uma mentira contada mil vezes vira verdade,quantas vezes ouvimos “a máquina pública tá inchada”e só defasagem de funcionários,”privatiza q haver a maior eficiência “e piora tudo ainda ficando mais caro,”a lavajato tá combatendo a corrupção “e aí pune emptesas gerando corrupção e distorções isto vem desde à época de HITLER E GOEBELLS distorcem a realidade sempre em favor dos mais ricos e a humanidade se afundando cada vez mais pela MANIPULAÇÃO dos fatos,essa história de ter q manter juros altos senão há inflação é de uma INFANTILIDADE são os funcionariozinhos do jogo sujo dando dinheiro aos seus próprios patrões kkkk é muito cômico senão trágico !!!

  3. Antonio Uchoa Neto

    30 de julho de 2025 9:22 am

    Décima-primeira máxima: não existe nada melhor do que enriquecer sem precisar trabalhar.

  4. J.Marcelo...

    30 de julho de 2025 11:02 am

    Nassif Lula devia bater na mesa e DENUNCIAR estes juristas,se tivesse feito isto com Moro(mais ainda)ele hj não seria o SENADOR SÍMBOLO DA INTERFERÊNCIA ESTRANGEIRA no País aliás Lula deveria BATER NA MESA e exigir uma ligação do Thuamp logo,para ver se ele acaba logo com esta palhaçada de tarifas !!!

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