6 de junho de 2026

Soberania e Segurança Nacional: a nova janela de oportunidade, por Luís Nassif

País tem tudo para liderar a economia verde e digital. Mas precisa escolher entre ser fornecedor de insumos ou protagonista da transformação.
Foto de Ricardo Stuckert

Nos últimos meses, o Brasil começou a reencontrar sua autoestima. A postura firme do presidente Lula diante da ofensiva internacional liderada por Donald Trump, somada à atuação decisiva do Supremo Tribunal Federal no julgamento do golpe de 8 de janeiro e na regulação das big techs, sinalizou que o país está disposto a retomar o controle sobre seu destino.

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A ofensiva da Polícia Federal contra o crime organizado infiltrado nas estruturas econômicas e políticas — inclusive na Faria Lima e na Câmara dos Deputados — reforça essa virada institucional. Pela primeira vez em anos, a sensação de impotência começa a dar lugar à confiança.

Mas essa reconstrução precisa ir além dos símbolos. O Brasil está diante de uma nova rodada econômica global, marcada por três ativos estratégicos: terras raras, energia verde e capacidade científico-tecnológica. E é aqui que entram os dois conceitos centrais para o futuro do país: soberania e segurança nacional.

O Risco de Repetir o Passado

O agronegócio brasileiro é um caso exemplar de sucesso técnico e fracasso estratégico. Graças à Embrapa, o país se tornou líder mundial em produtividade. Mas sem uma política industrial clara, seguimos como exportadores de commodities — soja, café, carne — sem agregar valor, sem formar cadeias produtivas, sem reter tecnologia.

Agora, o risco é repetir esse modelo com terras raras e data centers. O caminho aparentemente em curso — facilitar a entrada de capital estrangeiro com foco na exportação — é o mesmo roteiro extrativista que nos condena à dependência.

O Caminho do Desenvolvimento

A alternativa é clara: uma política de desenvolvimento produtivo com foco no interesse nacional. Isso significa:

  • Produção local de bens finais: Em vez de exportar matéria-prima, atrair fábricas e centros de inovação.
  • Transferência de tecnologia: O Estado como detentor da tecnologia, com exploração autorizada a empresas nacionais.
  • Data centers para uso interno: Infraestrutura digital voltada para o mercado brasileiro, com exigência de parcerias e compartilhamento tecnológico.

Não se trata de fechar o país ao mundo, mas de negociar com inteligência. Foi assim que o Brasil se industrializou nos anos 1950, exigindo contrapartidas da indústria automobilística. Foi assim que a China se tornou potência, obrigando empresas estrangeiras a formar joint ventures e compartilhar conhecimento.

Hora de Escolhas Estratégicas

O Brasil tem tudo para liderar a nova economia verde e digital. Mas precisa escolher entre ser fornecedor de insumos ou protagonista da transformação. A soberania não se constrói com discursos, mas com decisões concretas sobre onde e como investir, produzir e proteger.

O momento exige coragem política, visão de longo prazo e compromisso com o interesse nacional. O futuro está em jogo — e não haverá segunda chance.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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9 Comentários
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  1. fabricio coyote

    10 de outubro de 2025 8:13 am

    Nassif, perdoe ser fora dessa pauta, aparentemente, pois está ligada à soberania a linguagem. Tomemos de exemplo o item 5.6 do Tractatus Logico-Philosophicus: os limites de linha linguagem significam os limites de meu mundo. Agora analisemos essa frase, proferida no pleno do stf, por barroso: negro de primeira linha. Pense que nos eeuu há o termo
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Quadroon_(1/4_negro)#:~:text=O%20termo%20octoroon%20se%20referia,africano%20e%20sete%20bisav%C3%B3s%20europeus.

    e veremos que diferentemente do dito por Lula à ONU, o pt é o que mais negocia a democracia, vide os juros estipulados pelo copom. o pt esteve na negociação da derrogação do art. 192 da Carta Política e Lula criou o famigerado consignado. onde há soberania nesses tristes trópicos?

    1. AMBAR

      12 de outubro de 2025 4:17 pm

      Falar pra você, Fabrício Coyote, o consignado é a maior conquista que o assalariado já alcançou. Os bancos nunca ofereceram dinheiro a ninguém sem garantia, muito menos pra pobre. Com o consignado, quem tem salário garantido pode pegar dinheiro pra não gastar, juntar e investir, amortizar com os rendimentos e o próprio salário, e quando deu fé tem dinheiro sobrando e livre de ônus. É só usar a cabeça. Pode ainda comprar imóvel sem ter que se sujeitar ao sistema habitacional e guardar dinheiro para o que mais quiser. Quando os bancos descobrirem que o pobre pode fazer isso a facilidade acaba.

      1. fabricio coyote

        13 de outubro de 2025 9:13 am

        o ponto é justamente esse: os bancos, nesses tristes trópicos, não querem o risco. e colocam sob risco de vida o esforço dos trabalhadores e trabalhadoras, que garantem com o fgts. e enfraquecem, obliquamente, também os movimentos sindicais. o trabalhador com consignado está vinculado a um banco, cujo desconto funciona como que uma alíquota de um imposto sobre a fonte de mais-valia.

        só uma Constituinte nos salva!

  2. Hermes

    10 de outubro de 2025 8:32 am

    A nossa Elite, corretores da colonização, no caso a financeira, a Faria Lima, não vai deixar. Só querem comissão e pedágio da entrega do país.

  3. EDUARDO FELIPE DE OLIVEIRA BUERES

    10 de outubro de 2025 10:17 am

    ELEIÇÕES 2026

    A grande jogada política do século XXI no Brasil em 2026, seria LULA manter Fernando Haddad no comando da economia e indicar Geraldo Alckmin para o Planalto e,para a síncope geral, declarar a sua candidatura para o governo de São Paulo, repetindo um golaço de Getúlio Vargas na década de 1930 durante a Revolução Paulista, quando depois de enquadrar os revoltosos via armas, em 1934 cooptou os líderes.

    1. AMBAR

      12 de outubro de 2025 4:18 pm

      Se Lula tivessa mais tempo. Mas o relógio da vida é implacável.

  4. Alberto Magno

    11 de outubro de 2025 5:05 am

    Preciso.Excelente!

  5. Alrxandre Grimmer Davis

    11 de outubro de 2025 8:38 am

    https://share.google/Dek7V3brmVsuRIwh9

    _Um prédio de três andares com fachada envidraçada localizado em Lagoa Santa, município a 35 quilômetros de Belo Horizonte, sedia uma estrutura fabril e laboratorial que poderá ajudar o Brasil a dominar o ciclo completo de produção de ímãs permanentes de terras-raras. Também chamados de superímãs, em razão de sua elevada força magnética e resistência à desmagnetização, esses componentes são usados em aplicações relacionadas à defesa, energia limpa e mobilidade elétrica, com destaque para motores de carros elétricos e de turbinas eólicas. O principal elemento químico empregado em sua fabricação, o neodímio (Nd), é uma das 17 terras-raras da tabela periódica, consideradas fundamentais para a transição energética. Por causa de suas propriedades especiais, como magnetismo intenso, luminescência e condutividade, esse grupo de elementos químicos é largamente usado em produtos e processos de alta tecnologia. Além dos superímãs, são empregados na fabricação de catalisadores usados pela indústria de óleo e gás, fibras ópticas, telas de computadores, celulares, jatos militares, mísseis e marcadores luminescentes para análises biomédicas (ver infográfico). Nos últimos tempos, as terras-raras têm estado no centro de uma disputa geopolítica mundial._

    _Lagoa Santa abriga o primeiro laboratório-fábrica de ímãs de neodímio do hemisfério Sul. Atualmente, a produção desses componentes magnéticos é monopolizada pela China, com mais de 90% da oferta mundial. Batizado de CIT Senai ITR, sigla de Centro de Inovação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Instituto de Ímãs de Terras-raras, a unidade começou a operar em 2024. Ela é constituída por duas áreas, uma com laboratórios e uma planta-piloto de pequeno porte, dedicados à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias ligadas a ligas metálicas de terras-raras e superímãs, e outra com uma linha semi-industrial, voltada à fabricação de grandes lotes de superímãs. Antes denominado LabFabITR, o laboratório-fábrica foi criado há oito anos pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), do governo mineiro. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais o adquiriu em 2023 e o CIT Senai passou a gerir o ITR._

    _O objetivo do laboratório-fábrica é ser um elo entre a pesquisa e a aplicação industrial. Sua produção permitirá validar protótipos e processos de forma semi-industrial. A capacidade produtiva máxima da unidade é de 100 toneladas por ano de ímãs permanentes, mas, por ser um centro de pesquisa, esse volume dificilmente será atingido. *“Nossa intenção não é fabricar comercialmente os ímãs. Por sermos um instituto de pesquisa, não podemos fazer isso”, explica Faria. “Queremos dominar a cadeia produtiva desses componentes e fazer a transferência de tecnologia para empresas interessadas em produzir os ímãs no país.”*_

    *Desenvolvimento e Subdesenvolvimento*

    *“Em busca do tempo perdido.”*
    “`Marcel Proust – Escritor Francês – 1871 a. 1922“`

    *Brasil tem tudo, só não tem estratégia*

    O Brasil possui tudo – *a segunda maior reserva de Minerais de Terras Raras; grandes jazidas de Metais Críticos (cobre, níquel, cobalto, nióbio, tungstênio, lítio etc.); laboratórios e Universidades Públicas desenvolvendo tecnologia nacional para industrialização daquelas commodities; uma das maiores Mineradoras do mundo, a VALE, que, infelizmente, está sendo desnacionalizada a olhos vistos; um Banco Público com estrutura de Banco Internacional, o Banco do Brasil, que, por ser conhecido e respeitado no exterior e dispor de Corretoras de Valores Mobiliários em Nova York, Londres e Singapura, poderia levantar recursos nos principais mercados financeiros internacionais, para financiar a exploração e industrialização daquelas commodities; um Banco de Desenvolvimento, o BNDES, com grande know How sobre o Setor Mineral* – para enriquecer com o novo *“Ciclo Econômico dos Metais Críticos e dos Minerais de Terras Raras”*, que está, apenas, começando, mas, infelizmente, não sabe o que fazer com tudo isso.

    O País necessita de uma estratégia, que devolva ao Estado seu protagonismo no Setor Mineral, conforme garante a Constituição Federal, a fim de colocar toda essa riqueza a serviço do desenvolvimento da economia nacional.

    Assim sendo, propomos a seguinte estratégia, que procura utilizar e otimizar as estruturas e capacidades já construídas pelo País.

    1) reestatizar a VALE. A fusão da Petrobrás com a VALE permitiria a reestatização da Mineradora sem nenhum gasto para o Governo.

    Como o valor de Mercado da Petrobrás é, praticamente, o dobro da VALE, a fusão das duas Empresas levaria a reestatização da Mineradora.

    Além disso, haveria pouquíssima resistência dos acionistas das duas Empresas quanto a fusão, haja vista o fato de estarmos criando uma nova Empresa com valor de mercado muito maior do que a VALE ou a Petrobrás individualmente.

    2) _Joint Ventures_ entre a VALE e todas as Mineradoras que exploram ou desejam explorar jazidas no Brasil.

    A Constituição do País determina, que as riquezas do nosso subsolo pertencem ao Estado.

    A proposta da formação de _Joint Ventures_ da VALE reestatizada com todas as Mineradoras que exploraram ou desejam explorar jazidas no Brasil, sendo que 51% do Capital das novas Empresas ficariam sob controle da VALE, que pagaria por isso, devolveria a capacidade do Estado de criar uma governança, sugerir metas e organizar um plano de ação para o Setor Mineral, que hoje, infelizmente, é *“A casa da mãe Joana”*; e

    3) O Banco do Brasil organizar com o BNDES um Fundo de Investimento Offshore, para captar recursos de Bancos de Desenvolvimento estrangeiros, Eximbanks, Fundos Soberanos e Programas de Investimento Internacional, como por exemplo, o Global Gateway europeu, com o objetivo de investir em Metais Críticos e Minerais de Terras Raras, no Brasil.

    Como os países do G7 e aliados estão desesperados para se livrarem da dependência da China, no que se refere ao fornecimento daquelas commodities estratégicas, há, hoje, muito Capital estatal daqueles paises, disponível para acelerar o desenvolvimento de novas fontes de fornecimento de Metais Críticos e de Minerais de Terras Raras.

    _Pela sétima vez, de agosto para cá, a escassez de terras raras provenientes da China impõe a interrupção da produção de empresas europeias por falta de estoques._

    _Mais 46 paralisações estão previstas neste mês. É o saldo negativo das restrições de exportações feitas pela China que recaem principalmente sobre o fornecimento de imãs._

    _É um cenário a mais a reforçar a dimensão estratégica que os minerais ganharam na economia global e que impuseram um redesenho geopolítico._

    _E que sublinha a importância e a oportunidade que o Brasil tem nesse contexto, como alternativa concreta e decisiva na corrida pelos minerais estratégicos._
    “`(Linkedin Raul Jungmann – “CRISE E OPORTUNIDADE” – 05/10/2025)“`

    O novo Fundo de Investimento Offshore seria administrado, no exterior, pela BB Securities London, BB Securities New York e BB Securities Singapore (de onde o BB pode atuar nos mercados de capitais de Tóquio, Xangai e Hong Kong) e, no Brasil, pela BB Asset e BNDES.

    Hoje, há muito dinheiro de Bancos Estatais e Programas de Investimento Internacionais nos EUA, Europa, Japão e aliados, disponível para investir na exploração de Metais Críticos e de Minerais de Terras Raras.

    Se houver uma ação deliberada do Governo Brasileiro, no sentido de demonstrar a importância do novo Fundo de Investimento Offshore para aquelas potências econômicas, com o objetivo de acelerar a exploração de Metais Críticos e de Minerais de Terras Raras, no Brasil, o novo Fundo poderia receber investimentos de Bancos de Desenvolvimento (como por exemplo o KFW alemão), Eximbanks (como por exemplo, o Eximbank Americano, que já foi autorizado a fazer esse tipo de investimento), Bancos Cooperativos (como por exemplo, o Credit Agricole Francês, com mais de €$ 2,5 trilhões em Ativos), Fundos Soberanos (como por exemplo, o Mubadala Investment Company, fundo soberano de Abu Dhabi) e Programas de Investimento Internacionais (como por exemplo, o Global Gateway da União Europeia, que investe €$ 60 bilhões, por ano, no exterior, com foco na transição energética) dos EUA, Europa, Japão e aliados.

  6. fabricio coyote

    12 de outubro de 2025 2:38 pm

    há um crime organizado no stj com vendas de sentenças. imagine se nos tribunais dos estados federados. entào negociar a soberania com terras raras nada mais é de que se vende uma ilusão como soberana quando a sacralidade é barganhada na balança da Justiça. como disse eduardo cunha qd do último voto do golpe parlamentar do impedimwento do mandato de Dilma: deus tenha misericóridia dessa nação. como não há deus, justifica se a frase de um irmào karamazov: onde deus não existe, tudo é possível. como disse trump, o trunfo dos corruptos, eu só negocio com quem eu gosto. moro caluniou mendes por venda de sentença. e mendes cassou uma nomeação de uma presidenta eleita por sufrágio universal ao arrepio do devido processo legal por decisão monocrática. barroso exarou resolução do cnj para que os mais variados juízos revejam a concessão da gratuidade de justiça, cujos jurisdicionados e jurisdicionadas, em sua acachapante maioria são negros e negras, pobres, etc. o que se coaduna com a frase racista “negro de primeira linha” dirigida a joaquim barbosa. a única soberana é a hipocrisia.

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