14 de junho de 2026

Vai que a bola é sua, Lula!, por Luís Nassif

É hora de cair a ficha que o país está em um dos momentos raros, em que pode desenhar todo seu futuro
Serra das Araras - Reprodução

Você já ouviu falar de Serra Verde? Provavelmente não. Colocando o nome no Google, haverá algo sobre Nova Friburgo, Serra das Araras.

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No entanto, mereceu uma longa reportagem no The New York Times

O primeiro parágrafo dá uma ideia de sua relevância:

A mina subterrânea ao lado de uma pequena cidade no interior do Brasil tem todos os elementos para resolver o problema repentino do Ocidente de encontrar metais de terras raras essenciais — vitais para a construção de veículos elétricos, turbinas eólicas, mísseis guiados e robôs.

Inaugurada no ano passado e apoiada por investidores americanos , é a única mina fora da Ásia que produz quantidades significativas de algumas das terras raras mais difíceis de encontrar”.

Um dos links remete para o site do Departamento de Estado. Nele, a informação destacada:

“Estados Unidos acolhem novo investimento na produção de elementos de terras raras para o projeto Serra Verde no Brasil”.

No entanto, o tema passa ao largo da mídia brasileira. E provavelmente do próprio governo brasileiro.

Em várias partes do mundo, terras raras são tratadas como reservas estratégicas. Por aqui, o Congresso discute anistia e emendas secretas, o governo continua mantendo em off seus planos de desenvolvimento e a opinião pública discute irrelevâncias, como frases soltas de Lula e gastança, frases machistas de Lula e gastança, falta de orçamento para despesas fundamentais e gastança. Os representantes da indústria dizem que os juros são altos devidos à gastança, o mercado diz que a Selic é insuficiente para segurar a gastança e, enquanto isto, o futuro passa ao alcance dos olhos de quem quiser ver.

Transição energética, produção de alimentos, parceiro preferencial de todos os grandes blocos econômicos que buscam se reorganizar depois da bomba de nêutron de Trump, nada disso conta. É um país prisioneiro da ignorância mais profunda e disseminada.

Onde os planos estratégicos do governo? Cadê as federações de indústria, comércio e agricultura? Em que desvão do tempo se perdeu qualquer laivo de formulação estratégica? Até quando o país vai se conformar em pensar pequeno?

É hora de cair a ficha que o país está em um dos momentos raros, em que pode desenhar todo seu futuro. É um jogo de xadrez sofisticado, para se escolher as melhores alternativas em um oceano de possibilidades. É o campo ideal para grandes estadistas.

Vai que a bola é sua, Lula!

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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14 Comentários
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  1. evandro condé

    17 de abril de 2025 7:47 am

    Esse congresso não só assusta como dá medo. A sucessão de horrores é para maiores de 21. Não há a sensação que cagam e andam pro país, há a certeza, sem contar que há uma mídia que dá apoio. Até com novos “articulistas” com uma nova linguagem. Aí a gente descobre que veio da JovemPan.

    Independentemente dessa digressão, mais de uma porta se abriu ao país, mas como o Lula me entra nessa de dar asilo a um condenado em outro país? Não foi pelo tratamento de um câncer. Ele está dizendo que não confia na justiça peruana? Vamos espernear se o Jair conseguir o seu?

  2. RobsonAfonso

    17 de abril de 2025 7:59 am

    Não é apenas terras raras. A Anglo Gold está exportando minério de ouro semi processado para a china. Não se sabe qual o teor e como taxar.

  3. Sérgio Silveira Filho

    17 de abril de 2025 11:12 am

    Mas um motivo para o governo americano focar nas nossas eleições no próximo ano.

    1. Cawe Coy

      17 de abril de 2025 9:05 pm

      Por isso que o governo do nosso país deveria tratar isso como estratégico e blindar isso de interesses obscuros de outros países. Em português claro, criar leis para dizer: essa terra é Brasileira. Se quiser, terá que pagar bem caro ou dar contrapartidas valiosas, e não espelhos ou esmolas que nós brasileiros estamos acostumados a receber dos investidores externos. E para ser mais específico ainda: quem explorar nossas terras para criar tecnologias, deveria criar as fabricas dessas tecnologias aqui e nos ensinar a cria-las.

      1. evandro condé

        18 de abril de 2025 8:07 am

        Nem com minério de ferro tem contrapartidas. Muito antes pelo contrário. Só ler as notícias sobre o entorno de BH.

  4. fabricio coyote

    17 de abril de 2025 1:39 pm

    Sun Tzu disse: Concentre-se nos pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e proteja-se contra as ameaças. A vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço. E lembre-se: você é seu próprio general. Então, tome agora a iniciativa, planeje e marche decido para a vitória.

  5. Jotaluxatiteguardiola

    17 de abril de 2025 4:17 pm

    O jogo já está sendojogado e não depende só do TÉCNICO,q aliás está sendo desperto e ampliando a sua mente,tem q haver a conscientização dos jogadores(Brasil) para disputar boas partidas e ganhar o campeonato mundial espirirual material !!!

  6. Morvan

    17 de abril de 2025 7:07 pm

    Assusta a falta de noção, por parte do Governo, de suas potencialidades, e de vontade, por parte da elite. Enquanto isso, a Sá Fadinha da Fuloresta e seu séquito anti Brasil tão fazendo de tudo para impedir a exploração da margem equatorial. Por brasileiros, claro…

    1. Lênin and The Ulianovs

      18 de abril de 2025 9:37 am

      Olha amigo, (me perdoe a intimidade)…

      A Joana D’arc da floresta está agindo certo pelos motivos errados.

      O pré sal foi a nossa danação, pois foi o epicentro das causas do golpe de 2016, ainda em curso.

      Não serviu para nada esse dinheiro, pelo menos não do ponto de vista coletivo.

      Então, deixa o petróleo lá na Amazônia, sem esquecermos o que a Shell fez no delta do Níger.

      Então, jogar nas costas dela a culpa pela inépcia criminosa desse governo é demais, um pouco demais.

      Se derem mil jazidas maiores que temos a Lula, sem qualquer obstáculo marinista, ainda assim, o resultado seria pífio.

      Não se faz política sem pensar na política que se deseja.

      Lula é um refém domesticado das elites desde sempre, mas em se tratando do que interessa, de governo, Lula se matou e sua “carta testamento” foi a Carta aos Brasileiros, em 2003.

      Não defendo aqui a loucura voluntarista (se bem que, alguma até nem faz mal) de enfrentar os canhões do mercado com as flores da utopia socialista, nada disso.

      Nem o suicídio, embora admire o gesto de Vargas.

      Até para isso Lula perdeu o bonde, pois seu suicídio não teria sentido político algum.

      Um governo que abdica completamente de propor alguma tensão política, para, no fim das contas, obter algum avanço, é uma tragédia.

      Veja com quantos dedos e salamaleques o cretino do Haddad anda para dizer que rico tem que pagar imposto.

      Ora, com uma suavidade dessas ninguém ganha nada.

      A história está aí, cheia de exemplos, e eu vou no mais dramático:

      Lula hoje é o Chamberlain da Europa de 1940.

      Lula é refém de si mesmo, das suas vaidades pessoais, não injustificadas, é verdade, afinal, ninguém chegou perto de três mandatos presidenciais, a caminho do quarto.

      Mas para quê mesmo?

      E agora, no fim, sem perspectiva, óbvia, de futuro, aos 80 anos, cá estamos nós, f*didos como antes, sem um horizonte político viável.

      Só a ilusão de que Lula foi o que ele acha que foi.

  7. Tobias Ferraz

    17 de abril de 2025 10:45 pm

    Caro Nassif, como se não bastasse Mariana e Brumadinho , a “lapidação” da Serra do Curral e agora do Jequitinhonha, defender mineração me parece um caminho estranho. São muitos os estudos e vozes por uma economia pautada por formas amigáveis com a Natureza e o bem viver. “Terras raras” para quem, cara pálida? Um abraço frondoso!

  8. Rui Ribeiro

    18 de abril de 2025 8:18 am

    Opinião
    Garis PJ: um oferecimento do Supremo Tribunal Federal
    Marcos Neves Fava
    24 de setembro de 2024, 18h25

    Lula, tinha um brasileiro hipersuficiente e hiper-esclarecido trabalhando no Canadá. Uma empresa brasileira lhe ofereceu uma proposta de emprego, mais vantajosa do que seus ganhos no Canadá. Ele veio. Mas foi-lhe imposto que teria que fundar uma PJ ou não haveria contrato. Sem saída, se submeteu.
    Quando o trabalhador foi despedido, ela acionou o empregador na JT. O contrato de prestação de serviço foi reconhecido como contrato de emprego. O empregador recorreu ao STF, o qual decidiu que o contrato não era de emprego, era de trabalho, e que, pelo fato do trabalhador ser hipersuficiente e hiper-esclarecido, o contrato de trabalho pejotizado foi válido. Agora o STF quer universalizar a pejotização independentemente do nível de esclarecimento e da condição econômica do trabalhador. Ajuda, Lula

  9. Lênin and The Ulianovs

    18 de abril de 2025 9:21 am

    A bola?
    Vai para o mato!
    Nova Friburgo?
    A nova Bacurau.

    É um misto de medo e desespero saber que mais essa riqueza vai selar nosso desastroso futuro.

    Se não for pelos canibais do mercado, vai ser pelas ovelhinhas da conciliação de Lula e apaniguados.

    País de m#rda, governo de m#rda.

  10. Cesar

    18 de abril de 2025 2:25 pm

    O Brasil não é mais do Brasil (sua agenda, políticas ou ausência delas servem exclusivamente aos interesses estrangeiros representados por agentes do tipo blackrock e praticamente todos trabalham para eles). A Petrobrás não é do Brasil. A Eletrobrás (com empurrão do governo atual) não é mais do Brasil. Etc. Etc. Etc.

  11. Padawan

    18 de abril de 2025 9:56 pm

    Michael Hudson é um dos economistas que levam a economia dentro de comparações históricas. Compartilho artigo opinativo sobre “estratégia” de tarifas comerciais de Trump.

    https://www.nakedcapitalism.com/2025/04/michael-hudson-return-of-the-robber-barons-trumps-inverted-view-of-americas-tariff-history.html

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