A defesa de Dilma, por José Eduardo Cardozo

Jornal GGN – Na noite de ontem (1), a defesa da presidente afastada Dilma Rousseff foi protocolada na Secretaria Geral da Mesa do Senado. José Eduardo Cardozo, ex-advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça, entregou pessoalmente a peça e incluiu as gravações feitas por Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro.

Com mais de 300 páginas, o documento aponta que o ‘motivo’ levantado para consumar o processo de impeachment da presidente Dilma era exclusivamente a necessidade de “por fim à Operação Lava Jato”. Após deixar a Secretaria Geral do Senado, Cardozo disse que incluiu uma “arguição de suspeição” contra Antonio Anastasia (PSDB-MG), relator do processo de impeachment no Senado.

“Continuamos na linha de mostrar a inexistência dos crimes de responsabilidade, aduzindo outros argumentos técnicos, outras ponderações, e fazendo uma análise daquilo que nós achamos que há de equivocado nos relatórios que foram feitos pela Câmara e pelo Senado”, afirmou o ex-ministro. Ele afirma que foram coletados depoimentos de 50 testemunhas, entre técnicos do governo, que corroborarram a tese de que não houve irregularidades na edição dos decretos que foram considerados ilegais. 

Sobre as gravações feitas por Sergio Machado com líderes do PMDB, como Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney, Cardozo disse que várias das falas “mostram claramente” a intenção de que o impeachment acontecesse “porque havia uma preocupação de vários segmentos da classe política em relação às investigações da Operação Lava Jato”.

A íntegra da defesa foi disponibilizada pela presidente Dilma e pode ser lida aqui.

4 comentários

    • engano teu

      Fui aluno de José Eduardo, no curso de preparação para concursos públicos e reciclagem do Damásio de Jesus. Te garanto, até porque na época contava com 15 anos de advocacia, logo não era um inexperiente ex aluno, que José Eduardo é um ótimo professor ( lecionou direito administrativo em meu tempo) e um ótimo Advogado. Bom discurso, grande conhecimento técnico, boa postura e não é por ele que a Presidente da República será afastada em definitivo. A defesa dele está muito bem feita e seus argumentos são muito bons e coerentes.  

  1. No lançamento do livro sobre

    No lançamento do livro sobre o golpe no Oi Casa Grande no Rio, assisti uma bela e empolgante fala do Cardoso. Foi muito aplaudido, eu também aplaudi. Parei com esse negócio de falar mal do “republicano”. Agora vamos combinar, o Machado com seu gravadorzinho está fazendo todo o serviço para ele

  2. Doa a quem doer

    Os grampos de Machado detonaram a versão de Moro para a corrupção no Brasil

    por Kiko Nogueira

    Tudo indica que o vazador das conversas de Sérgio Machado é o próprio Sérgio Machado.

    Machado acabou, com isso, causando um curto circuito na Lava Jato. O primeiro a se manifestar foi o delegado Igor Romário de Paula. “O que nos preocupa somente é que isso (os áudios) venha a público dessa forma, sem que uma apuração efetiva tenha sido feita antes”, afirmou ele, segundo o Globo.

    Igor está dizendo que há vazamentos bons e ruins. Os primeiros são os que são feitos pela própria PF. Dias depois, foi Sergio Moro quem deu detalhe.

    Apresentou-se num simpósio de direito constitucional em Curitiba e criticou os projetos de lei sobre a delação premiada em tramitação no Congresso — os dois, sintomaticamente, de autoria do deputado petista Wadih Damous.

    “Eu fico me indagando se não estamos vendo alguns sinais de uma tentativa de retorno ao status quo da impunidade dos poderosos”, falou Moro.

    Moro, de acordo com o Estadão, achou “coincidência” que o autor seja do PT. “A corrupção existe em qualquer lugar do mundo. Mas é a corrupção sistêmica não é algo assim tão comum.”

    Nem uma palavra sobre as tentativas explícitas de gente como Jucá e Sarney barrarem as investigações através de um impeachment. Nem um mísero muxoxo sobre o que foi revelado nos papos de Machado.

    O fato é que os áudios de Sérgio Machado quebraram as pernas da história oficial do time de Moro. Até ele surgir na Folha, toda a narrativa da LJ estava nas mãos dos delegados, que vazavam para a imprensa o que a mídia desejava — ou seja, a criminalização do governo Dilma e do projeto petista de corrupção sistêmica.

    Não custa lembrar o que Moro escreveu em seu ensaio sobre a Mãos Limpas. “Os responsáveis pela operação mani palite ainda fizeram largo uso da imprensa”, ele registra. “Tão logo alguém era preso, detalhes de sua confissão eram veiculados no ‘L’Expresso’, no ‘La Republica’ e outros jornais e revistas simpatizantes.”

    Sérgio Machado quer atrelar o caso dele aos de Renan Calheiros e de Romero Jucá e ficar no STF. No caminho, tirou de Moro o manto de dono da verdade. A rapinagem, os acordos, os corruptos são suprapartidários. A questão é mais complexa.

    Ele não é qualquer um. Machado foi um cardeal do PSDB, líder do partido no Senado, braço direito de Tasso Jereissati e próximo de FHC.

    Foi companheiro do Tasso no CIC (Centro Industrial do Ceará), que pariu o pensamento do jovem empresariado cearense e em 1986 derrotou os coronéis e promoveu uma mudança no estado.

    Orgulhava-se de ter sido o mais longevo presidente da Transpetro, o braço logístico da Petrobras. Foi tucano por dez anos, até migrar para o PMDB. “Renan, eu fui do PSDB dez anos, Renan. Não sobra ninguém, Renan”, afirmou.

    Por isso, Aécio, por exemplo, sabe que está frito. Não só ele, evidentemente.

    Machado implodiu o conto de terror que Moro e seus agentes estavam tocando com sucesso. O controle foi perdido para sempre. Os mocinhos continuam em falta, mas o número de bandidos ficou do tamanho do Brasil.

    De tabela, ajudou a destruir o governo do interino pelos intestinos — a pá de cal, já que Michel e seus capangas são garantia de tiro no pé todos os dias.

     

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