Do outro lado da reforma, Onyx e Maia não abdicaram de previdência especial

Enquanto Governo e Congresso atuam em conjunto para a aprovação das mudanças na aposentadoria dos brasileiros, o presidente da Câmara e a Casa Civil não abrem mão de suas aposentadorias especiais

Foto: Carolina Antunes/PR

Jornal GGN – A corrida pela aprovação da Reforma da Previdência continua, tanto do lado do governo de Jair Bolsonaro, quanto do Congresso. Mas enquanto os dois lados agora atuam em conjunto para a aprovação das mudanças na aposentadoria dos brasileiros, o presidente da Câmara e a Casa Civil não abdicam de suas aposentadorias especiais.

É o Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC), que manterá os benefícios de uma previdência especial para os parlamentares, que podem se aposentar com o salário integral, que é hoje de R$ 33,6 mil.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzini, também então parlamentar do DEM, estão entre os 175 deputados que decidiram não renunciar do benefício, e hoje estão na linha de frente da defesa da reforma da Previdência.

Os dados foram revelados pela ONG Ranking dos Políticos, após obter as informações da Lei de Acesso à Informação. Mais de um terço (34%) dos deputados federais da atual legislatura optaram por manter o recebimento do plano de previdência PSSC. Boa parte deles (53%) foram os reeleitos e 18% são os novos parlamentares, ou seja, os que assumiram a Câmara este ano.

Já no Senado, também a maioria (75%) dos reeleitos optaram pelo PSSC, e 2 dos 9 senadores que começam uma legislatura nova este ano aderiram ao beneficio. Na segunda Casa Legislativa, o partido que mais tem parlamentares que não abdicaram da aposentadoria especial é o MDB, com 7, seguido do PSDB, com 5. O PT figura também com 5 senadores que não abriram mão, mas proporcionalmente é uma das bancadas que menos manteve o benefício.

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Contraditoriamente, até o partido do atual presidente, Jair Bolsonaro, não deixou de seguir recebendo a previdência especial, com uma senadora que aderiu ao PSSC, Soraya Thronicke (PSL-MS). “É descontado mensalmente 11% sobre o valor total do meu salário. Além disso, é exigida uma idade mínima de 60 anos e 35 anos de tempo de contribuição, iguais para homens e mulheres, sem distinção”, assim justificou a parlamentar.

De acordo com o diretor-executivo do Ranking dos Políticos, Renato Dias, muitos dos novos parlamentares, principalmente do PSL, que recém abriram mão do beneficio o fizeram para “ganhar pontuação extra no ranking”, porque logo em seguida enviavam a informação à organização.

“A gente não fez uma comparação com a legislação passada, mas o que a gente percebeu foi um efeito manada em razão da reforma da Previdência. Muitos deles abriram mão do benefício e mandaram a informação para ganhar pontuação extra no ranking”, disse.

Conforme mostrou o GGN no especial “O loteamento de cargos do governo Bolsonaro”, Onyx é a figura chave do governo de Jair Bolsonaro para as articulações da Reforma da Previdência. Como ministro da Casa Civil, ele é a cabeça das nomeações, faz a articulação direta com os parlamentares, pede a aprovação de Jair Bolsonaro e assina o novo integrante da administração federal. A pasta de Onyx tem como principal função martelar todos os cargos e também tem papel nas exonerações, sempre com vistas em manter o bom fluxo dentro do Congresso – a governabilidade do mandatário.

Foto: Agência Brasil

Foi ele quem, em nome da reforma da Previdência e em mecanismos de troca de favores, anunciou a demissão dos mais de 3 mil servidores, boa parte deles de cargos comissionados ou de funções gratificadas nos Ministérios da Fazenda, Planejamento, Trabalho e Indústria e Comércio Exterior. Em sua própria pasta, Onyx demitiu outros 300 funcionários. Todos anunciados como o que seria o fim de uma prática antiética, com base na obtenção de apoio do Congresso para aprovação de medidas de interesse do governo.

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Hoje, mesmo estando na linha de frente pela aprovação da reforma no Congresso, não abdicou da sua aposentadoria especial como congressista. Em fevereiro deste ano, chegou a dizer que a reforma “não retira direito de ninguém, ao contrário, há um olhar muito fraterno por conta do processo que está sendo construído”.

 

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3 comentários

  1. Perfeitamente legal. É só promover um acordão: reajustam seus vencimentos em 43,98% numa dessas madrugadas. E depois é só proclamarem aos quatro ventos: “mas, contribuímos como qualquer trabalhador desse país e descontamos 20 a 29% para a previdência. Mais que qualquer trabalhador desse país. É nossa cota de sacrifício para esse amado país”.
    Simples assim.

  2. tanto a deforma da previdenssia
    como esses benefícios deveriam
    ser extintos;
    maria antonieta tb foi parar na guilhotina
    por ter tantos privilegios…

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