
O pacote foi repassado ontem à tarde por Renan e aliados aos ministros Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Edinho Silva (Comunicação Social) e Eduardo Braga (Minas e Energia). Ao todo, são 27 propostas legislativas divididas em três grandes eixos: a melhoria da proteção social, do equilíbrio fiscal e do ambiente de negócios.
De acordo com senadores da base, a sinalização de apoio às iniciativas ocorreu por parte de Dilma em reunião com líderes partidários do Senado, antes de receber líderes e parlamentares da base aliada para um jantar no Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência. “Aproveitamos o encontro e a comunicamos das propostas. Ela disse que já havia recebido o material de Michel Temer (vice-presidente e articulador político do governo) e que gostou. Ela até marcou um encontro na quinta-feira para dar continuidade nas conversas”, afirmou aoEstado o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE).
O fato de a agenda ter sido sugerida por Renan dá protagonismo ao presidente do Senado num momento em que o governo precisa dele para rejeitar a chamada “pauta-bomba” de projetos com aumento de gastos, isolando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Renan também é hoje considerado no Planalto como “fiel da balança” para segurar eventual processo de impeachment de Dilma no Senado.
O presidente do Senado estava afastado do Planalto desde março, na esteira do seu envolvimento na Operação Lava Jato. Um ministro disse ao Estado que a agenda apresentada por Renan ajuda o governo a preparar o pós-ajuste. Em mais de uma ocasião, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dirigentes do PT pediram a Dilma que virasse a página do ajuste fiscal e começasse a falar do que virá depois.
No jantar, promovido para reaproximar o Planalto do Senado, Dilma recebeu na segunda, 6, à noite no Alvorada 43 senadores e líderes da base do Senado e 21 ministros. No encontro, que durou cerca de quatro horas, a presidente apelou aos senadores para ajudá-la na votação de propostas de interesse do País.
Dilma não falou diretamente da atuação de Cunha, que rompeu com o governo há três semanas após ser citado em delação premiada na Lava Jato e impôs na semana passada duras derrotas ao Planalto. Renan não foi ao encontro – ele esteve com Dilma na quinta-feira passada.
“Ela pediu que os senadores ajudassem a Nação brasileira a superar este momento difícil, que prejudica a todos, não apenas ao governo”, contou o senador José Pimentel (PT-CE) após o jantar.
Agenda. Entre as medidas apresentadas no pacote de Renan está a aprovação de uma proposta que vincula a política de desonerações da folha de pagamento de empresas ao cumprimento de metas ou de preservação de emprego. Essa foi uma das medidas que mais agradaram ao Planalto. Auxiliares da presidente dizem temer que o projeto feito para rever as desonerações da folha das empresas, última etapa do ajuste fiscal, aumente as demissões.
Os projetos sugeridos também preveem um novo modelo de financiamento do Sistema Público de Saúde (SUS), além da realização de duas reformas tributárias: uma envolvendo o ICMS e outra do PIS/Cofins.
“Vamos apreciar todos os pontos do ajuste dentro dessa lógica da agenda”, afirmou Renan.
joao
11 de agosto de 2015 2:44 pmSo falta combinar com os adversarios
Cunha e sua tropa, o PIG e o judiciario sabe disso?
Alessandre de Argolo
11 de agosto de 2015 2:58 pmRenan é do MDB histórico
Pode falar o que for. É um nacionalista e já disse que é contra cortes nos direitos dos trabalhadores garantidos na Constituição Federal. Ainda tem compromisso com o país e não vai abandonar o governo. Ao que parece, bastou uma conversa e ele voltou a aintegrar a base aliada com toda a força, normalmente. Já não era sem tempo.
sergior
11 de agosto de 2015 3:35 pmAjuste nas costas dos trabalhadores
Segundo Paulo Henrique Amorim, são essas as propostas. Pelo visto, para manter o governo, Dilma aceita avançar o projeto neoliberal e colocar a conta dos desajustes no bolso e nas costas dos trabalhadores. Menos Saúde Pública, menos Educação Pública, mais terceirizações, mais PPPs, no estilo das feitas para os estádios da Copa, com garantia de receita. Para fazer isso valer, vota-se a toque de marcha o projeto de lei que tipifica “terrorismo” e aumenta as garantias jurídicas para o estado policial em implantação. Depois da lei das organizações criminosas de agosto de 2013, que levou para a cadeia quem se manifestou contra a Copa, mas também está levando petistas na LavaJato, esta nova criação da pena de Cardoso e Adams mostra a que lado este governo serve e não é ao lado dos trabalhadores.
OS PONTOS DA PROPOSTA
Melhoria do ambiente de negócios e infraestrutura
Segurança jurídica dos contratos: blindar as legislações de contratos contra surpresas e mudanças repentinas. Essa blindagem colabora para proteger a legislação das PPP, por exemplo, item relevante nestes tempos em que o país necessita de mais investimentos privados;
Aperfeiçoar marco regulatório das concessões, para ampliar investimentos em infraestrutura e favorecer os investimentos do Programa de Investimentos em Logística do Governo (PIL);
Implantar a “Avaliação de Impacto Regulatório”, para que o Senado possa aferir as reais consequências das normas produzidas pelas agências reguladoras sobre o segmento de infraestrutura e logística;
Regulamentar o ambiente institucional dos trabalhadores terceirizados, melhorando a segurança jurídica face ao passivo trabalhista potencial existente e à necessidade de regras claras para o setor;
Revisão e implementação de marco jurídico do setor de mineração, como forma de atrair investimentos produtivos;
Revisão da legislação de licenciamento de investimentos na zona costeira, áreas naturais protegidas e cidades históricas, como forma de incentivar novos investimentos produtivos;
Revisão dos marcos jurídicos que regulam áreas indígenas, como forma de compatibilizá-las com as atividades produtivas;
Estímulo ao desenvolvimento turístico, aproveitando o câmbio favorável, e à realização de megaeventos. Incluir a eliminação de vistos turísticos para mercados estratégicos, aliado à simplificação de licenciamento para construção de equipamentos e infraestrutura turística em cidades históricas, orla marítima e unidades de conservação;
PEC das Obras Estruturantes – estabelecer processo de fast-track para o licenciamento ambiental para obras estruturantes do PAC e dos programas de concessão, com prazos máximos para emissão de licenças. Simplificar procedimentos de licenciamento ambiental, com a consolidação ou codificação da legislação do setor, que é complexa e muito esparsa;
Equilíbrio Fiscal
Reformar a Lei de Licitações – Projeto da Senadora Kátia Abreu – PLS 559/13;
Implantar a Instituição Fiscal Independente;
Venda de ativos patrimoniais (terrenos de Marinha, edificações militares obsoletas e outros ativos imobiliários da União)
Aprovar a Lei de Responsabilidade das Estatais, com vistas à maior transparência e profissionalização dessas empresas;
Aprovação em segundo turno da PEC 84/2015, que impede o Governo Federal de criar programas que gerem despesas para Estados e Municípios e DF, sem a indicação das respectivas fontes de financiamento;
Regulamentar o Conselho de Gestão Fiscal, previsto na LRF;
Reforma do PIS/COFINS, de forma gradual com foco na “calibragem” das alíquotas, reduzindo a cumulatividade do tributo e a complexidade na forma de recolhimento;
Reforma do ICMS (convergência de alíquotas) e outras medidas a serem sugeridas pela Comissão Mista do Pacto Federativo;
Medidas para repatriação de ativos financeiros do exterior, com a criação de sistema de proteção aos aderentes ao modelo;
Revisar resolução do Senado que regula o imposto sobre heranças, sobretudo quanto ao teto da alíquota, levando-se em conta as experiências internacionais (convergir com média mundial – 25%);
Favorecer maior desvinculação da receita orçamentária, dando maior flexibilidade ao gasto público. Estabelecer um TAC Fiscal para “zerar o jogo” e permitir melhor gestão fiscal futura;
Ampliar idade mínima para aposentadoria, mediante estudos atuariais e levando-se em conta a realidade das contas da Previdência Social;
Proposta para reajuste planejado dos servidores dos 3 Poderes, de maneira a se ter uma previsibilidade de médio e longo prazo dessas despesas;
Priorizar solução para o restos e contas a pagar;
Proteção Social
Condicionar as alterações na legislação de desoneração da folha e o acesso a crédito subvencionado a metas de geração e preservação de empregos;
Aperfeiçoar o marco jurídico e o modelo de financiamento da saúde. Avaliar a proibição de liminares judiciais que determinam o tratamento com procedimentos experimentais onerosos ou não homologados pelo SUS;
Avaliar possibilidade de cobrança diferenciada de procedimentos do SUS por faixa de renda. Considerar as faixas de renda do IRPF;
Compatibilizar os marcos jurídicos da educação às necessidades do desenvolvimento econômico e da redução das desigualdades;
Compatibilizar a política de renúncia de receitas, no orçamento público, à obtenção de resultados positivos no enfrentamento das desigualdades regionais e na geração de emprego e renda (trata-se de determinação constitucional)
RSF
11 de agosto de 2015 4:05 pmAlgema, digo, AGENDA Renan…
AGENDA RENAN para salvar o Brasil…rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs….Renan, de fato, é um NACIONALISTA…rsrsrsrsrs…ele A-D-O-R-A tudo que da nação…rsrsrsrsrsrsrsrs…PRINCIPALMENTE O NOSSO DINHEIRO SUADO….
AGENDA RENAN para salvar o Brasil…rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs…
Anarquista Lúcida
11 de agosto de 2015 6:49 pmSe ela aprovar o pagamento pelos tratamentos no Sus o Sus acaba
Espero que nao o faça.
Cesário
12 de agosto de 2015 1:52 pmFinanciamento
Nós já pagamos bilhões na bitributação da maldita CPMF, e não houve melhora na saúde. Essa é uma nova tática de espoliar o trabalhador. Todo anarquista sabe que nenhum governo presta.
Andre B
11 de agosto de 2015 10:24 pmo golpe do ‘golpe’
O medo do ‘golpe’ tem sido mobilizado pelos governos do PT desde a carta aos banqueiros como uma forma de se colocar como vítima de suas ações anti-trabalho e ao mesmo tempo conter os movimentos sociais e a reação da população às medidas que a atinge diretamente. Mais um vez, o golpe do ‘golpe’ mostra sua cara. Dessa vez, o Senado na figura do Renan fica com a conta das ‘medidas impopulares’ e o governo sai como vítima ( e cúmplice) pois era necessário aceitar a ‘agenda positiva’ (palavras de Dilma sobre as propostas de Renan) para manter a ‘democracia’ frente à eterna ameça do golpe virtual. Depois do apoio do Globo (do PIG- Partido da Imprensa Governista), agora a aceitação da pauta ‘bomba’ para os trabalhadores em nome da govenabilidade. OS últimos a serem ouvidos, com marido/esposa traídos, serão os movimentos sociais (governistas – uma contradição em termos) na quinta feira. Claro, agora que tudo já foi acertado com os interesses dos ricos e poderosos para manter a ‘governabilidade’, os (des)movimentos (sociais) governistas serão ‘ouvidos’ para garantir o apoio e contenção das massas.
Nada de novo no front: primeiro anuncia-se com estardalhaço que haverá um golpe que nos levará a um período de trevas ‘como nunca antes na história’; depois em nome da preservação da ‘democracia’, da ‘governabilidade’ da ‘estabilidade institucional’, arma-se mais uma rodada de aprofundamento de politicas neoliberais e de ataque aos trabalhadores; por último chama-se os (des)movimentos (sociais) governistas para conter a massa.
Filme repetido muitas vezes, acaba perdendo público. A trama já não surpreende mais ninguém!