
Do Brasil 247
Alex Solnik
A péssima repercussão da vitória dos corruptos e de seus cúmplices, no Brasil e no exterior desmoralizou completamente o processo de impeachment.
Importantes jornais e revistas internacionais, como The Independent, New York Times, Der Spiegel e outros dividem suas páginas entre a perplexidade e o sarcasmo.
Suas manchetes destacam que uma gangue de ladrões está julgando uma presidente honesta, que um corpo de deputados invocando Deus, família e outros argumentos que não têm nada a ver com a discussão jogou na fogueira a mandatária por crimes que não existem, transformando o templo da democracia num ringue de box, na arquibancada de um jogo de futebol ou num sambódromo, abrindo um carnaval fora de época num momento que exigia seriedade e bom senso porque dele dependia o presente e o futuro de 200 milhões de brasileiros que participam com sua força de trabalho da sétima economia do mundo.
No Brasil, mesmo os que torciam pelo impeachment repudiam o espetáculo grotesco nas redes sociais e nas conversas de botequim. Os adeptos do sim são escrachados até nas transmissões esportivas, viraram motivo de deboche e de zombaria.
Seria de esperar que essa repercussão – não apoiada pelos principais órgãos de imprensa do país, cujas manchetes, apesar da oposição de alguns colunistas, vão na direção oposta, maquiando com as tintas da seriedade um circo de horrores – sensibilizasse a última instância do Judiciário, habitada, supostamente pela crème de la créme dos juristas nacionais, versados em vários idiomas, donos de incontestável saber jurídico, cujo QI é infinitamente superior ao dos deputados que jogaram o Brasil na vala comum do anedotário mundial.
Há poucas esperanças, no entanto, a julgar por suas últimas decisões e seu silêncio, de que o STF dê um basta nessa pornochanchada cujo autor do argumento, roteiro, direção e produção, apesar de tudo o que representa saiu – pasmem – fortalecido do episódio.
Ninguém percebeu, mas Eduardo Cunha assumiu, ontem, o poder do país.
Ao declarar que não reconhece mais a existência do governo Dilma, mesmo antes de o Senado se pronunciar – em outras palavras, declarou a presidência vaga, repetindo Auro Moura Andrade em 1964 – ele confirmou o que a nação já desconfiava: trata-se de um golpe. O golpe do Cunha.
Cunha tomou o poder ao declarar não só que não há mais governo Dilma, mas também que não haverá mais votações na Câmara enquanto o Senado não levar adiante o impeachment.
Portanto, quem manda no Senado também é ele, e não Renan Calheiros, guindado à condição de espectador privilegiado da crônica de um golpe anunciado.
Ao proclamar que a Câmara não votará mais nada, embora ela continue aberta, Cunha a fechou, tal como Getúlio fez em 1937, como se vê no magnífico “Imagens do Estado Novo (1937-1945)”, a obra prima de Eduardo Escorel, que, por uma terrível ou bendita coincidência foi vista em São Paulo na véspera da votação espúria.
Getúlio acabou com os partidos sob o pretexto de que seriam os responsáveis pela instabilidade política e social e decretou a intenção de governar em contato direto com o povo, que passou a lhe mandar cartas com sugestões sobre os mais diversos assuntos nacionais. E que eram, naturalmente, engavetadas.
Ao derrotar o governo por 2/3 da Câmara, Eduardo Cunha também acabou com os partidos, pois provou que partido algum tem a maioria, quem tem a maioria é ele. Depois de domingo, diante da fragilidade escancarada do PT, podemos concluir que há um partido só: o Partido do Cunha.
O documentário, cuja força reside mais nas imagens do que nas palavras traz à luz tenebrosos paralelos entre o golpe de Getúlio e o atual.
Tal como hoje, ele se apoiou numa constituição, por isso ninguém podia acusá-lo de ilegalidade. A lei, embora elaborada por um serviçal, o jurista Francisco Campos pavimentou o caminho da ditadura, com total concordância da imprensa. Nos dias atuais, o STF, que se proclama guardião da constituição nada encontra nas decisões monocráticas de Cunha que a contrarie. Nem a imprensa de massa.
Tal como em 1937, Deus e a bandeira nacional são, hoje, elementos fundamentais. O documentário de Escorel revela que a bandeira foi usada pela primeira vez como símbolo patriótico pelo Estado Novo. Cenas impressionantes mostram o primeiro ato da ditadura: uma cerimônia grandiosa, na capital da República, acompanhada por uma multidão, na qual as bandeiras estaduais foram incineradas, uma a uma, surgindo em seu lugar, com as bênçãos da Igreja, representada por um arcebispo e dos artistas, representados por Villa Lobos, que regeu um coro, a gigante e única bandeira verde-amarela. Bandeirinhas foram agitadas freneticamente pelos populares sorridentes que, tal como hoje, desconheciam que estavam saudando a transformação da democracia num regime de força.
Tal como fez Getúlio com os que se levantaram contra o golpe de 37, Cunha já ameaça processar deputados que o cobriram de elogios na votação de domingo. Seus fieis 2/3 certamente lhe darão sinal verde.
Tal como Getúlio, ele usa todos os meios de comunicação a seu favor, inclusive a TV Câmara. Não passa um dia sem dar entrevistas, ocupando muito mais espaço na imprensa do que qualquer outro líder, inclusive a presidente da República.
Enganam-se os que pensam e informam que a seguir do governo Dilma virá o governo Temer. Não, senhores, virá o governo Cunha. É ele quem vai fornecer – graças à força que conquistou domingo – a espinha dorsal do governo Temer.
Ou Temer obedece ou ele o derruba como derrubou Dilma. Não importa que sejam sócios; o sócio mais poderoso é ele. Foi ele quem deu a vitória a Temer. Temer é o seu poste.
Ninguém mais segura Cunha. O STF vai continuar fugindo à responsabilidade, alegando que a questão de sua cassação é de “interna corporis” e a “interna corporis”, na qual 2/3 lhe pertencem formará fileiras em sua defesa, esperançosa de, assim como ele, escapar às denúncias que os assolam.
Empossado formalmente na vice-presidência – mas presidente da República de fato – todos os malfeitos que mancham sua biografia, aqui e alhures, serão fatos do passado: quem tem um cargo como ele está prestes a ganhar só pode ser julgado por crimes praticados no seu mandato.
Além disso, também graças aos 2/3 da Câmara é ele quem vai eleger o próximo presidente da Casa, ampliando mais ainda seu poder.
É dele e não do povo brasileiro que, a partir de ontem, emana todo o poder.
vladimir Lopes Rosa
20 de abril de 2016 4:07 pmDITADOR
Ele esta usando as taticas do Hitler e ninguem percebeu, prega o ódio
mas para beneficio pessoal, vai engolir o Bonitao do vice facil e dar um golpe no PSDB
usando a lava jato pois de Geraldo a Aecio nenhum resistira uma investigação e por fim sera de fato o DITADOR com as benção da imprensa, STF e um bando de alienados.
Ari
20 de abril de 2016 4:30 pmUma dia as pessoas vão
Uma dia as pessoas vão entender, mais cedo ou mais tarde, que só se avança com democracia e que quando você a estupra, as consequências são destastrosas.
ljunior
20 de abril de 2016 4:57 pmInfelizmente isso nunca vai acontecer…
Daqui a 40 anos a Globo vai pedir desculpas por esse golpe. E ela, a FIESP, a OAB e o povo na Paulista vão estar à frente do golpe em 2066.
O povo NUNCA vai aprender.
Ari
20 de abril de 2016 5:16 pmEu não penso assim. 1964
Eu não penso assim. 1964 foram outros métodos. Muitos se arrependeream, mas suas liberdades de manifestação foram completamente retiradas pelo uso da força bruta.
Neste tipo de golpe atual, se concretizado, acredito que as emoções e decepções serão expostas ao extremo.
Deixo mensagens de Confúcio:
“Quando o Estado está a favor do caminho, aceite os grãos. Quando o Estado está fora do caminho, aceite os grãos e envergonha-se”
“Ao homem de bem é fácil servir e difícil de agradar. Agrade-o com alguma coisa que não respeite o caminho e não ficará comprazido. Ao homem mesquinho é difícil servir mas é fácil de agradar. Agrade-o com alguma coisa que não respeite o caminho e ainda ficará comprazido”
“Os três exércitos podem ser privados do seu comandante, mas um homem comum não pode ser privado de suas aspirações”
“Eleve os honestos sobre os malfeitores, e terá apoio do povo. Eleve os malfeitores sober os honestos e não terá apoio do povo”
Luciana de Lima Carezzato
21 de abril de 2016 2:49 amNão se iluda, se esse Governo
Não se iluda, se esse Governo assumir, a repressão será ferrenha, acabou o carnaval na rua. Basta ver como agem Alckmin, Richa e como agiu FHC. Já aprovaram Lei anti-terrorismo, já estão tentando censurar a internet,e a mídia já faz parte do golpe. Vai haver resistência e eles endurecerão na repressão. Não duvido que proibam manifestações, já mostraram que não estão nem aí para Democracia. Tempos negros nos aguardam.
fernandes
20 de abril de 2016 4:33 pmContinuará o butim
Pior do que se ver livre das acusações que o açodam é a continuidade delitiva que ocorre. São evidentes os indícios do crime continuado, o que ensejaria sua prisão em flagrante. Porém, segundo Gilmar (PSDB-MT), a Corte Maior é um órgão meramente consultivo quando se trata de atos praticados por essa figura notoriamente nefasta ao futuro do País.
Não merecemos isso. Não votamos nessa pessoa para presidir o País. Nem para vice sequer. E pela maneira que caminham as coisas a salvação, se vier, virá das pressões internacionais.
dudu cartucho
20 de abril de 2016 4:35 pmn vezes
Muito mais desmoralizante foi o julgamento do mensalão. E a presidente e o MJ não falaram um A.
To triste ou decepcionado.
No começo da farsa do mensalão eu ainda não tinha internet, mais liguem na tv tem, a globo daqui, (do J Hawila, aquele de tornozeleira nos esteites), pra reclamar.
Em 2010 tava aqui, o Gunther ainda estava do nosso lado, e todos os gdes comentaristas desse blog. E a eleita: nos ofereceu a mídia técnica.
Em 2012 dentre os gdes comentaristas daqui, pra mim o AA e a Cristiana C. detonou geral. E a presidente: cruzou os braços.
2014 outra guerra, e: ajuste fiscal.
O governo caiu por seus próprios méritos.
fernandes
20 de abril de 2016 4:39 pmDepois de melhor refletir, o
Depois de melhor refletir, o que pode ser a salvação, além da pressão internacional é a força das ruas.
ljunior
20 de abril de 2016 4:53 pmE o povo na Paulista…
… vai ovacionar seu grande herói!
Esse é o povo digno dessa republiqueta chamada Brasil!
jose carlos vieira filho
20 de abril de 2016 5:20 pmimpichi
Os que torciam pelo impichi esperavam o que?
agincourt
20 de abril de 2016 5:24 pmLança-chamas versus palito de fósforo.
Diz que Dudu Cunha já decorou o discurso de Auro de Moura, mas fez uns ligeiros mutatismutandis.
Diz que ficou assim: “Blá-blá-blá-blá… assim sendo, declaro vaga a presidência da República e proclamo e oficializo a República Cleoptocrática de Pindorama”.
Em frente à FIESP, Bolsonaro, o Trópico-fascista, rege a multidão que entoa o HINO DA REPÚBLICA.
Segue o comecinho do dito hino…
“Seja um pálio de luz desdobrado
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel, que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperanças de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!
“Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!”
Para quem quiser ouvir todo basta clicar aqui:
[https://www.youtube.com/watch?v=v64YLLd-ueA]
…
O faroleiro Luiz Inácio disse que se quisesse incendiaria o Brasil.
Pois é bom The Guy se apressar com seu palitinho de fósforo porque Dudu Cunha tá vindo com um bruto de um lança-chamas.
Luís Henrique Donadio
20 de abril de 2016 7:03 pmCunha não será “empossado
Cunha não será “empossado formalmente na vice-presidência”; a vice-presidência ficará vaga.
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Karl Marx, em O Dezoito Brumário:
Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Caussidière por Danton, Luís Blanc por Robespierre, a Montanha de 1845-1851 pela Montanha de 1793-1795, o sobrinho pelo tio. E a mesma caricatura ocorre nas circunstâncias que acompanham a segunda edição do Dezoito Brumário! Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada. Assim, Lutero adotou a máscara do apóstolo Paulo, a Revolução de 1789-1814 vestiu-se alternadamente como a república romana e como o império romano, e a Revolução de 1848 não soube fazer nada melhor do que parodiar ora 1789, ora a tradição revolucionária de 1793-1795. De maneira idêntica, o principiante que aprende um novo idioma, traduz sempre as palavras deste idioma para sua língua natal; mas só quando puder manejá-lo sem apelar para o passado e esquecer sua própria língua no emprego da nova, terá assimilado o espírito desta última e poderá produzir livremente nela.
O exame dessas conjurações de mortos da história do mundo revela de pronto uma diferença marcante. Camile Desmoulins, Danton, Robespierre, Saint-Just, Napoleão, os heróis, os partidos e as massas da velha Revolução Francesa, desempenharam a tarefa de sua época, a tarefa de libertar e instaurar a moderna sociedade burguesa, em trajes romanos e com frases romanas. Os primeiros reduziram a pedaços a base feudal e deceparam as cabeças feudais que sobre ela haviam crescido. Napoleão, por seu lado, criou na França as condições sem as quais não seria possível desenvolver a livre concorrência, explorar a propriedade territorial dividida e utilizar as forcas produtivas industriais da nação que tinham sido libertadas; além das fronteiras da França ele varreu por toda parte as instituições feudais, na medida em que isto era necessário para dar à sociedade burguesa da França um ambiente adequado e atual no continente europeu. Uma vez estabelecida a nova formação social, os colossos antediluvianos desapareceram, e com eles a Roma ressurrecta – os Brutus, os Gracos, os Publícolas, os tribunos. os senadores e o próprio César. A sociedade burguesa, com seu sóbrio realismo, havia gerado seus verdadeiros intérpretes e porta-vozes nos Says, Cousins, Royer-Coilards, Benjamm Constants e Guizots; seus verdadeiros chefes militares sentavam-se atrás das mesas de trabalho e o cérebro de toucinho de Luís XVIII era a sua cabeça política. Inteiramente absorta na produção de riqueza e na concorrência pacífica, a sociedade burguesa não mais se apercebia de que fantasmas dos tempos de Roma haviam velado seu berço. Mas, por menos heróica que se mostre hoje esta sociedade, foi não obstante necessário heroísmo, sacrifício, terror, guerra civil e batalhas de povos para torná-la uma realidade. E nas tradições classicamente austeras da república romana, seu5 gladiadores encontraram os ideais e as formas de arte, as ilusões de que necessitavam para esconderem de si próprios as limitações burguesas do conteúdo de suas lutas e manterem seu entusiasmo no alto nível da grande tragédia histórica. Do mesmo modo, em outro estágio de desenvolvimento, um século antes, Cromwell e o povo inglês haviam tomado emprestado a linguagem, as paixões e as ilusões do Velho Testamento para sua revolução burguesa. Uma vez alcançado o objetivo real, uma vez realizada a transformação burguesa da sociedade inglesa, Locke suplantou Habacuc.
A ressurreição dos mortos nessas revoluções tinha, portanto, a finalidade de glorificar as novas lutas e não a de parodiar as passadas; de engrandecer na imaginação a tarefa a cumprir, e não de fugir de sua solução na realidade; de encontrar novamente o espírito da revolução e não de fazer o seu espectro caminhar outra vez.
De 1848 a 1851 o fantasma da velha revolução anda em todos os cantos: desde Marrast, o républicain en gants jaunes(1), que se disfarça no velho Bailly, até o aventureiro de aspecto vulgar e repulsivo que se oculta sob a férrea máscara mortuária de Napoleão. Todo um povo que pensava ter comunicado a si próprio um forte impulso para diante, por meio da revolução, se encontra de repente trasladado a uma época morta, e para que não possa haver sombra de dúvida quanto ao retrocesso, surgem novamente as velhas datas, o velho calendário, os velhos nomes, os velhos éditos que já se haviam tornado assunto de erudição de antiquário, e os velhos esbirros da lei que há muito pareciam defeitos na poeira dos tempos. A nação se sente como aquele inglês louco de Bedlam vivendo na época dos antigos faraós e lamentando-se diariamente do trabalho pesado que deve executar como garimpeiro nas minas de ouro da Etiópia, emparedado na prisão subterrânea, uma lâmpada de luz mortiça presa à testa, o feitor dos escravos atrás dele com um longo chicote, e nas saídas a massa confusa de mercenários bárbaros, que não compreendem nem aos forçados das minas e nem se entendem entre si, pois não falam uma língua comum. “E me impuseram tudo isto” – suspira o louco – “a mim, um cidadão inglês livre, para que produza ouro para os faraós!” “Para que pague as dívidas da família Bonaparte” – suspira a nação francesa. O inglês, enquanto esteve em seu juízo perfeito, não podia livrar-se da idéia fixa de conseguir ouro. Os franceses, enquanto estiveram empenhados em uma revolução, não podiam livrar-se da memória de Napoleão, como provaram as eleições de 10 de dezembro. Diante dos perigos da revolução, ansiavam por voltar à abundância do Egito; e o 2 de Dezembro de 1851 foi a resposta. Não só fizeram a caricatura do velho Napoleão, como geraram o próprio velho Napoleão caricaturado, tal como deve aparecer necessariamente em meados do século XIX.
E, claro, nós não temos nada melhor para fazer do que invocar o fantasma de Getúlio e parodiar as derrotas, os suicídios, as renúncias e as capitulações da nossa própria Segunda República. Ora Dilma como o novo Getúlio-Jânio-Jango que deve se imolar espetacularmente para garantir uma nova derrota que sirva de símbolo pelas próximas cinco décadas, ora Cunha como o Getúlio do Estado Novo redivivo. Mas, para citar outros loucos que não o inglês em Bedlam – aqueles que se encontram, se questionam se já se conhecem, e acabam concluindo que as falsas lembranças que têm um do outro devem se referir a “outros dois”* – a situação é outra, e a oposição também. E enquanto não compreendermos isso, vamos continuar a repetir a história como farsa.
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* Os dois loucos no caso travam o seguinte diálogo:
– Desculpe, cavalheiro, mas tenho a impressão de que o conheço. Por acaso não nos encontramos no XIII Congresso de Oftalmologia em Quixeramobim?
– Não me parece provável, meu senhor, pois não sou oftalmologista, e jamais estive em Quixeramobim.
– Pois olhe que coincidência – agora que o senhor mencionou o assunto, me dou conta de que também não sou oftalmologista, e de que também nunca estive em Quixeramobim.
– Bom, então isto explica tudo, meu caro: evidentemente, eram outros dois.
Alex Back
20 de abril de 2016 10:11 pmInterna corporis
Cunha serviria bem a Nação com sua morte súbita, por alguma causa “interna corporis”.
Já iria tarde. Muito tarde!
Luís Henrique Donadio
22 de abril de 2016 2:21 pmVasos ruins…
Infelizmente, o falecimento de Antonin Scalia parece ter preenchido a cota desse tipo de milagre para 2016.