17 de junho de 2026

As mentiras estatísticas sobre a Covid-19, por Luis Nassif

É conhecido que, quanto menor a cidade, melhor condição de enfrentar a pandemia, pela falta de interação maior com cidades maiores.
Reprodução

A natureza complexa da pandemia, com estatísticas diversas sobre países, estados, municípios, regiões de saúde, permitem o exercício preferencial dos sofismadores: chutar estatísticas contando com a dificuldade do interlocutor de dispor dos dados na hoira.

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Na CPI, senadores governistas abusaram desse jogo.

Um deles, para mostrar as virtudes excelsas da cloroquina, apresentou dois casos de sucesso: Rancho Queimado e Ilha Grande.

Diferente do que foi dito pelo senador na CPI, Rancho Queimado teve 3 casos de morte por covid-19. Em março deste ano circulou pelas redes sociais um vídeo que dizia que a cidade não tinha observado nenhum óbito por covid. O vídeo foi desmentido pelo Estadão, em sua agência de checagem.

Diz a matéria que a prefeita da cidade confirmou que foram duas mortes relatadas, sendo que um dos pacientes tomou o kit-covid e o outro não.

Vamos conferir os números:

Rancho Queimado tem 2.878 habitantes e 0,52% de taxa de mortalidade.

Ilha Grande tem 9.426 habitantes e 1,85% de taxa de mortalidade.

Vamos primeiro aos números gerais:

  1. Dos 5.300 municípios brasileiros, 190 tiveram indicadores de mortalidade inferiores a 0,52%. 2.130 tiveram índices melhores que os 1,85% de Ilha Grande.

É conhecido que, quanto menor a cidade, melhor condição de enfrentar a pandemia, pela falta de interação maior com cidades maiores.

Confira as cidades com maior número de habitantes, que tiveram indicadores  inferiores a 0,52%.

Em relação à taxa de 1,85%, repare que até uma capital com população elevada como Aracaju, com 657 mil habitantes, teve desempenho melhor que Ilha Grande

Cidades com menos de 0,50% de taxa de mortalidade

Cidades com menos de 1,85% de mortalidade

Confira a distribuição da população, de acordo com os índices inferiores de mortalidade.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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