Jornal GGN – A postura do presidente Jair Bolsonaro de minimizar a gravidade do coronavírus no Brasil impactou diretamente em como a população vem se comportando para evitar a propagação do novo coronavírus. A conclusão pode ser obtida com o cruzamento de dados do Instituto Datafolha com a Ipsos, divulgados nesta segunda-feira (30), que tratam do comportamento das pessoas e da análise de médicos sobre as reações à pandemia do Covid-19.
O Datafolha entrevistou 1.558 pessoas, entre os dias 18 a 20 de março, sobre os comportamentos individuais frente ao coronavírus. A Ipsos consultou médicos do Brasil para conferir a percepção da população diante das medidas esperadas.
No cruzamento das duas pesquisas, o GGN identificou que as recomendações sanitárias da Organização Mundial da Saúde (OMS) não foram assimiladas pela maioria da população e que ainda é preciso avançar na conscientização geral, tendo impacto para isso o comportamento das autoridades oficiais e do presidente Jair Bolsonaro na seriedade da pandemia.
O Datafolha identificou, por exemplo, que somente 37% dos entrevistados deixaram de sair de casa para trabalhar nos últimos dias. Já os estudantes tiveram uma permanência maior em casa, 55% dos consultados, dados que podem ser atribuídos às próprias instituições, que muitas delas fecharam e suspenderam as aulas.

Já a Ipsos revelou que a maioria dos médicos de diversas especialidades, incluindo infectologistas, pneumologistas, cardiologistas, entre outros, não confia que os brasileiros estão preparados: 56% deles afirmaram que os cidadãos estão “nada” ou “pouco” preparados em termos de conscientização para enfrentar o coronavírus.

Os levantamentos concluem que os brasileiros estão pouco conscientes e que a maioria deles não deixou de sair de casa para ir ao trabalho, não cumprindo desta forma a quarentena e o isolamento social recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e apontado por especialistas de todo o mundo como a única saída concreta na atualidade para diminuir a curva de contágios simultâneos.
Em meio a estes dados, o presidente Jair Bolsonaro não modificou a postura de rebaixar a importância do vírus a nível mundial. Enquanto o mandatário insistiu nas últimas semanas que se trata de uma “gripezinha”, “fantasia”, “neurose” e “histeria”, o Brasil é o país com mais casos confirmados de coronavírus na América Latina, atingindo 4.330 na manhã desta segunda-feira (30).
O impacto do comportamento do presidente na população pode ser confirmado, ainda, por outro dado do Instituto Datafolha: os eleitores de Bolsonaro são os que têm menos cuidados para evitar o Covid-19. Enquanto 42% dos eleitores de Fernando Haddad disseram permanecer em quarentena voluntária, 37% dos eleitores de Bolsonaro o fizeram.
Da mesma forma, mais da metade dos eleitores de Bolsonaro (58%) deixaram de ir a cursos, escolas ou faculdade, e a metade dos de Haddad (50%) não foram. Essa consciência é ampliada no tempo esperados por ambos os grupos na duração da pandemia: enquanto os que votaram em Haddad acreditam que durará 90 dias, os eleitores de Bolsonaro acreditam que será no máximo 60 dias.

Por fim, nas consequências econômicas, 56% dos eleitores do ex-prefeito de São Paulo acreditam que impactará “por muito tempo”, contra somente 44% dos eleitores de Bolsonaro que pensam assim.
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