Dominguetti e Blanco estiveram no jantar que marcou pedido de propina

Em depoimento à CPI, tenente-coronel confirmou que levou representante da Davati em encontro com Roberto Dias

Ex-assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – O tenente-coronel Marcelo Blanco confirma que levou o cabo Luiz Paulo Dominguetti ao ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, no dia 25 de fevereiro. O encontro ocorreu no restaurante Vasto, em Brasília, onde Dias teria feito o pedido de US$ 1 por dose de vacina como propina.

“Nessa semana, o fato do Dominguetti estar em Brasília e ter participado de uma agenda no SVS (Secretaria de Vigilância à Saúde), ele faz contato comigo e diz que gostaria de ter uma agenda no departamento logístico”, disse Blanco à CPI da Pandemia. “Eu tentei contato com o departamento logístico, com o diretor (na época, Roberto Dias) e a informação que eu consegui e eu passei ao Dominguetti foi a seguinte: se por ventura você conseguir agenda, ela só poderá se dar ou na quinta ou na sexta-feira, porque eu fui informado que o diretor não se encontra em Brasília. Você só vai conseguir ter essa agenda ou no dia 25 ou no dia 26”.

“Não haveria como, depois dessa minha fala com ele, Dominguetti ter certeza de que a agenda seria no dia 25, porque isso eu só fui conversar com o Dominguetti no dia 25”, disse Blanco. “E de que maneira: eu consigo falar com o diretor no dia 25, eu não me recordo em que momento do dia, foi uma conversa relativamente rápida, ele vinha voltando de viagem, tinha uma série de demandas no Ministério e ele comentou que estaria no Vasto mais tarde, à noite”.

Segundo Blanco, foi um comentário “natural”, mas que não tinha ocorrido a ele no momento. “Eu já tinha interesse de tratar com Dominguetti no mercado privado, eu sugiro ao Dominguetti: ‘Dominguetti, aproveitando que você me disse estar hospedado próximo ao Brasília Shopping, o que você acha: eu me encontro contigo lá, a gente come alguma coisa, eu trato de privado, o Roberto deverá estar no Vasto, falou que estaria, eu te apresento o diretor e você pede a sua agenda. E assim se deu”.

‘Não dá para aguentar isso’

Logo após essa explanação, o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD), ressaltou que ‘não dá pra aguentar’ as colocações do militar. “Coronel, o senhor sabe que, em janeiro, o coronel Elcio Franco editou uma portaria dizendo que quem só tratava de vacina era ele”. Blanco disse não saber – “como não? Ah, faz favor”, ressaltou Aziz.

“E o Roberto Dias sabia também, como não sabia? (…) Coronel Elcio Franco fez uma portaria dizendo que quem tratava de vacina, a partir daquele momento, era ele e não mais ninguém. Retirou todos os poderes, esvaziou o Roberto Dias, trocou todos os assessores dele por outras pessoas, isso era do seu conhecimento. Agora, o senhor chega aqui e dizer que foi uma coincidência? Não!”, ressaltou o presidente da CPI.

Questionado por Aziz sobre quem estava presente no jantar, Blanco afirma que era ele, Dominguetti, Roberto Dias e o Ricardo (“um amigo do Roberto”). “Nesse dia, o senhor Roberto Dias não apitava nada sobre vacina. E não batem essas conversas por causa de questões (…) O conflito é esse”.

“O conflito é esse, dos coronéis com uma representação que já havia ocupado o território do Ministério da Saúde”, interveio o relator, senador Renan Calheiros (MDB). “O conflito é esse, que naquele momento o Roberto Ferreira Dias não mandava mais nada, tinha sido retirado da negociação (…) Cuidava do restante das atribuições e das competências do Ministério da Saúde”.

Depois de reafirmar que não tinha conhecimento da portaria que concentrava as decisões de compras de vacinas em Elcio Franco, Blanco disse que o encontro com Dias no Vasto não foi casual. “Eu não falei que foi um encontro casual, eu sabia que o Roberto estaria no Vasto. Eu posso ter sido inconveniente de ter levado o Dominguetti lá sem a ciência do Roberto? Até posso ter sido, mas eu não vi mal algum porque ele me disse, e assim aconteceu no jantar (…)”.

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