Escolha de Cascavel se deu apenas por vínculo com Pazuello, ressalta Vieira

Embora ex-assessor tenha tentado falar de trajetória política em Roraima, senador afirma que “histórico não traz nenhum tipo de recomendação”

Senador Alessandro Vieira (Cidadania). Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Jornal GGN – A escolha do empresário e ex-deputado federal Airton Soligo, conhecido com Airton Cascavel, para atuar como assessor no Ministério da Saúde se deu exclusivamente por conta de seu relacionamento pessoal com o ex-ministro Eduardo Pazuello.

Durante a inquirição do senador Alessandro Vieira (Cidadania) na CPI da Pandemia, Cascavel falou desde a época que conheceu Pazuello (durante intervenção federal no estado, em 2018), passando por sua história política e pela falta de formação na área de saúde – “especificamente não, tenho formação jurídica, MBA em gestão de pessoas, então é uma questão de gestor. Especificamente de ser médico, como tantos que tem essa formação, eu não a tenho”.

Vieira lembrou que Cascavel foi alvo de processo por corrupção ativa nos anos 80, que foi arquivado por prescrição (embora o ex-assessor fale que tenha sido absolvido) e de um processo por grilagem de terra junto com o filho do ex-senador Romero Jucá, dentre outros? É um processo que não há grilagem de terras. Existiu em um determinado momento, foi colocado como grilagem de terra – onde o advogado de defesa interveio mas teve o pedido de defesa indeferido.

O ex-deputado disse não saber do motivo do processo por grilagem de terra e que essa área sofreu invasão, que ocorreu desobstrução pela invasão de sem-terra, e ressaltou que o título dessas terras foi adquirido há 14 anos e que era algo legítimo, mas não soube informar se ele foi encerrado (mas afirmou que não foi condenado). Questionado sobre seu papel no governo de Roraima, Cascavel se disse vítima como outras pessoas porque todas as indicações de governadores eram derrubadas pela assembleia legislativa, em decisão que disse ser política.

“Então a gente tem devidamente constatado aqui que o senhor foi convidado para atuar no ministério da saúde, no momento mais grave da saúde pública brasileira, não porque o senhor tenha formação ou experiência na gestão de saúde, o senhor não tem uma coisa nem outra – gestão de saúde, quando se fala em gestão de saúde comparada com a sua prefeitura da qual o senhor sai processado, não me parece que seja o melhor exemplo de gestão, sinceramente”, afirmou o senador.

Alessandro Vieira ressaltou que a formatação de uma equipe é fundamental para lidar com “a maior pandemia da história da humanidade, pelo menos na história recente nos últimos 100 anos”, e o senador ressaltou que claramente Cascavel foi chamado por um vínculo pessoal com o então ministro.

“Seu histórico também não traz nenhum ponto a recomendação de nenhum tipo de aptidão particular para esse tipo de manejo, pelo contrário, como exemplifiquei tem todos esses processos registrados. O resultado não poderia ter sido diferente” pontuou, embora tenha agradecido Cascavel por ter atendido a demanda do estado de Sergipe. “A sua participação foi irregular, o seu convite é inadequado sob o ponto de vista da gestão pública, mas particularmente o estado de Sergipe foi atendido no momento em que precisou e faço questão de fazer um agradecimento em nome dos sergipanos”.

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