Jurema Werneck ressalta falta de liderança nacional na condução da pandemia

Diretora-executiva da Anistia Internacional-Brasil afirma que “faltaram muitas coisas” para que o número de mortes no país fosse reduzido

Diretora-executiva da Anistia Internacional e coordenadora do Movimento Alerta, Jurema Werneck. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – Enquanto era questionada pelo relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL), a diretora-executiva da Anistia Internacional-Brasil, ressaltou a falta de uma liderança nacional no gerenciamento da crise da pandemia de covid-19.

“O estudo do Alerta pega os números de mortes evitáveis, principalmente quando não havia ainda vacina disponível. É claro que a primeira vacina foi dada em janeiro, na Monica Calazans em São Paulo, todo mundo lembra”, explica. “Mas nós pegamos as 52 semanas, só as últimas poucas semanas desse período é que já tinha vacina, mas a primeira dose a gente não tem ainda um cinturão que a vacina pode fazer, ainda não chegamos nesse patamar”.

“Então, antes da vacina, o que a gente diz é que havia outras medidas que poderiam e deveriam ter sido adotadas, e se fossem adotadas salvariam vidas. É esse o cálculo”, pontuou Jurema. “Mesmo assim, nós chegamos a 305 mil mortes em excesso e 120 mil (com uso de medidas não farmacológicas) que poderiam ter sido evitadas. Se a gente conseguisse implementar as medidas de forma consistente, isso não teria acontecido”.

Ao ser questionada por Renan Calheiros sobre a forma como as medidas não farmacológicas foram implementadas no Brasil (e quais os resultados observados que são diferentes dos vistos em outros países no mundo), Jurema é categórica: “Faltaram muitas coisas – o doutor Pedro Hallal falou do desencontro de comunicação, as fake news, já falou… O nosso estudo, as nossas recomendações, quando a gente pede uma frente nacional, a gente está dizendo de outra forma é que faltou liderança nacional”.

Isso é necessário uma vez que, segundo Jurema, a liderança nacional tem todas as informações necessárias em mãos e consegue administrar. “Obviamente que é preciso ter união, é preciso que não haja essa política de salve-se quem puder, nem de uns contra os outros. É preciso que a liderança lidere, para que a gente possa, em uma mensagem única, garantindo a confiança da maioria da população, garantindo a adesão de todas e todos, fazer a diferença. Isso, infelizmente, faltou e ainda falta (…) É preciso liderança, e uma liderança nacional, firme, baseada em evidencias, que cumpra e faça cumprir as medidas necessárias para salvar vidas”.

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