“O maior número de contágios é familiar”, diz Osmar Terra

Afirmação do deputado levou a críticas de Omar Aziz: “o médico preserva a vida, e a economia vem em seguida”

Ex-ministro da Cidadania, deputado Osmar Terra (MDB-RS), e o presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – Os maiores responsáveis pela disseminação de covid-19 são as próprias famílias, uma vez que o número de contágios é familiar. A afirmação é do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) à CPI da Pandemia, no Senado Federal.

Crítico do isolamento social e do lockdown, o deputado disse em resposta ao relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que o país ficou com uma política “muito restrita” de lockdown, e que “não tem protocolos específicos, inclusive para se cuidar das pessoas dentro de casa”.

“O maior número de contágios é familiar, são as famílias que se contaminam. Pode ver que no hospital tá baixado o marido, a mulher, o avô, a criança”, disse o deputado.

“Então, não foi feito – o que foi feito foi simplesmente o fique em casa, chegando em casa a pessoa tira a máscara para usar só na rua, chegando em casa a pessoa tira a máscara, senta em grupos pequenos e fica conversando.  E se tá contaminado, vai contaminando todo mundo, ou o senhor acha que tem algum isolamento social na Rocinha, na Favela do Alemão? Isso é uma teoria, que na prática é outra realidade. É isso que eu critico desde o início”.

Questionado sobre o que deveria ser feito para conter a pandemia, Osmar Terra diz que se deveria “fazer o que sempre se fez em todas as pandemias – protocolos de segurança individual, protocolos de segurança para local de trabalho, protocolos de segurança para as escolas. Nós reabrimos as escolas no meio da pandemia de H1N1 lá no Rio Grande do Sul e não afetou nada, porque as crianças se contaminam mais fora do que dentro da escola”.

O deputado aproveitou a ocasião para alfinetar os governadores. “A intervenção é a proteção maior do grupo de risco que não foi feita pelos governadores. Não tem protocolos específicos (…) O presidente tá limitado, quem estabelece estratégia é o governador”.

Após essa colocação, o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), precisou intervir e interromper o depoente. “Deputado, não faça isso, o Ministério da Saúde não tem uma política para o Brasil, sanitária. Essa política que o senhor falou, que vossa excelência sugeriu para o governo do Rio Grande do Sul. Se vossa excelência tivesse sugerido para o presidente, ao invés de falar para ele sobre tratamento precoce, sobre imunização de rebanho, tivesse sugerido uma política pública e tivesse estudo com cientista, é lógico que seria adotado no Brasil. Se tá errado ou tá certo, nós não temos absolutamente nenhuma política macro no Brasil”.

“O senhor é médico e deputado, quem faz política sanitária no Brasil não é governador e nem prefeito, é o Ministério da Saúde”, continuou o presidente da CPI. “Aliás, Ministério da Saúde esse que é inchado, que não tem uma atividade fim no Brasil, não tem atividade fim – tá lá um prédio enorme de pessoas, e a gente perguntou para o ministro da saúde aqui, aquele que não é censor, que comprou a vacina que era US$ 10 por US$ 12, ministros, quantos infectologistas o senhor tem no seu quadro? nenhum. é isso, deputado”.

Omar Aziz ressaltou que o médico preserva a vida, e a economia vem em seguida. “O que aconteceu com o governo é que eles deram prioridade para a economia… Economia já vinha decadente antes da pandemia, então a pandemia não é justificativa para o número de desempregados, nós já vínhamos mal. Nós nunca estivemos bem. há muitos anos que o Brasil vem em uma decadência, e vem aumentando o número de desempregados. A pandemia é justificativa para se dizer que os governadores é que são culpados, os prefeitos são culpados”.

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