Pfizer tentou vender vacinas ao Brasil durante seis meses

Mensagens obtidas pela CPI da Pandemia revelam insistência e reserva de doses, que acabaram enviadas a outros países devido a falta de acordo

Jornal GGN – A comunicação enviada pela farmacêutica Pfizer ao governo brasileiro mostra que a empresa insistiu por cerca de seis meses na venda de vacinas contra covid-19 ao Ministério da Saúde.

Reportagem do jornal Correio Braziliense confirma tal insistência: documento enviado de forma sigilosa à CPI da Pandemia mostra que o presidente da empresa na América Latina, Carlos Murillo, pedia uma resposta à última oferta apresentada ao ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde coronel Elcio Franco, ressaltando que as tentativas de acordo duravam seis meses, e que esta seria a última chance para o país obter suas doses já reservadas.

“Encaminhamos, juntamente com as respostas ao ministério, três propostas de esquemas possíveis de distribuição e vacinação que são muito viáveis e de efetiva implementação considerando inclusive as características geográficas e climáticas do país”, afirma o presidente da Pfizer na América Latina, na época representante da empresa no Brasil.

Comunicado enviado em 02 de dezembro pela Pfizer frisou que, caso o Brasil não assinasse o memorando de entendimento não vinculativo até 07 de dezembro (prazo aberto como exceção pela matriz da empresa ao país), as doses reservadas seriam perdidas e colocadas à disposição para outros países da região.

A empresa chegou a enviar quatro mensagens em um único dia, o que Elcio definiu em seu depoimento como sendo “muito redundante”. O último contato feito pela empresa em 2020 foi em 15 de dezembro.

Quando Franco foi ouvido pela CPI, o senador e vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), contou 81 e-mails da Pfizer que foram enviados ao governo de Jair Bolsonaro sem que fosse fechado algum tipo de acordo.

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