Witzel afirma que trabalho contra a covid-19 foi ‘boicotado’

Ex-governador do Rio de Janeiro afirma que deputados agiram para atrapalhar trabalho de isolamento social no Estado

Ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – A gestão da pandemia no Rio de Janeiro foi boicotada por várias ações de deputados, afirmou o ex-governador fluminense Wilson Witzel à CPI da Pandemia nesta quarta-feira (16/06).

“Quando nós fomos inaugurar o hospital de campanha de São Gonçalo, um deputado do PSL, não vale nem a pena nominar o nome desse infeliz (Fillipe Poubel, do PSL). Ele invadiu o hospital de campanha de são Gonçalo. Ele entrou no hospital de campanha, sujou o hospital de campanha. O hospital estava pronto para ser inaugurado, nós tivemos que fazer uma nova limpeza do hospital de campanha”, disse o ex-governador.

Witzel ressaltou que os hospitais de campanha foram sabotados do começo ao fim “com essas reportagens estimuladas por esses deputados, que faziam inclusive carreatas no RJ contra o isolamento social e nós, lamentavelmente, tivemos dificuldades em fazer controle social”.

O ex-governador também afirmou que todas as praias foram fechadas, mas que algumas pessoas não colaboraram. “Inclusive um deputado federal levou a família para a praia para dar o mau exemplo. Foi abordado pela polícia militar, desrespeitou policial militar e nós tivemos, ao longo do meu mandato na gestão da pandemia, várias e várias ações de deputados que estavam boicotando a pandemia”.

“Mas com todas as dificuldades que nós tivemos, nós conseguimos evitar milhares de mortes”, disse Witzel. “Fizemos aquilo que foi possível no nosso entendimento e só não fizemos mais porque, conforme eu falei no início, nós não tivemos a coordenação do governo federal e tudo isso está registrado nas reuniões dos conselhos de secretários”.

Segundo o ex-governador, as sucessivas trocas de ministros dificultou a organização no combate à doença. “Parece que a troca de ministros é exatamente para isso, para evitar que nós tivéssemos a continuidade do trabalho de prevenção”.

Busca por leitos hospitalares

Witzel começou seu depoimento afirmando que decretou isolamento social em 13 de março de 2020. “Se não tomássemos medidas de isolamento social, teríamos mais de 150 mil mortos no Rio de Janeiro. Os profissionais do SUS se desdobram, mas é deficitário. Para fazer frente, precisávamos fazer isolamento social sob pena da curva de contaminação ser rapidamente elevada e não termos condições de atender os pacientes  nos leitos de CTI”.

Diante disso, Witzel afirma que foram buscar leitos na iniciativa privada. “Fiz reunião com a presença do procurador geral de justiça, do desembargador presidente do tribunal de justiça, do presidente da ALERJ, das associações de empresas de medicina, empresas de saúde e não havia leitos na iniciativa privada. Também não havia leitos no SUS”, explicou. “Em razão disso, nós pedimos os leitos dos hospitais federais, são mais de 600 leitos dos hospitais federais que foram disponibilizados”.

Por conta da demanda, foi necessário construir hospitais de campanha – e, segundo Witzel, a iniciativa foi boicotada por alguns deputados estaduais. “Um deputado, de forma alucinada, foi dizer na imprensa que tinha gasto nos hospitais de campanha de R$ 25 milhões com jardinagem. Mentira, porque a planilha dizia que era um gasto para limpeza de leito de CTI”.

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