21 de maio de 2026

Americanas antecipou resgate de dívida beneficiando credores na recuperação judicial

Se a empresa não tivesse antecipado os pagamentos, credores não teriam preferência na ordem de pagamento da recuperação judicial
Lojas Americanas seguem em atividade mesmo com recuperação judicial e rombo. Imagem: Flávya Pereira/Money Times

A Americanas antecipou parte dos pagamentos, e acelerou outra parte, do montante de R$ 1 bilhão em títulos de sua dívida nas semanas anteriores à divulgação de seu escândalo contábil de R$ 20 bilhões. 

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O jornal Folha de S. Paulo trouxe a notícia dando conta de que a antecipação de pagamentos referentes a vencimentos de 2026 ocorreu no dia 11 de janeiro, mesmo dia em que a companhia publicou o relatório com as “inconsistências”. 

Se a empresa não tivesse antecipado os pagamentos para o dia 11, os credores entrariam no grupo dos que não têm preferência na ordem de pagamento na lista da recuperação judicial, ficando atrás, por exemplo, de trabalhadores. 

Esta é apenas umas chamadas debêntures (leia abaixo). Há outras cinco associadas aos títulos da dívida da empresa, mas nesses casos os credores entraram na lista e terão de aguardar a ordem para receber o que investiram. 

A empresa se encontra desde o dia 19 de janeiro deste ano em recuperação judicial com dívidas na ordem dos R$ 43 bilhões, mais de 16 mil credores e 800 milhões em caixa. 

Títulos da dívida

Títulos privados de dívida são os vendidos por bancos, empresas e securitizadoras. Nesses títulos, a companhia pega dinheiro emprestado com os investidores em troca do pagamento de juros.

É a chamada debêntures, ou título de dívida que gera um direito de crédito ao investidor. Ou seja, o mesmo terá direito a receber uma remuneração do emissor periodicamente ou quando do vencimento do título.

Para a Folha, a Americanas respondeu que as decisões foram tomadas antes da divulgação de documento em que admitiu ‘inconsistências nos balanços’. 

Emissões

A emissão de debêntures LAMEA3, no valor de R$ 1 bilhão, foi feita pela Americanas em janeiro de 2019 com prazo de vencimento apenas para janeiro de 2026.

Na sua escritura, tinha uma cláusula que permitia o resgate antecipado, para que o pagamento fosse realizado a partir do dia 11 de janeiro de 2023. 

Em dezembro do ano passado, o então presidente da Americanas, Miguel Gutierrez, divulgou um comunicado ao mercado avisando que a empresa faria o adiantamento na data prevista pela cláusula. 

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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