Aumenta a revolta contra a Lava Jato, por Vinicius Torres Freire

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Jornal GGN – O apoio à força-tarefa da Operação Lava Jato está diminuindo, com críticas vindas tanto da esquerda quanto da direita ao autoritarismo do “partido da Justiça”. A análise é de Vinicius Torres Freire na Folha de S. Paulo, ressaltando que o ‘basta’ tem sido liderados por regentes auxiliares de Temer, como Gilmar Mendes.
 
O colunista ressalta que a ‘lambança’ na Operação Carne Fraca e o ‘pega um, pega geral’ das delações premiadas acabaram aumentando a revolta contra a operação. Freire também  analisa a possibilidade de um “acordão pacificador amplo e geral”, que enfrentaria obstáculos como a relação desgastada, desde 2014, entre petistas e tucanos. Além disso, o colunista também pergunta como estes partidos fariam para que as “”bases” engulam o acordão”.

 
Leia mais abaixo: 
 
Da Folha
 
 
por Vinicius Torres Freire
 
A MARÉ CONTRA o partido da Lava Jato não virou. Mas o apoio a jacobinos de Procuradoria, Justiça e polícia faz água na elite.
 
Articulistas e porta-vozes da direita à esquerda criticam o autoritarismo crescente do “partido da Justiça” e a demonização da política. Regentes auxiliares de Michel Temer lideram o basta, como Gilmar Mendes, entre outros.
 
O acordão do baixíssimo clero no Congresso ora conta com apoio explícito do clero rebaixado de PSDB e PT. Companheiros de viagem desses dois partidos e outras figuras mais respeitáveis na opinião pública elaboram a defesa intelectual do armistício.
 
Misturam-se os objetivos de conter extravagâncias do “partido da Justiça”, de evitar a destruição de empresas enroladas, de sufocar salvadores da pátria e de preservar a viabilidade eleitoral de partidos ditos menos podres.
 
Os jacobinos deram a deixa. A lambança policial na Carne Fraca e o “pega um, pega geral” das delações deflagram revoltas.
 
Há empecilhos legais e judiciais a um acordão pacificador amplo e geral, além de pedras no caminho político. O ódio mortal entre PSDB e PT, ainda os polos achatados da política partidária, atrapalha conversas desenvoltas.
 
Desde 2014, a estratégia é de destruição mútua. Desgraças comuns levaram os dois partidos, cada um por sua conta, a aderir a teses assemelhadas de salvação, uma comunhão involuntária de interesses.
 
Os dois partidos aceitam o que se pode chamar de “doutrina Aécio Neves”: se pegarem todos os ruins, sobram apenas os piores. Isto é, querem algum plano de anistia.
 
Um acordão pacificador de amplo espectro, que inclua também o PT, tem pelo menos três empecilhos maiores.
 
Primeiro, as pontes de diálogo foram queimadas. Desde o fim de 2014, quando começou a campanha para depor Dilma Rousseff, o PSDB imaginava que sairia limpinho da história com que amaldiçoou o PT.
 
Os tucanos levavam vantagem na luta livre até que o partido passou a ser vítima dos mesmos golpes. Procuradores, polícia e juízes ameaçam cabeças do PSDB, com apoio das “ruas”.
 
O PSDB baixou a bola desse jogo anti-PT, mas ainda diz que não vale “misturar todos na vala comum”. Falta diálogo para dar efeito prático ao acordão tácito.
 
Segundo empecilho: como fazer com que as “bases” engulam o acordão? O que o PSDB vai dizer às “ruas” da “ética na política”? Como explicar que casou em comunhão total de bens com o PMDB e deu gorjeta ao PT? O que o PT vai dizer às suas bases “Fora, Temer!” ao embarcar no trem da alegria dos “golpistas”?
 
Com jeitinho se inventaria mentira palatável. Mas então se chega ao terceiro problema: falta liderança capaz e legítima o bastante para acertar o armistício entre partidos e vender esse peixe para as “ruas”.
 
O acordão quer zerar o jogo, permitir que os “menos piores” “comecem de novo”. Mas tem também de entregar algumas cabeças e conseguir algum perdão do eleitor mediano.
 
Os partidos de podridão mais histórica podem até passar o acordão na marra, talvez deixando o PT de fora. Essa solução bruta atiçaria os jacobinos. O povo ficaria em revolta maior, muda ou não. A fúria daria força a salvadores da pátria e à desmoralização da política. Que era o que se pretendia evitar. QED. 
 
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