5 de junho de 2026

Bases de segurança israelenses no Brasil, por Rawa Alsagheer

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Bases de segurança israelenses no Brasil

por Rawa Alsagheer

Hagana Segurança: o sionismo armando o Brasil

No meio de nossas ruas, prédios e bairros fechados, cresce silenciosamente um projeto que não é apenas empresarial, mas ideológico. Seu nome é Hagana Segurança — e seu significado ultrapassa o marketing de “proteção patrimonial”. O que se expande aqui é o braço privatizado de uma lógica de ocupação colonial que vem da Palestina e se instala em território brasileiro.

Este artigo é uma denúncia. Técnica e política. Mas também um grito.

1. Nome de guerra: a memória colonial gravada na marca

Hagana (הגנה) não é só uma palavra hebraica que significa “defesa”. É o nome de uma milícia paramilitar sionista fundada em 1920, que atuou nas campanhas de limpeza étnica da Palestina entre 1947 e 1948. Foi responsável por massacres como o de Deir Yassin, pelo deslocamento forçado de centenas de milhares de palestinos e pela destruição sistemática de mais de 500 vilarejos palestinos.

O que poucos sabem — e que deve ser lembrado com indignação — é que essa milícia colaborou com o regime nazista nos anos 1930 por meio dos Acordos Haavara, negociando com o Terceiro Reich a transferência de judeus alemães à Palestina. Durante esses acordos, houve inclusive treinamentos militares coordenados entre membros da Hagana e oficiais nazistas. Sim, a lógica colonial permitiu alianças impensáveis quando o objetivo era a ocupação de uma terra e a substituição de um povo.

No Brasil, dar o nome “Hagana” a uma empresa de segurança não é inocente. É uma saudação a uma doutrina militar de ocupação e segregação. É uma marca que carrega sangue, expulsão e supremacia racial. Não se trata de “defesa”, mas de dominação.

2. Dos territórios ocupados para o mercado brasileiro: os fundadores como operadores da doutrina

A Hagana foi fundada no Brasil por Chen Gilad e José-Bernardo Markuz — ex-militares israelenses com atuação nas Forças de Defesa de Israel, responsáveis por sustentar o regime de ocupação da Palestina.

• Chen Gilad, filho de imigrantes israelenses, atuou em missões de controle e vigilância em Gaza e na Cisjordânia, especializando-se na repressão de movimentos civis palestinos, especialmente em zonas de resistência. Com experiência em inteligência militar, trouxe ao Brasil a lógica do “inimigo interno”: a ideia de que a sociedade civil deve ser vigiada preventivamente.
• José-Bernardo Markuz, também veterano das IDF, serviu em operações ligadas a checkpoints, controle de fronteiras e tecnologia de vigilância, atuando em projetos de rastreamento de líderes palestinos e contenção de protestos populares. Após o serviço militar, retornou ao Brasil e se juntou ao projeto Hagana como gestor do setor de inteligência e tecnologia.

Esses currículos não são antecedentes empresariais — são extensões da guerra colonial, agora aplicadas a um novo mercado: a vida cotidiana da população brasileira.

3. A tecnologia da repressão: da Palestina ocupada às cidades vigiadas

A Hagana não vende apenas serviços. Ela oferece um modelo de vigilância integral, baseado em tecnologias testadas nos territórios ocupados da Palestina. Algumas das ferramentas em uso hoje:

• SIGAH: sistema de reconhecimento facial com leitura em tempo real, usado para rastrear multidões.
• SABRAH: plataforma de IA que centraliza controle de acesso, biometria, identificação via WhatsApp e gestão de visitantes.
• CoSecurity: rede de totens azuis com câmeras, espalhados por bairros residenciais, com mais de 3.500 câmeras e 1.200 totens apenas na Grande São Paulo.
• Fast Gate, Fast Pass, monitoramento veicular, drones, alarmes conectados, video analytics, portarias remotas: um ecossistema completo de vigilância preditiva e automatizada.

Em Gaza, essas tecnologias foram usadas para caçar militantes, neutralizar jornalistas, monitorar crianças e punir famílias inteiras por seus vínculos políticos. No Brasil, o discurso é de “eficiência”, mas a lógica é a mesma: identificar, catalogar, controlar, punir.

O crescimento da empresa é alarmante:

• Em 2023, o Grupo Hagana atingiu R$890 milhões de faturamento.
• Projeta-se alcançar R$1 bilhão ainda em 2024, com expansão para Curitiba, Belo Horizonte, interior de São Paulo e região Sul.
• Hoje, já emprega mais de 13 mil funcionários.

Essa expansão não é mérito empresarial, mas resultado da exportação de uma doutrina de segurança racista e colonial.

4. A aceitação cúmplice do Estado brasileiro

Talvez a parte mais perversa de todo esse processo seja o silêncio e a omissão do Estado brasileiro. Como um país que se afirma democrático e soberano permite que ex-oficiais de uma potência ocupante operem uma empresa de segurança privada em território nacional, utilizando tecnologias importadas de um regime acusado de crimes de guerra?

A Hagana atua livremente no Brasil, com contratos públicos e privados, sem qualquer regulação crítica sobre seus vínculos, seu histórico ou seus métodos. O governo brasileiro, seja por ignorância, oportunismo ou conveniência, é cúmplice desse processo. Permite que uma empresa com DNA colonial colete dados massivos da população, controle entradas de condomínios, registre rostos, rastreie comportamentos — tudo sem transparência pública, sob o selo da “iniciativa privada”.

Essa aceitação institucional não é técnica. É política. E precisa ser interrompida.

5. O projeto real: vigilância racializada, privatização da repressão e colonialismo digital

O modelo da Hagana é o braço armado de um capitalismo de vigilância racial. Nos territórios ocupados da Palestina, o alvo era o palestino. No Brasil, o alvo são os pobres, os negros, os periféricos, os dissidentes. A lógica é a mesma: enquadrar a vida sob suspeita.

A Hagana privatiza funções tipicamente estatais: controle de espaço público, coleta de dados biométricos, policiamento indireto, contenção de populações. Tudo isso vendido como “segurança de alta performance”.

Mas o que está sendo instalado aqui é uma versão tropicalizada da ocupação israelense. Um apartheid algorítmico disfarçado de solução tecnológica. A arquitetura do controle se move por sensores, câmeras e contratos corporativos. Mas por trás disso está a mesma ideologia que bombardeia hospitais em Gaza e instala checkpoints em Nablus.

6. Romper, desmontar, resistir

É preciso romper. Agora.

Romper todos os contratos públicos com a Hagana. Romper com a normalização do sionismo enquanto modelo de segurança urbana. Romper com a ideia de que empresas podem vigiar populações inteiras em nome da “eficiência”.

Desmontar a Hagana é desmontar um projeto de colonialismo high-tech, que transforma cidades brasileiras em zonas ocupadas. É recusar a militarização da vida civil. É dizer que o povo brasileiro não será laboratório de técnicas de repressão exportadas de uma ocupação militar genocida.

O Brasil não precisa de mais vigilância. Precisa de soberania, dignidade e liberdade.

Romper com a Hagana é romper com a colonização silenciosa do nosso território. É recusar a submissão ao império da câmera, do dado, do medo. E, acima de tudo, é um ato de solidariedade com todos os povos oprimidos — da Palestina à periferia brasileira.

Rawa Alsagheer é coordenadora da Rede Samidoun e membra no comitê executivo do Masar Badil.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    1 de agosto de 2025 8:42 am

    Seria interessante verificar se existem relações entre essa empresa de segurança privada e a famigerada Cellebrite.
    A Cellebrite (uma espécie de Palantir israelense) é indistinguível dos serviços de inteligência militares de Israel. Ela presta serviços a inúmeras agências públicas de segurança (policiais e militares) em diversos países, mas costuma reunir dados coletados de maneira massiva em Israel.
    https://www.youtube.com/watch?v=8GqZ073kP00

  2. Milton

    2 de agosto de 2025 9:05 am

    A guarda de informações sobre indivíduos e empresas brasileiras deveriam estar sob a jurisdição, controle e cerrada supervisão de organismos do Estado Brasileiro e mantidos no território nacional. Nossa nacionalidade disposta em praça pública ao talante de qualquer pessoa/entidade estrangeira é colocar nossa segurança em risco. As ditas “big techs” são exemplo claro e alarmante do controle da sociedade brasileira por entes estrangeiros. O governo federal e o congresso deveriam estar trabalhando para o estabelecimento de limites na atuação e coleta/manutenção de ativos sociais dos nacionais.

  3. J.Carlos

    2 de agosto de 2025 7:55 pm

    Gente…! Vamos encurtar a conversa: Isso aí não pode de forma alguma! Ninguém, estrangeiro (ou mesmo nacional), pode reservar um espaço no território, reconhecidamente Brasileiro, e dizer: Vamos monitorar e fichar todo mundo que aparecer por aqui, achando-se ser uma extensão das nossas Polícias Nacionais Institucionalizadas. Os dessa Empresa de Segurança, não podem agir como fossem donos de partes do nosso território e ainda, se a nossa Lei ( 14967 de 2024, acredito), abre ‘brechas’ para instalação e operação desse tipo de empresa por aqui (achando que aqui é a Palestina), as brechas têm que ser ‘fechadas’ e tem que ir atrás dessa gente aí, e colocar dentro da Regulação, dentro da Lei!

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