Dilma explica a Rosa Weber que foi golpe por mais de 100 fontes

 
Jornal GGN – Para explicar à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o processo de impeachment no Senado foi um “golpe de Estado”, a defesa de Dilma Rousseff citou o Dicionário de Política, representantes de organizações internacionais de todo o mundo, juristas, cientistas políticos e filósofos, além de livro que reúne mais de 100 escritores.
 
Entre os estudiosos da América Latina, Cardozo fez referência ao Diretor do Departamento de Ciência Política e Estudos Internacionais da Universidade Di Tella, Juan Gabriel Tokatian, explicando o conceito do “neogolpismo” – usado, segundo o autor, quando se “pretende violar a Constituição do Estado” e “pretende-se preservar uma imagem de segurança institucional mínima”:
 
 
Mencionou Magdalena Lopez, do Instituto de Estudos sobre América Latina e Caribe (IEALC-UBA), que afirmou que “as novas estratégias de golpe, utilizadas pelas direitas em aliança com grandes meios de comunicação, corroem a legitimidade a partir do discurso”. 
 
Ainda usou as palavras do doutor em Ciência Política pela Universidade de Notre Dame, o pesquisador argentino Aníbal Pérez-Liñán, que em artigo explicou como o impeachment é usado como arma, sob a égide de um “recurso legal”, para resolver disputas políticas na América Latina.
 
Além dos especialistas, o documento de resposta à Rosa Weber também recupera as denúncias de golpe no Brasil feitas por Noam Chomsky, filósofo e linguista norte-americano; Adolfo Perez Esquivel, ativista de direitos humanos argentino e ganhador de Nobel da Paz; Michael Lowy, diretor de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (França); o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, além de jornais estrangeiros reconhecidos, em reportagens e editoriais.
 
Para somar à comprovação do termo “golpe” ao processo realizado no Brasil para afastar a presidente da República, Dilma Rousseff, o documento também lembra do livro “Resistência ao Golpe de 2016”, que traz uma coletânea de 103 artigos e entrevistas escritos por diferentes autores, todos afirmando que foi golpe de Estado.
 
Em determinado momento do texto, o ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, citou como referência à favor de Dilma o seu sucessor, Fabio Medina Osório, nomeado por Michel Temer para comandar a AGU. Isso porque Osório Medina concedeu uma entrevista antes mesmo de se tornar nome do Ministério de Temer, em 15 de abril de 2015, quando afirmou que o impeachment da presidente “seria realmente uma espécie de golpe institucional e provavelmente seria barrado no Judiciário”.
 
Á época, o posterior ministro era Presidente do Instituto Internacional de Estudos de Direito do Estado e foi questionado por reportagem do Diário do Grande ABC sobre a condenação de fatos ocorridos no passado, sem continuidade da prática em mandatos seguintes, o que seria uma “perspectiva retroativa” incabível.
 
Além disso, Cardozo também utilizou trechos das conversas gravadas do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com “importantes lideranças políticas brasileiras”, os caciques do PMDB Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney, para argumentar que “cabalmente” a “verdadeira razão deste processo de impeachment” é afastar “uma Presidente da República, pelo simples fato de ter cumprido a lei, ou seja, ter permitido que as investigações contra a corrupção no país avançassem de forma autônoma e republicana”.
 
Apesar de se tornarem domínio público, uma vez que os grampos das conversas entre os políticos vazaram à imprensa, esse trecho da resposta da presidente afastada poderá ser prejudicado. Ainda nesta quarta-feira (08), o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, negou à Dilma usar essas conversas como provas de sua defesa do impeachment, porque ainda tramitam em segredo de Justiça nas investigações da Lava Jato no STF.
 
Ao final, Dilma não só responde à Rosa Weber por que foi um golpe, como também anuncia que “tem tomado todas as providências que, dentro da lei, estão a seu alcance para evitar a consumação deste golpe de Estado”. 
 
Autoritarismo de Temer
 
O advogado de Dilma aproveitou o documento enviado à ministra do STF para afirmar que, assim como o “pedido de explicações” ao uso da palavra “golpe”, solicitado pelo governo Temer, a gestão do interino vem praticando “autoritarismo” em outras decisões. E citou a proibição do uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) à Dilma.
 
Cardozo criticou que, da mesma forma como a interpelação na Justiça é uma forma de controle da divulgação do “golpe”, o governo interino ignorou “as regras de segurança para o deslocamento presidencial”, ao determinar a restrição de aeronave oficial, com o objetivo de impedir que ela se locomova pelo país.
 
Defendeu o advogado:
 
 
A intenção de Temer seria, na visão da defesa de Dilma, “evitar os cada vez mais crescentes atos que denunciam a ocorrência de um golpe no país”, impondo-se “à Presidente da República afastada um tratamento muito inferior ao que o próprio Sr. Vice-Presidente da República possuía quando ainda não havia assumido a interinidade”, acusou. 
 
“Uma verdadeiramente anomalia, apenas justificada pelo autoritarismo dos novos tempos que vivemos”, completou. “Podemos afirmar, assim, que a presente interpelação faz
parte de um vasto conjunto de medidas tomadas para evitar que a palavra ‘golpe’ evidencie o que para muitos já está evidente”, justificou, em outro trecho.
 
Na conclusão, Cardozo depositou esperanças na força da Constituição. “Cumpre assim a Sra. Presidenta da República, com seu papel, apesar de todas as ameaças e intimidações, confiante em que as instituições brasileiras serão fortes para fazer respeitar a Constituição de 1988 e o Estado Democrático de Direito”, publicou.
 
Leia, abaixo, a íntegra da explicação de Dilma Rousseff à Rosa Weber:
 

34 comentários

  1. STF tem parte no golpe

    E por isso o Delcidio ta preso e a moeda de negociacao da pena dele é a nao delacao dos porcos desse chiqueiro.

  2. Crase.

    Paulo Athaydes. Saber aceitar as críticas, quando feita de forma técnica é uma virtude que enriquece. “A gente é mais sociável e melhor de conviver pelo coração que pela inteligência” – La Bruyère. He certas coisas que discutir humilha a inteligência. Esta é uma delas. Basta observar a composição da Academia Brasileira de Letras e as correntes que discordam sobre regras da língua portuguesa. Além disso, o idioma português não é um exemplo de primor para o mundo. Quem teve acesso ao Dicionário impresso Caldas Aulete sabe do infinito significado que as palavras possuem e como podem distorcer um pensamento quando escrita em português. Devemos deixar essa discussão para o lugar e o momento apropriado. Falar do idioma português gera tanta confusão quanto falar de futebol. E se a intenção fosse a de descaracterizar o conteúdo pela escrita seria uma estupidez e despreparo intelectual desprezível.    

  3. Explicando…

    … a resposta dada por Dilma, como o questionamento a que ela responde, não faz parte de uma investigação científica a respeito da natureza do golpe.

    Faz parte de um questionamento judicial, por parte de deputados e/ou outros agentes políticos, que se sentiram nominados quando a presidente e seu advogado usaram a palavra “golpe” para definir o processo de impeachment. Como em qualquer processo envolvendo os artigos 138 a 140 do Código Penal, o juiz – no caso, a ministra – encaminhou a quem fez os comentários as dúvidas de quem se sentiu atingido.

    O que estes vão fazer agora que sabem, não tenho a menor ideia. Mas não se espera que a ministra faça alguma coisa, salvo encaminhar a resposta a quem perguntou.

    Nem mesmo ler a resposta.

  4. Essa juíza é como os coxinhas e fascistinhas não lê nada

    que discorde de sua opinião, não vai ler nada, como os coxinhas quando tentamos argumentar não leem, duvido que ela leia uma linha sequer!!!

  5. Concurso

    A ggn perdeu uma ótima oportunidade de faxer um concurso literário de propostas para “como Dilma responderia a Weber”. Hveriam mais de 100 versões, tão rico é o golpe.

    A minha versão começaria assim: Tudo teve início quanfo uma juiza do país disse que “não precisava de provas para condenar”, e a partir de aí o golpe tomou rumo. (…)

  6. Ficou mal

    Se a Dilma deu 100 razões para mostrar que o golpe é golpe, como fica o stf? Até agora todos os políticos golpistas deram como razão para o golpe não ser golpe a próppria não ação do stf. E agora?

    A única maneira do stf se livrar de passar a ser stf de país que foi rebaixado pelo golpe a uma republiqueta de banans e com a ajuda do stf, é ele barrar o golpe.

    É incrível que eles não vejam isso.

  7. Legal, mas gostaria que a

    Legal, mas gostaria que a Dilma tivesse explicado também o golpe que deu em 54 milhões de eleitores, maquiando as contas públicas para poder se reeleger e praticando o maior estelionato eleitoral desde a reeleição de FHC.

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