19 de junho de 2026

FT: A máscara do guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, escorrega

‘O Sr. Carvalho sentou-se com a esposa, vestindo um terno xadrez de três peças, parecendo doado’, diz o texto. E arremata que, mesmo muito lido, seu pensamento é elusivo e esotérico.

Jornal GGN – Artigo de João Paulo Rathbone, no Financial Times, no dia 22 de março, descreve o guru político de Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho, no último final de semana na exibição, em Washington, de um filme sobre o mesmo. Presidente de direita do Brasil, diz o articulista, muitas vezes chamado de ‘Trump tropical’, Bolsonaro chegaria no dia seguinte para se encontrar com Trump, as ‘almas gêmeas políticas impetuosas’.

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Rathbone diz que, dentro do ‘governo fracassado’ de Bolsonaro, Olavo de Carvalho representa um grupo-chave, ‘os ideólogos do hardcore’. Bolsonaro, diz ele, chegou a mostrar uma cópia do livro mais vendido de Olavo, ‘O mínimo que você precisa saber para não ser idiota’, durante seu discurso de vitória eleitoral. Denegrir o Islã, os direitos esquerdistas e os gays, ou ‘gayzismo’, presentes em Olavo de Carvalho, provocaram uma audiência de mídia social de mais de 570 mil essoas.

Mas esse autodidata, filósofo e ex-astrólogo de 71 anos, fumador de cachimbo, é quase desconhecido fora do Brasil. Rathbone diz que Steve Bannon, o conservador americano e que coorganizou a exibição do filme, quer mudar este cenário. ‘Nos EUA, o movimento conservador atingiu o pico das boas ideias. É por isso que o Olavo é tão importante’, disse Bannon.

Os estranhos convidados no Trump International Hotel, em número de 80, também incluíam Eduardo Bolsonaro, filho do presidente e um ‘poderoso político por direito próprio’, diz Rathbone. ‘Não poderíamos ter vencido a eleição sem o Olavo’, disse o filho número 3, ‘sem Olavo, não haveria presidente Bolsonaro’, arrematou.

‘O Sr. Carvalho sentou-se com a esposa, vestindo um terno xadrez de três peças, parecendo doado’, diz o texto. E arremata que, mesmo muito lido, seu pensamento é elusivo e esotérico. Um tema recorrente, compartilhado por outros populistas, é uma insistência neo-marxista na hegemonia cultura, que ele afirma ter sido imposta pelos globalistas, a esquerda e o politicamente correto via escolas, partidos políticos, a grande mídia, e pasme, ‘notícias falsas’.

O articulista frisa que, por muitos anos, Olavo de Carvalho fez uma campanha solitária e desatendida. Mas, em 2013, os brasileiros começaram a canalizar o desgosto com a esquerda em uma série de protestos nacionais. Nesses episódios, muitos carregavam cartazes dizendo ‘Olavo estava certo’. E o Brasil, na sequência, sofreu seu maior escândalo e maior recessão. Lula foi preso e Bolsonaro chegou à presidência.

Bannon disse à plateia, durante a exibição, que ele tinha grandes esperanças para Olavo como um pensador ‘seminal’, e destacou o debate deste com Aleksandr Dugin, um filósofo fascista conhecido como o guru do presidente russo Vladimir Putin.

Segundo Rathbone, foi uma sorte que o filme, em vez de um panfleto político, foi uma homenagem à vida doméstica de Olavo. Ele deixou o Brasil em 2005 e agora mora na Virgínia. Uma bandeira americana tremula em sua varanda, sua família dá graças nas refeições, os cães abanam os rabos. Olavo dispara um rifle, fala sobre filosofia e fuma muito. Para o articulista, a impressão passada no filme era de um excêntrico plácido e altamente erudito, não o monstro espinhoso da reputação pública. Então a máscara escorregou.

‘A mídia é louca, todos os jornalistas são viciados em drogas’, o Sr. Carvalho gritou em seus comentários iniciais após o filme. ‘Tudo é fantasia!’

Rathbone conta que ele é famoso por escolher brigas e, mais recentemente, travou uma com o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, um general reformado moderado. ‘Eu o desprezo’, disse ele.

Então o articulista que foi a vez dele fazer a pergunta. Perguntou o que ele esperava que viesse da reunião de Bolsonaro-Trump. Olavo respondeu que os EUA deveriam ajudar o Brasil, escanteando a China.  ‘Os dois países produzem mais da metade da comida do mundo. Eles podem fazer uma aliança’, disse Olavo.

Quando o articulista reagiu, perguntando se era um cartel, Olavão explodiu. ‘Eu não chamei de cartel. Você está colocando palavras na minha boca, Você está distorcendo, malicioso. Você é mentiroso’.  Rathbone suspeitou, aí, de um golpe de publicidade, uma ‘fantasia’ para usar as próprias palavras de Carvalho.

Bannon foi mais surpreendente sobre jornalistas e ‘notícias falsas’, diz o autor. ‘O americano me disse: eu amo o Financial Times, mesmo que nos esforcemos um contra o outro’, finaliza.

 

Redação

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  1. Lúcio Vieira

    26 de março de 2019 11:09 am

    O tal autointitulado “fisólofo” do “Bolonsaro” tem o livro: ‘O mínimo que você precisa saber para não ser idiota’ apenas como um chamariz para seus cursos, pois quem deseja se tornar idiota por completo é só acompanhá-los. E para se tornar um imbecil, é só divulgar suas pérolas quebradas por ai. Mas para os que preferem ser chamados de energúmeno não precisa muita coisa, além de copiá-los: é só ser mal educado e incivilizado, usar de termos chulos e sair diariamente se degradando ao difamar as pessoas.
    Enfim, seguir a corrente “fisolófica” do barbarismo

  2. giorgio xeno

    26 de março de 2019 11:47 am

    Só uma coisa, acho que a expressão “os ideólogos do hardcore” foi mal traduzida.
    O correto seria “ideólogos hardcore”, isto é, ideólogos radicais.

  3. Anônimo

    26 de março de 2019 1:18 pm

    “Bannon disse à plateia, durante a exibição, que ele tinha grandes esperanças para Olavo como um pensador ‘seminal’ “….”
    E não é que o bannon estava certo?
    Olavo tem uns pensamentos da porra! (com as minhas desculpas pela expressão chula)
    São seminais tanto o bannon quanto o olavo.

  4. Carlos Elisio

    26 de março de 2019 9:55 pm

    E ainda fazem filme? Talvez um curta? Quantos segundos?

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