FT: A máscara do guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, escorrega

‘O Sr. Carvalho sentou-se com a esposa, vestindo um terno xadrez de três peças, parecendo doado’, diz o texto. E arremata que, mesmo muito lido, seu pensamento é elusivo e esotérico.

Jornal GGN – Artigo de João Paulo Rathbone, no Financial Times, no dia 22 de março, descreve o guru político de Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho, no último final de semana na exibição, em Washington, de um filme sobre o mesmo. Presidente de direita do Brasil, diz o articulista, muitas vezes chamado de ‘Trump tropical’, Bolsonaro chegaria no dia seguinte para se encontrar com Trump, as ‘almas gêmeas políticas impetuosas’.

Rathbone diz que, dentro do ‘governo fracassado’ de Bolsonaro, Olavo de Carvalho representa um grupo-chave, ‘os ideólogos do hardcore’. Bolsonaro, diz ele, chegou a mostrar uma cópia do livro mais vendido de Olavo, ‘O mínimo que você precisa saber para não ser idiota’, durante seu discurso de vitória eleitoral. Denegrir o Islã, os direitos esquerdistas e os gays, ou ‘gayzismo’, presentes em Olavo de Carvalho, provocaram uma audiência de mídia social de mais de 570 mil essoas.

Mas esse autodidata, filósofo e ex-astrólogo de 71 anos, fumador de cachimbo, é quase desconhecido fora do Brasil. Rathbone diz que Steve Bannon, o conservador americano e que coorganizou a exibição do filme, quer mudar este cenário. ‘Nos EUA, o movimento conservador atingiu o pico das boas ideias. É por isso que o Olavo é tão importante’, disse Bannon.

Os estranhos convidados no Trump International Hotel, em número de 80, também incluíam Eduardo Bolsonaro, filho do presidente e um ‘poderoso político por direito próprio’, diz Rathbone. ‘Não poderíamos ter vencido a eleição sem o Olavo’, disse o filho número 3, ‘sem Olavo, não haveria presidente Bolsonaro’, arrematou.

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‘O Sr. Carvalho sentou-se com a esposa, vestindo um terno xadrez de três peças, parecendo doado’, diz o texto. E arremata que, mesmo muito lido, seu pensamento é elusivo e esotérico. Um tema recorrente, compartilhado por outros populistas, é uma insistência neo-marxista na hegemonia cultura, que ele afirma ter sido imposta pelos globalistas, a esquerda e o politicamente correto via escolas, partidos políticos, a grande mídia, e pasme, ‘notícias falsas’.

O articulista frisa que, por muitos anos, Olavo de Carvalho fez uma campanha solitária e desatendida. Mas, em 2013, os brasileiros começaram a canalizar o desgosto com a esquerda em uma série de protestos nacionais. Nesses episódios, muitos carregavam cartazes dizendo ‘Olavo estava certo’. E o Brasil, na sequência, sofreu seu maior escândalo e maior recessão. Lula foi preso e Bolsonaro chegou à presidência.

Bannon disse à plateia, durante a exibição, que ele tinha grandes esperanças para Olavo como um pensador ‘seminal’, e destacou o debate deste com Aleksandr Dugin, um filósofo fascista conhecido como o guru do presidente russo Vladimir Putin.

Segundo Rathbone, foi uma sorte que o filme, em vez de um panfleto político, foi uma homenagem à vida doméstica de Olavo. Ele deixou o Brasil em 2005 e agora mora na Virgínia. Uma bandeira americana tremula em sua varanda, sua família dá graças nas refeições, os cães abanam os rabos. Olavo dispara um rifle, fala sobre filosofia e fuma muito. Para o articulista, a impressão passada no filme era de um excêntrico plácido e altamente erudito, não o monstro espinhoso da reputação pública. Então a máscara escorregou.

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‘A mídia é louca, todos os jornalistas são viciados em drogas’, o Sr. Carvalho gritou em seus comentários iniciais após o filme. ‘Tudo é fantasia!’

Rathbone conta que ele é famoso por escolher brigas e, mais recentemente, travou uma com o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, um general reformado moderado. ‘Eu o desprezo’, disse ele.

Então o articulista que foi a vez dele fazer a pergunta. Perguntou o que ele esperava que viesse da reunião de Bolsonaro-Trump. Olavo respondeu que os EUA deveriam ajudar o Brasil, escanteando a China.  ‘Os dois países produzem mais da metade da comida do mundo. Eles podem fazer uma aliança’, disse Olavo.

Quando o articulista reagiu, perguntando se era um cartel, Olavão explodiu. ‘Eu não chamei de cartel. Você está colocando palavras na minha boca, Você está distorcendo, malicioso. Você é mentiroso’.  Rathbone suspeitou, aí, de um golpe de publicidade, uma ‘fantasia’ para usar as próprias palavras de Carvalho.

Bannon foi mais surpreendente sobre jornalistas e ‘notícias falsas’, diz o autor. ‘O americano me disse: eu amo o Financial Times, mesmo que nos esforcemos um contra o outro’, finaliza.

 

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4 comentários

  1. O tal autointitulado “fisólofo” do “Bolonsaro” tem o livro: ‘O mínimo que você precisa saber para não ser idiota’ apenas como um chamariz para seus cursos, pois quem deseja se tornar idiota por completo é só acompanhá-los. E para se tornar um imbecil, é só divulgar suas pérolas quebradas por ai. Mas para os que preferem ser chamados de energúmeno não precisa muita coisa, além de copiá-los: é só ser mal educado e incivilizado, usar de termos chulos e sair diariamente se degradando ao difamar as pessoas.
    Enfim, seguir a corrente “fisolófica” do barbarismo

  2. Só uma coisa, acho que a expressão “os ideólogos do hardcore” foi mal traduzida.
    O correto seria “ideólogos hardcore”, isto é, ideólogos radicais.

  3. “Bannon disse à plateia, durante a exibição, que ele tinha grandes esperanças para Olavo como um pensador ‘seminal’ “….”
    E não é que o bannon estava certo?
    Olavo tem uns pensamentos da porra! (com as minhas desculpas pela expressão chula)
    São seminais tanto o bannon quanto o olavo.

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