Jornal GGN – “Não se assustem se alguém pedir o AI-5”, foi a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, durante uma entrevista coletiva em Washington, ao comentar sobre as manifestações nos países vizinhos ao Brasil, na América Latina.
Guedes tentou justificar que a reação de ameaçar com “botar AI-5” era uma resposta às convocatórias de manifestações nas ruas do Brasil feitas pela esquerda, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sem explicitadamente defender o AI-5, o ministro da Jair Bolsonaro mencionou o Ato Institucional 5, o pior da ditadura, como algo justificável para as reações populares.
“Assim que ele [Lula] chamou para a confusão, veio logo o outro lado e disse é, ‘sai para a rua’, vamos botar um excludente de ilicitude, vamos botar o AI-5, vamos fazer isso, vamos fazer aquilo. Que coisa boa, né? Que clima bom”, disse.
“Chamar o povo para rua é de uma irresponsabilidade. Chamar o povo para rua para dizer que tem o poder, para tomar. Tomar como? Aí o filho do presidente [Eduardo Bolsonaro] fala em AI5, aí todo mundo assusta (…) Aí bate mais no outro. É isso o jogo? É isso o que a gente quer? Eu acho uma insanidade chamar o povo para rua para fazer bagunça. Acho uma insanidade”, continuou.
Em declarações feitas no último mês, o filho de Bolsonaro, Eduardo, disse que se a esquerda radicalizasse no Brasil, como estava ocorrendo nas manifestações no Chile, o governo precisaria dar “uma resposta, que pode ser via um novo AI-5”.
“Sejam responsáveis, pratiquem a democracia. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”, questionou, comparando as atuais convocatórias de protestos com a suposta justificativa para os golpes militares e as ditaduras na América Latina. “Levando o povo para a rua para quebrar tudo. Isso é estúpido, é burro, não está à altura da nossa tradição democrática”, continuou.
João Bosco
26 de novembro de 2019 11:46 amForça e violência: as armas dos INCOMPETENTES, MILICIANOS e COVARDES.
Lâmpada
26 de novembro de 2019 12:01 pmConsequências de não ter havido nenhum “julgamento de Nuremberg” no Brasil.
Falar em AI-5 e tortura é mais fácil e comum que soltar um pum.
Edivaldo Dias de Oliveira
26 de novembro de 2019 12:19 pm” “Levando o povo para a rua para quebrar tudo. Isso é estúpido, é burro, não está à altura da nossa tradição democrática”, continuou.”
OI?
Antes de continuar, me fale um pouco mais dessa tal de “tradição democrática”, seu governo tá incluso nela, com falas como metralhar a petralhada, dois soldados e um cabo, “Sabe que eu sou a favor da tortura, tú sabe disso?”, mandar oposição para a ponta da praia, voto pelo impichtimam em homenagem a Ustra…e claro, os seus serviços prestados ao democrático governo chileno do Gal. Pinochet, o vermelho…do sangue da tortura, desaparecimento e morte de seu povo.
Renato Lazzari
26 de novembro de 2019 12:45 pm“Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo para quebrar a rua?”
Quando o “outro lado” é o povo e não rentistas baseados no dólar, que outro recurso há além de tomar as ruas? Que, a propósito, são do povo e não exclusividade desses rentistas. Ou vão querer privatizar as ruas, também? E afinal, quem falou em “quebrar as ruas”? O povo está falando em IR às ruas para protestar pacificamente…
Será que Capitalismo só funciona se for através de violentas e beligerantes ditaduras? Olha a gente, olha o Chile, olha tantos exemplos dos EUA sobre outros países…
Observador1
26 de novembro de 2019 12:58 pmNassif, o aviso de Paulo Guedes hoje em Washington (“Não se assustem, então, se alguém pedir o AI-5”) coincidiu com a maior cotação histórica do dólar, a R$ 4,26; com uma matéria da BBC mostrando que em um ano o número de pessoas que declaram ter renda zero para almoçar com R$ 1,00 no Bom Prato paulista subiu 250%; e com uma nota do presidente do STF reagindo à previsão do ministro da Economia, afirmando que o AI-5 é incompatível com a democracia, bem como de protestos de deputados federais contra um AI-5 que implica no fechamento imediato do Congresso Nacional — tudo sob o pretexto de que Lula estaria convocando o povo a ir às ruas para protestar contra reformas econômicas que o próprio Guedes já admite que podem ser adiadas, caso não sobrevenha o AI-5 e continuem essas reações às mesmas. Ou seja, parece que chegou a hora do tudo ou nada para o regime bolsonarista, que vinha sendo gestado desde que o “sapo barbudo” derrotou Serra em 2002, depois de três derrotas consecutivas em 89, 94 e 98, e novamente em 2006 se reelegeu vencendo Alckmin. Desde então, a religião se tornou arma de guerra ianque no Brasil, juntamente com o Ministério Público e o Judiciário. Motivo? Os Estados Unidos e a Europa, que hoje importam 55,7% e 50,4% do petróleo que consomem, sabem desde os anos 90 que a partir de 2025 passarão a importar 73,2% e 68,6% desse petróleo que nesta época do ano, faltando um mês para o começo oficial do inverno, é cada vez mais essencial nos 14.000 postos de óleo para calefação distribuídos entre os 23 estados norteamericanos mais afetados pelo frio. A previsão da Agência Internacional de Energia nunca foi desmentida e, assim como a cotação desse combustível sobe mais de 6,4% na Bolsa de Nova Iorque quando a previsão meteorológica prevê nevascas, era líquido e certo que o pré-sal brasileiro seria a salvação para os estadunidenses, caso a Venezuela continuasse dona de suas reservas petrolíferas. Ou seja, entre depor o “sapo barbudo” nacionalista e assumir o controle do pré-sal ou ficar sem combustível para enfrentar um frio invernal que abaixo dos 16º centígrados aumenta em 12% as mortes de portadores de males cardiovasculares e deixa os idosos, crianças e enfermos vulneráveis à mesma sorte, o Pentágono não hesitou em vencer a guerra da sucessão presidencial brasileira, transformando a corrupção política (que nos EUA é legalizada) em inimigo a ser vencido justamente por um ex-militar que jamais seria aprovado como candidato pelo Departamento de Tesouro norteamericano, por possuir patrimônio incompatível com seus vencimentos. Isto posto, vamos ao que interessa: está na hora de lançarmos um novo slogan (“O petróleo é deles”) e retomar a normalidade, sob pena dos Estados Unidos terem de usar suas novas bases na Amazônia e em Alcântara para conter uma guerra civil entre nós, provocada pela hecatombe econômico-neoliberal que nos assola, uma vez que a licença para matar que o Governo brasileiro está outorgando às polícias civil, militar e às Forças Armadas só irá piorar a situação, levando o país à insolvência econômico-financeira e à devastação de florestas essenciais para a manutenção do que resta de equilíbrio climático em todo planeta. Em outras palavras, o espetáculo de domingo último, quando a torcida do Flamengo enfrentou as bombas, balas de borracha e tropas de choque do Rio de Janeiro, destruindo duas viaturas da Rede Globo, irá se multiplicar pelo país afora, sem perdoar ao menos as novas viaturas hiper-blindadas do STF – caso este último não seja substituído por um Supremo Tribunal Miliciano até lá. Resta saber se Guedes fala em nome do “mercado” quando prenuncia o AI-5 ou se trata apenas do desabafo ressentido de um banqueiro extremista às voltas com o malogro continental de seu intento de extrair dos mais pobres a sustentabilidade dos lucros astronômicos de rentistas e de uma elite saudosa dos lucros auferidos durante a ditadura de 64. Resta saber se os responsáveis pelo PIB agropecuário que ainda sustenta a Nação, diante da falência da industrialização, concordam com a possibilidade de sofrer um boicote internacional ou o aviltamento do preço de suas comodities por causa desse regresso à ditadura plena, acompanhado pelo envenenamento de seus produtos através de agrotóxicos banidos no resto do mundo — enquanto for possível continuar produzindo-os, já que o desmatamento da região Norte vem incrementando a estiagem e consequente desertificação de suas fazendas no Sudeste, Centro Oeste e Sul brasileiros. Tudo isto vale ou não vale um xadrez para Guedes e seu golpista mantenedor?
peregrino
26 de novembro de 2019 1:04 pmEssa eu nunca vi…
o uso da tortura e da violência de Estado para o bem da economia
sinal de que eles estão considerando o povo como uma mercadoria de venda difícil
Edson J
26 de novembro de 2019 1:29 pmRepetindo-me e parafraseando aquela máxima do nosso passado sobre a saúva, ou o Brasil se livra logo desse exterminador ou ele acaba com o Brasil.
Anônimo
26 de novembro de 2019 2:18 pmMas que contraditório! fala em democracia mas, manifestações de rua, só valem se forem de direita contra o PT. Baixou nele, o espírito de seu ídolo augusto, Pinochet.
Vladimir
26 de novembro de 2019 2:22 pmQuem é que está chamando para quebrar tudo,cara pálida.
Acho que o moleque de Chicago está se referindo ao seu patrão nacional,aquele que diz que tem que destruir tudo para começar de novo.
Hipócrita! Bandido!
Hildermes José Medeiros
26 de novembro de 2019 2:44 pmE os canalhas, atuam só desrespeitando tudo, adotando medidas atrabiliárias de toda ordem, ainda têm a desfaçatez de dizer que Lula está radicalizando, quando o Presidente Lula está usando o espaço democrático ainda não invadido pelos usurpadores do poder para liderar a defesa dos atingidos por medidas do desgoverno Bolsonaro. Não dá para ser de outro jeito: não se pode fingir que não há problemas, e sérios, a resolver em prol do povo e do Brasil, e de onde partem esses constrangimentos: o governo do fascistoide Bolsonaro e sua trupe, parte do Congresso e do Judiciário, em marcha batida e açodada para implantar o modelo econômico neoliberal excludente (o horror econômico), a cargo do economista de mercado, Paulo Guedes, que com área financeira, Bolsa de Valores, câmbio e rendimentos de aplicações (não a popular caderneta de poupança), com juros altíssimos na ponta para os tomadores, tudo nas alturas, concentrando ainda mais a renda no país, mantendo um contingente de mais de quarenta milhões de brasileiros desempregados e subempregados, tendo tirado direitos sociais de grande parte da população, lançando mais de cinco milhões na miséria. E a Rede Globo fingindo que não vê, abrindo caminhos para continuar favorecendo o grande capital (brasileiro e estrangeiro). Não se pode ficar parado como se nada estivesse acontecendo, somente porque a extrema-direita no governo vem arrotando a possibilidade de usar um poder que não tem, mas que procura a todo custo estruturar. Nada a perder, se não as amarras e os constrangimentos. Esse o caminho da oposição, toda, nada a temer.