Para evitar greve de caminhoneiros governo anuncia crédito de R$ 500 milhões

Após episódio do diesel, governo faz reunião no Palácio do Planalto para vencer o descontentamento da categoria com o pacote de medidas que inclui ainda R$ 2 bi de investimentos em rodovias

Jornal GGN – O governo Jair Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (16) uma linha de crédito de R$ 500 milhões para a categoria dos caminhoneiros. O valor será disponibilizado será de até R$ 30 mil para profissionais com até dois caminhões no CNPJ via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A proposta surgiu de uma reunião realizada ontem (15), no Palácio do Planalto, e que contou com a participação do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e dos ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Paulo Guedes (Economia), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Santos Cruz (Governo) e Floriano Peixoto (Secretaria Geral) que discutiram medidas que funcionem como uma contrapartida para que o governo não interfira mais na precificação do diesel.

Na semana passada, a Petrobras havia anunciado um reajuste de 5,7% no preço do combustível nas refinarias, mas a medida foi suspensa em poucas horas por recomendação de Bolsonaro. O mercado reagiu à interferência e as ações da empresa na Bolsa de Valores sofreram desvalorização de 8,54% gerando uma perda de R$ 32 bilhões em valor de mercado da petroleira.

Ao ser questionado pela imprensa, Bolsonaro admitiu que telefonou ao presidente da estatal na noite de quinta, pedindo para cancelar o reajuste no combustível. Após a reunião desta segunda-feira, Castello Branco afirmou que a decisão de suspender o reajuste do óleo diesel foi empresarial, e não uma determinação do governo, assegurando que a petroleira é “livre” e “tem vida própria” em relação ao governo.

”A decisão foi tomada pela diretoria da Petrobras. Ninguém ordenou a Petrobras que [não] reajustasse. O presidente [Bolsonaro] alertou para os riscos”, completou segundo informações da Agência Brasil.

Na reunião, além da linha de crédito, o governo anunciou também que o ministério da Infraestrutura recebeu R$ 2 bilhões para serem investidos na conclusão de obras prioritárias e que atendam aos caminhoneiros, como a pavimentação da BR-163 e a recuperação da capacidade da malha rodoviária.

O pacote inclui ainda a construção de pontos de descanso em rodovias federais. O governo trabalha também na criação do cartão combustível Petrobras, direcionado para caminhoneiros com vantagens para reduzir o impacto da flutuação no preço do diesel.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, nos bastidores do governo a discussão é sobre a impossibilidade de evitar a flutuação do preço do combustível de acordo com a variação do valor do petróleo e câmbio. Por isso a ideia é vencer o descontentamento da categoria com o pacote de medidas.

Ao ser questionado sobre de onde sairão os R$ 2 bilhões para as obras rodoviárias, uma vez que o Orçamento Federal está sob contingenciamento, o ministro da Casa Civil respondeu que o ministério da Economia está estudando como equacionar o rearranjo.

“Vai fazer um rateio entre todos, cada um vai dar sua contribuição”, disse Lorenzoni.

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