Para Marcelo Neri, retrocesso social no país foi maior do que apresentado no IDH

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Jornal GGN – Para o pesquisador Marcelo Neri, da FGV Social, o retrocesso dos indicadores sociais brasileiros, demonstrado pela estagnação do Índice de Desenvolvimento Humano, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), é pior do que parece.

“Na verdade o que tivemos foi uma derrota grande”, afirma Neri, que afirma que o IDH subestima a queda de renda da população. O indicador leva em consideração o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, quando o dado mais importante para medir o bem-estar social é a renda.

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Do Valor

Indicador subestima queda da renda e retrocesso é pior do que parece, diz Neri

por Lígia Guimarães

O retrocesso social observado no Brasil desde 2015 é ainda pior do que mostra a estagnação do Índice de Desenvolvimento Humano, calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), afirma o pesquisador Marcelo Neri, diretor da FGV Social. “Os dados apontam um empate, que a gente não costuma ver como bom resultado, mas na verdade o que tivemos foi uma derrota grande. O retrato é pior quando você olha para indicadores mais abrangentes, e principalmente mais atuais”.

Neri afirma que a discrepância se dá porque o cálculo do IDH leva em conta o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, mas, para medir o bem-estar social, o dado mais relevante é a renda, que teve queda expressiva. “A pobreza já aumentou muito em 2015 e provavelmente em 2016”, afirma o pesquisador. Comparando as perdas por estrato social, Neri cita, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que enquanto a renda média do país caiu 7,04% naquele ano, a renda dos 5% mais pobres caiu 14%. A dos que ganham acima da mediana da distribuição de renda, que são os que recebem salários ou benefícios previdenciários corrigidos pelo salário mínimo, caiu menos: 3,8%.

 “Embora se fale que a recessão é a pior da história sob a ótica do PIB, a recessão do ponto de vista social é ainda pior”, diz.

 Para Neri, o ano de 2015 foi um mau exemplo de como aplicar o dinheiro público sem amenizar efeitos sociais da recessão, ou tampouco fortalecer a economia. “Os grandes perdedores foram os pobres, e de onde veio essa perda? De um congelamento nominal do Bolsa Família por dois anos, de 2014 a 2016, quando a inflação alcançou dois dígitos”, afirmou. Ele destaca que em 2015 a pobreza cresceu 19,33% no país, com o ingresso de 3,6 milhões de pessoas. Na estimativa da FGV, é pobre a pessoa que ganha aproximadamente R$ 210 per capita por mês, valor ajustado pelo custo de vida de cada região. “A extrema pobreza ela aumentou mais, 23%”.

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