5 de junho de 2026

Para sociólogo, nem governo nem oposição tem solução para crise política

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Jornal GGN – Autor do recém-lançado livro “O Impeachment de Fernando Collor”, o sociológio Brasiio Sallum crê que não há saída para a crise política, tanto porque o governo Dilma não sabe qual direção tomar, como a oposição não tem horizonte a seguir. Para ele, não há uma coalizão “clara e definida” que trabalhe pelo impeachment. Comparando com o impeachment do ex-presidente Collor, Sallum diz que, ao contrário daquela ocasião, não são os partidos que empurram as mobilizações, e sim o contrário.

Do Estadão

‘Nem governo nem oposição têm a saída’, afirma sociólogo

ALEXANDRA MARTINS 

Para autor de livro sobre Collor, não há coalizão clara para impeachment nem estratégia de Dilma para superar crise política

O sociólogo Brasilio Sallum, autor do recém-lançado livro O Impeachment de Fernando Collor, não vê saída para a crise política atual porque o governo da presidente Dilma Rousseff não tem clareza da direção a tomar nem a oposição tem “horizonte” a seguir. Para o professor da USP, os movimentos que defendem o afastamento da petista têm força para “empurrar” os partidos, mas isso é insuficiente para desencadear o processo político em si.

É possível o governo sair da crise política?

Passamos por incertezas que não têm respostas claras nem do governo nem da oposição. Paulatinamente, estamos amadurecendo. O fato de o governo tentar hoje ajustar as contas já é um enorme avanço em relação ao que antes da eleição se dizia, de que não estávamos em crise econômica, que o mundo era uma maravilha. Nós, pelo menos hoje, temos absoluta consciência de que devemos fazer alguma coisa. A crise política é grave por, no mínimo, três razões: pelo fato de a presidente ter perdido autoridade, pelo enfraquecimento da coalizão e pela baixa popularidade de Dilma. Por outro lado, as forças que se opõem a ela não têm horizonte claro a perseguir. Não sabemos a qual direção a presidente quer levar o País.

Quem se beneficiaria com um processo de impeachment?

Como não estamos vendo uma coalizão definida e clara, que trabalhe especificamente pelo impeachment, não se pode dizer que hoje haja beneficiários. Como funciona o processo? Você tem oposições, que se organizam contra o presidente, mas ao mesmo tempo se organizam em favor do vice. Na época do ex-presidente Fernando Collor, houve isso: uma coalizão entre PMDB, PSDB e PT, que se articularam contra o Collor, conseguiram maioria e atraíram ex-aliados do ex-presidente. É isso que não existe hoje.

As ruas podem hoje estimular esse movimento?

Os movimentos de rua não têm a menor condição de fazer isso hoje. As mobilizações da época do Collor foram articuladas com partidos e por uma rede de mais de 100 organizações. Os movimentos de hoje, desde os de 2013, não têm condução partidária. As ruas hoje empurram os partidos, mas não são empurradas pelos partidos. Parece que hoje a relação é inversa àquela verificada na época de Collor. Em geral, mobilizações sempre têm um cordel, são puxadas por aqueles que fazem parte do sistema político, mesmo em posição secundária. A questão é que os partidos não estão conseguindo dar direção à demanda. Os partidos estão muito desorganizados, têm alas diferentes com dificuldade de manter uma unidade, têm facções que agem de formas distintas.

Temos então só ameaças?

Há tentativas, ameaças, ‘pautas-bomba’. Mas os obstáculos são muito grandes para se alcançar o impedimento. Os sinais ainda não são totalmente claros, não é um movimento que será facilmente bem-sucedido. As dificuldades jurídicas e políticas serão bastante grandes, não vejo o impeachment visível no horizonte, embora haja movimentos nessa direção.

E o peso da Operação Lava Jato nesse contexto?

O problema é que a Lava Jato mostra de um lado que as instituições estão funcionando extraordinariamente bem do ponto de vista institucional, produzindo minibombas políticas. Isso tornam difíceis as associações – as agregações, digamos – entre os políticos, porque eles são passíveis de processos. Todos os mecanismos de articulação política estão sujeitos a receberem o impacto da Lava Jato. Depois que o Eduardo Cunha foi envolvido nas investigações, a Câmara passou a ser uma fonte potencial de obstáculos.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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7 Comentários
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  1. CB

    7 de agosto de 2015 12:19 pm

    A “crise política” tem

    A “crise política” tem solução, sim. É alguém criar coragem de enfiar o dedo (ou uma arma de fogo, porque parece que eles tem dificulade de entender simples palavras) no nariz da direita derrotada nas urnas e dizer em alto e bom som: “Vocês foram derrotados nas urnas! Interrompam imediatamente esta campanha para criar o caos no país.” Desde o resultado da eleição a mídia e o patético candidato derrotado intensificaram esta campanha de sabotagem. Por maiores problemas que um país tenha, sem a mídia a manipular os analfabetos políticos, não se cria uma crise destas. Os derrotados nas urnas estão sacudindo o barco, que sejam dominados e atirados ao mar. Virem-se com os tubarões depois.

  2. Marcos Antônio

    7 de agosto de 2015 12:22 pm

    Tem solução sim!

    O nome da crise se chama MÍDIA, com a globo na frente!

    Sem a globo não teria mensalão e nem morte ao PT!

    Criou-se uma convenção absurda de que a opinião popular vem depois da opinião da globo!

    Se a apuração dos EUA para a FIFA, abocanhar os marinhos, pode enfraquecer sua força de convencimento, seria quase o mesmo que a Veja faz a si mesma!

    A Veja não precisa de inimigos, basta continuar a mentir sobre seus desafetos!

    A marca da Veja está perdida, terão que inventar outro nome!

    Pois se a Zelotes achar a afiliada da globo e isso for divulgado, tambem ajuda e meios de comunicação que se alinharem a globo também correrão riscos…

    Por quê?

    Por que os motivos globais não são nem a ética, nem a moralização da política!

    Fosse eu do PT abriria uma GUERRA FRONTAL À ESSA MÍDIA, ESCANCARAR DE VEZ!

  3. robson_lopes

    7 de agosto de 2015 12:38 pm

    Evidente, até porque pra sair

    Evidente, até porque pra sair dessa crise é necessário um esforço conjunto, governo, oposição e mídia menos partidarizada.
    Sozinho o governo dificilmente sairá dessa encruzilhada, enquanto tivermos um congresso que só faça aumentar os custos, apenas para desgastar o governo, sem pensar nas contas do país, aumentando, contribuindo para o aumento da desigualdade social, realmente, assim não há saída para a crise.

  4. jc.pompeu

    7 de agosto de 2015 1:26 pm

    pobrema é que para

    pobrema é que para intelectual sociólogo a solução final de crise política… é ruim hein!

    depois de tudo resolvido bem posto na politica e na sociedade irá viver do quê o sociólogo?

    perderá emprego cargo voz ativa razão do ser em pregação teológico-política à plebe rude ignara.

  5. Mogisenio

    7 de agosto de 2015 1:45 pm

    Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.

    Olá debatedores,

    de novo, Olá debatedores!

    Há pouco tempo(1988) consegui-se  abrir um raro e importante  espaço para o debate  aqui no Barsil diante de uma biografia autocrática resiliente.

    Você discorda? Não há problema. Discorde. Mas, debata. Defenda a sua ideia. Crie  maioria, mas respeite a minoria, respeite os direitos fundamentais, respeite o  ser humano,  convença,  vote e vença , com LEGITIMIDADE. Obdedeça a CR/88.

    Transforme, porém, mantenha a “natureza”. Não acabe com ela.

    Nesse sentido, caros debatedores, sugiro-lhes  não resgatarem o nosso “DNA” ditatorial. De novo não. Não devemos seguir por este caminho. 

    “Esprema o cérebro”  e encontre argumentos. Sempre há argumentos para  o melhor caminho. 

    E o melhor caminho é este:

    Construir uma sociedade livre, justa e solidária.

    Garantir o desenvolvimento nacional.

    Erradicar a pobreza e a marginalidade e reduzir as desigualdades sociais e regionais.

    Promover o bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

    Tudo isso com o predomínio dos direitos humanos e com solução pacífica dos conflitos.

    Etc.

    Vale repetir: não resgatem o DNA ditatorial, pois, certamente, não valerá a pena.

    Dito isso, vou provocar um outro debate ( dentro deste ai de cima). Vejamos.

    Eu gosto ou aprovo a  nossa “grande mídia”?

    Não. Não gosto e nem a  aprovo. Mas, nem por isso, vou sair por ai desejando, simplesmente, o fim da “grande mídia”. Isso é , no mínimo, ingênuo, pois, sairia uma “grande mídia” e entraria outra “grande mídia” e ninguém saberia antecipar se seria melhor o pior essa “nova grande mídia”.( saberíamos sim,  especular)

    Notemos  bem, o termo “grande mídia” não é dos melhores, pois coloca todo mundo na mesma “panela” vazia de comida,  de solidariedade, de fraternidade e consequentemente, de liberdade e de igualdade.

    Vamos combinar. Panela precisa ficar cheia de comida, não é mesmo? rsrsrs ( gostei da de ontem)

    Mas, voltemos à “grande mídia”.

    É razoável supor que tem gente boa  que trabalha na “grande mídia” e que deve  não está por  aí desejando o fim do Brasil, a saída da presidenta via golpe  etc. É muito razoável supor isso, não?

    Logo, o conjunto A, que representa a “grande mídia” não deve conter somente elementos inescrupulosos, abomináveis, dignos de extermínio.

    Se isso se aproxima da  verdade – e eu acho que aproxima – então não dá para, simplesmente, sair por ai pregando o extermínio da ” grande mídia” em busca da  paz social.

    Não dá para jogar uma ou duas bombas atômicas num certo lugar e “justificar” que com isso, a guerra terminará e a “paz” ressurgirá. Ou dá?  Justique a bomba atômica, convença, vote e vença. 

    Não levo, portanto,  o termo “grande mídia” para o debate. Vago demais. Nâo nos leva a nada, a não ser, a um sentimento de ódio, raiva etc.

    Por outro lado, é claro, não estou saindo em defesa de atuações inescrupulosas  que devem ocorrer  na “grande mídia”  que são contrárias aos interesses do país. Óbvio que não.

    Portanto, vamos com calma e serenidade e com muita política. 

    Sugestão para o debate da “grande mídia”: Regulamentemos o serviço de radiodifusão entre outros com firmeza mas sem perder a ternura.

    Sugestão para o debate da “crise política”: Cidadania.

    Saudações 

  6. Clovis Sena

    7 de agosto de 2015 1:59 pm

    Dilma acabar com a crise é a coisa mais fácil do mundo…

    basta ela pegar uma  das inumeras irregularidades nesta lava jato, basta umazinha, mandar o Ze cardozo processar ou demitir uns dois ou três delegados, afastar o delegado geral, ou seja matar as investigações….

    não é isto que todos querem?

    talvez a PF fique com raiva, faça greve, fique uns seis meses paralisada, mas aí seria ótimo, os investigações morreriam todas…os mafiosos ficaraim felizes….

    depois se promovia o juiz Moro igual se promoveu o Fausto de Sanctis e ficava tudo na paz.

    basta ela melar as investigações que receberá aplausos.

    feito isso, iria reinar mais duzentos anos.

     

     

  7. rdmaestri

    7 de agosto de 2015 3:16 pm

    Mais uma replicação do PIG pelo GGN.

    Como está se tornando hábito o GGN parece que foi contratado pelo PIG paulista (Folha e ESP) para replicar suas análises e dar credibilidade a estas, há alguns tempos atrás eram os aticulistas em geral que propunham textos do PIG e complementavam com análises nada amistosas a estes artigos, agora é a própria edição do GGN que coloca as bobagens do PIG sem a mínima crítica simplesmente para que esta seja replicada no resto da rede.

    Por que disse bobagens, pois este artigo de um sociólogo que adora a palavra CRISE, no seu currículo lattes resumido a palavra CRISE aparece quarenta e sete vezes (47) análises desde 1990 até os dias atuais, falando de crise econômica, crise política, crise institucional e até crise em 1870 durante o Brasil Império, é um verdadeiro especialista em crises, escrevendo em português, espanhol e francês!

    A partir deste expert em crises, pode se concluir que o normal da história é estarmos em crise. Crisezinha, crise e crisezona, porém sempre em crise.

    E isto é natural mesmo, quanquer sistema democrático vive em crise, pois se há uma oposição esta sempre tentará levar o governo a uma crise, magnificando os fatos e dando importância a aspectos que deveriam ficar restritos a fóruns bem mais localizados.

    O mesmo sociólogo, diferentemente a toda e qualquer escrito acadêmico emite AXIOMAS como não se precisasse nenhuma confirmação e explicação como:

    “As mobilizações da época do Collor foram articuladas com partidos e por uma rede de mais de 100 organizações. Os movimentos de hoje, desde os de 2013, não têm condução partidária. As ruas hoje empurram os partidos, mas não são empurradas pelos partidos.”

    Por que isto se torna um axioma sem nenhuma necessidade de confirmação, talvez o caso das mobilizações contra Collor o autor no seu livro tenha criado uma demonstração que prove a influência dos partidos na mobilização, mas as manifestações de 2013, ainda são verdadeiramente uma incógnita quanto a mobilização das mesmas.

    Depois deste axiomas vem outras afirmações que também não são comprovadas, tais como:

    “Passamos por incertezas que não têm respostas claras nem do governo nem da oposição. Paulatinamente, estamos amadurecendo. O fato de o governo tentar hoje ajustar as contas já é um enorme avanço em relação ao que antes da eleição se dizia, de que não estávamos em crise econômica, que o mundo era uma maravilha.”

    Primeiro, quem está amadurecendo? Nós? Ele ou a sociedade? Eu nos últimos anos não me sinto mais maduro, mais velho sim, mas mais maduro? Talvez ele depois de 25 anos escrevendo sobre crises, ele já tenha chegado ao ponto de começar a amadurecer! Quanto a sociedade, na minha opinião não está mais madura, está sim mais barulhenta e com todos querendo chegar ao protagonismo entulhando as redes sociais com asneiras e imbecilidades que guardavam para si e para amigos e familiares. Porém dizer que a sociedade está mais madura é um grande salto na beira de um abismo. Replicar afirmações escritas na mídia para mim não é sinal de amadurecimento, e sinal que a tecnologia criou um espaço para isto, mas amadurecimento é outra coisa.

    A segunda parte do parágrafo é uma joia do imediatismo e um desconhecimento de Maquiavel e outros mestres da política milenares. Não foi Maquiavel que disse que o Príncipe deveria no início lançar todas as suas maldades todas de uma só vez para o impacto se diluir ao longo do tempo? Pois o que está ocorrendo com Dilma é isto, a economia vinha sofrendo um processo de desgaste, o modelo não poderia se perpetuar por todo um segundo mandato e não havia outra saída. O problema é que o intenso desgaste da Lava a Jato, apojado por meses pela mídia, potencializou o saquinho de maldades que a presidente utilizou no início do mandato. Isto criou uma forte queda de popularidade, que tem que ser analisada junto com a incapacidade das diversas oposições não conseguirem capitalizar para si a popularidade perdida.

    A última frase que é enigmática e ninguém tenta explicar, por que um perde e outro não ganha? Isto não pode representar que o vácuo criado pela perda de popularidade não foi criado não pelos partidos e opositores?

    O artigo do tal sociólogo, especialista em crises, poderia ser bem mais elaborado para quem é graduado, mestrado, doutorado e pós-doutorado em crise, pois se pedissem a mim que escrevesse sobre engenharia hidráulica (a minha especialidade), provavelmente faria algo que não repete o que é veiculado todos os dias nos jornais.

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